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sexta-feira, 19 de março de 2010

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - LXI

O SEPULTAMENTO DE JACÓ E A MORTE DE JOSÉ (Gn 50)

Nós chegamos no capítulo final do livro de Gênesis. Aqui é recordada a morte de Jacó e de José. Nesta ocasião, Israel não passava de uma grande família. Nada parecia mais improvável do que o cumprimento da profecia de que Israel se tornaria uma grande nação e herdaria Canaã. Mas estes dois homens morreram com uma fé inabalável.

A Tristeza (Gn 50.1): Até mesmo os santos sentem tristeza na morte dos seus amados. Entretanto, as promessas do Evangelho nos mantém longe do desespero que o mundo demonstra nesta hora (1Ts 4.13).

Preparo Para O Funeral (Gn 50.2-6): Ao fazer os preparativos para o funeral do seu pai, José tinha três coisas para observar:
A. O corpo de Jacó deveria ser devidamente embalsamado. No Egito isto era um processo muito elaborado. Os Egípcios eram tão habilidosos nesta arte, que hoje todos nós somos familiarizados com a extraordinária preservação de suas múmias.
B. No caso de pessoas consideradas importantes, como Jacó, um certo período de luto era observado. Os Cristãos devem observar certos costumes, desde que estes não sejam contrários a Bíblia (Rm 13.7). Nós nunca devemos fazer ofensas desnecessárias (1Co 10.32).
C. José precisava da autorização do Faraó para remover o corpo do seu pai para Canaã.

O Enterro (Gn 50.7-13): O enterro de Jacó foi realmente um negócio de Estado e acompanhado de um grande cortejo. O Egito era a maior nação e Jacó era o pai de seu líder.
Jacó foi enterrado na mesma cova onde Abraão e Isaque foram colocados (Gn 49.29-32). O povo de Deus tem tratado do corpo dos seus que partiram com muito respeito. Isto é porque eles acreditam que o corpo também foi remido por Cristo (Rm 8.23) e será um dia ressuscitado para ser imortal (1Co 15.52). Aqueles que não crêem na futura ressurreição do corpo, não compreendem como os Cristãos encaram o enterro. O enterro é para nós mais um semear do que uma disposição do corpo.

Verdadeiro Perdão (Gn 50.14-21): Não é de se admirar que os irmãos de José sentissem medo após a morte de Jacó. A culpa transforma o homem em covarde. Se eles tivessem realmente considerado o caráter de José, teriam visto que ele estava acima de qualquer vingança.
Alguns têm insinuado que os irmãos de José não foram sinceros, e que inventaram a mensagem atribuída a Jacó (vs. 16-17). Não há razões para fazermos tais acusações. Por que razão Jacó não se importaria com a harmonia de sua família após a sua morte? Vemos novamente em José um exemplo do verdadeiro perdão:
A. José perdoou livremente seus irmãos. Deus o tinha colocado em uma posição de absoluto poder sobre eles [vs.19]. Ele não dependia e nem necessitava deles. A única coisa que o motivava era o exemplo de Deus, que livremente perdoa os pecadores (Ef 4.32).
B. José acreditava que Deus em Seu plano soberano podia usar até mesmo as más intenções e ações dos homens para executarem os Seus propósitos. Este conhecimento traz paz para aqueles que sofrem injustamente. O versículo 20 tem sido visto muitas vezes pelo autor deste estudo, como uma versão do Velho Testamento de Romanos 8.28.
C. José não somente perdoou como também abençoou e confortou aqueles que o tinham tratado mal (Mt 5.43-44).

Abençoado Como Prometido (Gn 50.22-23): Deus nunca falha em manter a Sua palavra. José foi abençoado como foi prometido (Gn 49.22-26).

Fé Nas Promessas (Gn 50.24-25): Que cena tocante. Quatro gerações de homens morrem sem receberem o cumprimento da promessa de Deus, mas a fé deles nunca falha (Hb 11.13). José, um príncipe no Egito, pensa somente no futuro de Israel em Canaã. Como Jacó, ele também deseja ser enterrado na terra prometida. Diferente de Jacó, ele deseja aguardar até que Deus retire a nação de Israel do Egito, antes do seu corpo ser finalmente enterrado. A fé dele foi honrada muitos anos mais tarde (Êx 13.18-19; Js 24.32). (A morte de José foi sem dúvida uma notícia de nível internacional. Que esplendor deve ter sido dedicado em memória dele. Por alguma razão a Bíblia não fala nada a respeito disso. Isto não ilustra a visão de Deus sobre isso? Somente os assuntos de ordem espiritual são de importância eterna. As honras deste mundo são vazias).
Um Caixão No Egito (Gn 50.26): Gênesis começa com o homem no Jardim do Éden e termina com um caixão no Egito. Que desolação o pecado produziu. Desde a queda de Adão, o fim do homem tem sido a morte e o funeral neste mundo, do qual o Egito é uma figura. A melhor esperança para o futuro que o Egito pode dar é uma múmia.

Que alegria saber que o fim de Gênesis não é o fim da Bíblia. O grande plano da redenção se desdobra através das Escrituras para ser consumado no livro de Apocalipse. O caixão no Egito não é o capítulo final. Através de Jesus Cristo o paraíso será restaurado. Em certo sentido as coisas terminam como começaram (Ap 21 e 22) somente sendo melhores (Rm 5.20b).

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - LX

JACÓ ABENÇOA REÚNE E ABENÇOA SUES FILHOS E SUA MORTE (Gn 49)



Jacó, como um profeta, reuniu os seus filhos para falar a respeito do futuro deles como tribos de Israel. A profundidade e beleza das suas palavras revelam a espiritualidade deste patriarca. Lembre-se de que o cumprimento de algumas profecias tem importância futura. Estas tribos ainda existem dentro da nação Judaica e são reconhecidas por Deus, embora a maioria dos registros tenha sido perdido ao homem (Mt 19.28).
Princípios Para Relembrar (Gn 49.1-2): A. Enquanto estamos vivos, e sabendo que um dia morreremos, o nosso principal interesse deveria estar na vida espiritual dos nossos filhos e descendentes. Nossas palavras e ações deveriam refletir o nosso interesse pelo bem-estar eterno (2Pe 1.13-15; Sl 71.18). Muitas personagens da Bíblia fizeram um discurso para aqueles que ficaram em vida (Dt 33; Js 24). B. Nossas vidas afetam os nossos descendentes. Enquanto Jacó possuía a habilidade profética de conhecer o futuro, isto não o impedia de fazer observações a respeito do caráter deles. Muitas vezes o caráter dos filhos afetou as tribos que descendiam deles. C. A profecia tem o valor prático de ajudar o povo de Deus nos dias obscuros. Demoraria muito tempo até que Israel voltasse para a terra de Canaã e muito mais para a vinda do Messias. Estas profecias deram esperança durante este período de longa espera. As profecias que ainda não se cumpriram são um conforto para o povo de Deus (1Ts 4.13-18).
Os Filhos de Lia (Gn 49.3-15): A. Rúben (3-4) O pecado pode remover as pessoas das posições de liderança que ocupam no reino de Deus. A perda da honra de primogênito que Rúben sofreu, foi mencionada para nos lembrar de como o pecado pode deteriorar nossas vidas (1Cr 5.1). O incesto cometido por ele, revelou o seu caráter instável. A tribo de Rúben nunca produziu um grande líder e se tornou um povo sem importância em Israel. B. Simeão e Levi (5-6) foram culpados por usar de violência e total desrespeito para com a autoridade de Jacó como pai (Gn 34.25-31). Eles eram irmãos ou homens de caráter idênticos. Jacó descartou qualquer cumplicidade com as suas ações. Sem dúvida, estas duras repreensões tinham a finalidade de torná-los mais humildes. Estas duas tribos foram dispersas quando Israel herdou Canaã. A herança de Simeão foi espalhada pela porção de Judá (Js 19.1-9). Levi, é claro, se tornou uma tribo sacerdotal e recebeu das cidades distribuídas para todo Israel (Js 21). Neste caso a punição se tornou em bênção. C. Judá (8-10) Podemos sentir a alegria de Jacó ao considerar Judá. Vamos viver de tal maneira; que venhamos a trazer alegria aos nossos pais (Pv 10.1). As profecias mais abrangentes foram as relacionadas a Judá e José. 1. O v8 declara que Judá, como uma tribo, iria ocupar uma posição de liderança. Pelo comportamento sábio demonstrado por Judá durante a última parte de sua vida, ganhou aquela posição de liderança que Rúben perdeu por causa do pecado. 2. O v9 explica que Judá, da mesma maneira que o leão, iria se tornar uma tribo poderosa. 3. Os vs11-12 revelam que a vinda do Messias traria novos dias de prosperidade. As vinhas se tornariam tão comum que alguém poderia amarrar um animal a ela por não se preocuparem em quebrar a vinha e então não produzir mais fruto. O lagar ficaria tão cheio, que não somente os pés, mas também a roupa dos que pisassem as uvas ficariam manchadas. Este povo seria muito saudável em virtude da abundância de alimentos. Muitas vezes no Velho Testamento os dois adventos de Cristo não são separados. Estas palavras demonstram a prosperidade espiritual trazida pela vinda de Cristo, e também a prosperidade material que acompanhará a Sua segunda vinda. D. Zebulom (13) seria uma tribo que enriqueceria pela prática do comércio marítimo. E. Issacar (14-15) seria uma tribo forte e próspera, mas não zelaria demais da sua liberdade. Eles se tornariam até mesmo servos ou pagariam tributos às outras nações para o privilégio de gozar prosperidade material.
 
Os Filhos das Servas (Gn 49.16-21): A. Dã (16-17) significa juiz. Esta tribo seria um inimigo sagaz que poderia vencer um adversário maior do que ela, assim como a serpente fere o cavalo. Sansão era da tribo de Dã. (Alguns escritores antigos acreditavam que o anticristo viria desta tribo. Isto se deve ao fato dela não ser mencionada em Ap 7.4-8. Eles também acreditavam que Jacó se inflamou por este motivo no v18. Tudo isso é mera teoria). B. O Êxtase de Louvor de Jacó - v18. Jacó tinha falado a respeito da liderança de Judá, da força de Issacar e da astúcia de Dã. Aqui ele relembra a todos que Deus era a sua força e não estas coisas. C. Gade (19) como uma tribo seria exposta aos ataques de bandos saqueadores, mas lutaria e os venceria. O seu território ficaria exposto aos ataques devido a localização geográfica. D. Aser (20) seria uma tribo produtiva com fruto digno de servir aos banquetes reais. E. Naftali (21) Este povo amante de liberdade faria lembrar os cervos. Eles também seriam um povo eloqüente. Pense a respeito do cântico de Débora e Baraque (Jz 4.6 e 5.1-31).
 
Os Filhos de Raquel (Gn 49.22-27): A. José (22-26). A respeito de José houve uma larga e maravilhosa profecia. Nos vs22-23, nos é dado um quadro da sua juventude e perseguição. O versículo 24, explica que ele era sustentado por Deus, o Pastor e a Rocha de Israel. Os versículos 25-26 explicam como Deus abençoou abundantemente a José. A palavra benção é usado cinco vezes para descrever o tratamento que José recebeu do Senhor. Ambos os filhos de José se tornaram em tribos. Pode ser que no v26 uma referência seja dada ao fato de que todos os filhos de Jacó constituíram tribos. Jacó foi o único patriarca que não teve nenhum dos seus filhos cortado do programa de Deus para Israel. B. Benjamim (27) Como um lobo, Benjamim seria um feroz e bem sucedido oponente. Nos vêm a mente homens como Mordecai e Ehud. O Velho Testamento menciona várias vezes a habilidade dos soldados desta tribo. Nós pensamos também do apóstolo Paulo que era um batalhador pela causa do Evangelho (Fl 3.5).
A Morte de Jacó (Gn 49.28-33): Jacó deveria morrer, mas morreria na fé. O pedido para ser enterrado em Canaã revelou a sua fé nas futuras promessas de Deus. Ele desejava ser enterrado onde as tribos de Israel um dia viveriam e governariam. Duas coisas a respeito da morte devem ser notadas aqui: A. A morte reúne a nossa alma com o nosso povo. Quem é o seu povo? B. O enterro é enfatizado porque um dia o corpo será ressuscitado. Os Cristãos sabem que Deus tem um plano futuro para o corpo (Fl 3.21).
Conclusão: Você está preparado para morrer? Você tem procurado preparar sua família para a eternidade futura? Note Pv 14.32.

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - LIX

JACÓ ABENÇOA OS FILHOS DE JOSÉ E DA TESTEMUNHO DA FIDELIDADE DE DEUS (Gn 48)



Realmente, foi precioso e abençoado o testemunho deste idoso santo. Com uma fé amadurecida, ele refletiu sobre as provas e alegrias pelas quais passou durante a sua vida. Essas reflexões de um homem próximo à morte eram o fruto da fé (Hb 11.21). Pela fé ele manteve uma atitude de gratidão diante de uma vida de perigos e perplexidades.
Certamente os filhos de José sempre se lembraram desta ocasião. Os jovens necessitam de uma exposição diante de tais veteranos do Reino de Deus.
A Velhice (Gn 48.1-2): Somente a fé é capaz de fazer um homem na sua velhice ver a mão de Deus nas bênçãos e nas provações pelas quais passou durante a sua vida. Podemos ver no discurso de Jacó uma atitude de profunda gratidão, uma atitude que já não aparece na vida da maioria dos idosos. Ele viu que o restante da sua missão na terra era testemunhar a respeito da fidelidade de Deus. Na verdade, a idade é uma grande bênção para tais pessoas.
As Memórias Que São Importantes (Gn 48.3-4): Um homem preste a morrer fala do que é verdadeiramente importante para ele. Aqui Jacó testemunha para José ao respeito da graça de Deus. Enquanto fazia uma retrospectiva, as ocasiões que ele mais destacou foram aquelas em que Deus o visitou (Gn 28.10-22). Para Jacó, as promessas de Deus dada naquela ocasião, foram como a estrela do norte, a qual serviu para guiá-lo durante a sua vida. Estas mesmas promessas foram feitas a Abraão e Isaque. Todos estes homens viveram olhando para as promessas, embora elas nunca tivessem se cumprido durante a vida deles (Hb 11.13). Todo estudante deveria fazer uma aplicação pessoal destas verdades. Você já encontrou com Deus? Os seus últimos dias serão marcados pelas lembranças das vezes em que Deus esteve especialmente próximo? As promessas de Deus são as suas possessões mais queridas?
Palavras de Fé (Gn 48.5-6): A. De certa maneira, Jacó adotou os filhos de José. Cada um dos dois netos de Jacó se tornaria uma tribo em Israel, assim como os outros filhos de Jacó. Através deles José recebeu a porção dobrada da herança que normalmente era destinada ao filho mais velho. Rúben perdeu o direito por causa do seu pecado (1Cr 5.1). Ele e Simeão foram mencionados em virtude do grande desgosto que causaram a Jacó.
As palavras do versículo 6 foram proferidas para eliminar qualquer futuro mal entendido. Se José viesse a ter outros filhos, eles não se tornariam tribos separadas, mais teriam parte da tribo de Manassés e Efraim. José teria uma porção dobrada, mas nada além disso.
B. Considere a fé que Jacó manifesta aqui nas promessas de Deus. Ele começou a dividir a terra muito antes que Israel a possuísse. A fé verdadeiramente é a vitória (1Jo 5.4; Hb 11.13). Considere também o valor que a fé colocou nas promessas de Deus. José era um príncipe no Egito, mas a sua verdadeira herança era uma porção dobrada na terra de Canaã.
Memórias Amargas e Doces (Gn 48.7): Talvez a presença de José tenha feito Jacó se lembrar da morte de Raquel. Ela foi o amor da vida de Jacó e a única mulher que ele tinha intenção de se casar. Se o plano de se casar somente com Raquel tivesse dado certo, José teria sido realmente o primogênito. Talvez ela tenha sido mencionada como uma justificativa para dar a José uma porção dobrada. De qualquer forma, a memória dela era ao mesmo tempo um fator de alegria e de tristeza para Jacó. Como todos os santos, ele sabia que um dia iria revê-la.
As Bênçãos de Jacó Gn 48.8-22): A. Um coração agradecido - versículos 8-22. Note bem como Jacó se regozijava na bondade de Deus. No versículo 11, ele menciona que as bênçãos de Deus tinham superado as suas expectativas. Feliz é o homem cujo coração transborda de gratidão a Deus.
B. Abençoando Nossos Descendentes - versículo 9. Todos os Cristãos deveriam almejar o bem estar dos seus filhos e descendentes. Devemos lembrar que a única e verdadeira bênção que nós podemos passar adiante é o nosso bom testemunho e a oração em favor deles. Estes jovens nasceram e cresceram tendo os tesouros do Egito colocados aos seus pés, mas tudo o que eles necessitavam era na verdade a bênção de Deus. Que cenário de fé! As riquezas do mundo não significavam nada comparado com as bênçãos concedidas. Ser herdeiro das promessas, abençoado por um velho profeta e se unir aos desprezados pastores, isto era tudo que realmente importava.
C. Mãos Trocadas - versículos 13-20. José ficou descontente porque Jacó colocou a sua mão direita sobre a cabeça de Efraim ao invés de Manassés, o primogênito. Jacó explicou que isto foi feito propositadamente desde que Efraim seria a maior tribo.
Quando Deus concede bênçãos, Suas mãos muitas vezes estão trocadas. Isto demonstra que a graça não segue a linha da natureza humana (Jo 1.13). Deus não age segundo as nossas expectativas. Ele é soberano, a graça é opcional, e todas as bênçãos são distribuídas conforme a Sua vontade (Rm 9.15-16). Jacó entendeu muito bem estas coisas (Rm 9.10-13).
D. Jacó ou Israel. Note que neste capítulo como em outras passagens de Gênesis, os nomes de Jacó e Israel são utilizados. As variações não são um acidente. Jacó é um homem fraco, um usurpador, um verme (Is 41.14). Israel é um príncipe. Quando a fé de Jacó está fortalecida e ativa, nós o vemos sendo chamado de Israel. Isto não nos faz lembrar dos nossos altos e baixos e das duas naturezas do povo de Deus?
E. Grande é A Tua Fidelidade - versículos 15-16. Quando Jacó se lembrou de como Deus o abençoou, ele podia crer que Deus abençoaria os seus descendentes. Que maravilhoso testemunho Jacó dá enquanto reflete sobre a sua vida. As provações, as decepções e os dezessete anos de lamentação foram relembrados. Enquanto ele pensava a respeito da fidelidade de Deus em tudo isso, o seu coração se elevou em adoração a Deus pelo Seu incrível propósito e providência. Isto trouxe a ele esperança para o futuro. (Note que o anjo no versículo 16 é o "Anjo do Senhor". Este anjo é o próprio Deus, manifestado aos homens no Velho Testamento).

F. Um Presente de Amor - versículos 21-22. Israel estava morrendo, mas sua fé permanecia fortalecida. Ele sabia que Deus levaria a nação de volta para Canaã. Quando isto ocorresse, a terra que ele tinha comprado seria um presente especial para os descendentes de José (Gn 33.19; Js 24.32). O versículo 22, evidentemente se refere à luta pela posse da terra não mencionada nas Escrituras.

terça-feira, 2 de março de 2010

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - LVIII

JACÓ E SEUS FILHOS SÃO APRESENTADOS AO FARAÓ E A FOME SE AGRAVA (Gn 47)

Ainda que os propósitos de Deus se desdobrem de forma lenta, eles nunca deixam de ser executados. Vemos aqui Israel entrando no Egito e quatrocentos anos mais tarde, eles sairiam de lá de acordo com a promessa divina, (Gn 15.13-14). Quantas vezes o povo de Deus, em meio as provações, se esquecem de que fazem parte de um plano muito mais abrangente.
Uma Entrevista Com Faraó (Gn 47.1-4): O Faraó é tratado com muito respeito, e nada é duvidado. Os filhos de Deus nunca deveriam provocar ou irritar desnecessariamente aqueles que exercem autoridade (Rm 13.1-7). Alguns pensam que o Evangelho lhes dá o direito de desprezarem as leis humanas. Nós deveríamos, no entanto, reconhecer que a autoridade de Deus está presente na legítima e justa forma de governo.
José trouxe cinco dos seus irmãos para uma reunião com o Faraó. Provavelmente, o restante estaria cuidando do rebanho. Estes cinco deveriam comunicar estas três coisas ao Faraó:
A. Eles eram pastores. Baseado em Gênesis 46:34, esta era sem dúvida uma confissão difícil de fazer.
B. Eles eram apenas peregrinos e não tinham intenções de serem naturalizados. José parece ter entendido a importância de Israel permanecer separado como nação. Nós podemos ver nisso tudo uma figura da separação que o Cristão deve ter do mundo (1Pe 2.9;  Jo 15.19).
C. Eles desejavam habitar em Gósen.
O Pronunciamento do Faraó (Gn 47.5-6): O Faraó gentilmente manteve a sua promessa, ainda que isto representasse muito pouco comparado com o benefício que José trouxe ao Egito. José não tinha interesse de que seus irmãos trabalhassem para o Faraó. Ele desejava que o povo de Israel ficasse separado dos Egípcios.
O Menor é Abençoado pelo Maior (Gn 47.7-10): O Faraó era o homem mais poderoso na terra, entretanto, não podemos ler esta passagem sem ficarmos impressionados pelo fato dele ter encontrado um homem superior a ele. Isto é confirmado em Hebreus 7.7, onde a grandeza de Melquisedeque é demonstrada quando ele abençoa Abraão. É mencionado duas vezes que Jacó abençoou o Faraó. As pessoas deste mundo, pouco ou nada sabem sobre o que a eternidade revelará a respeito da verdadeira e relativa grandeza (Dn 12.3; Pv 10.7). Se esforce para ser grande aos olhos de Deus.
Note as palavras de Jacó para o Faraó:
A. Ele abençoou o Faraó - Sem dúvida esta benção era uma invocação ao Deus Todo-Poderoso. Os santos deveriam tanto desejar quanto orar para que as bênçãos de Deus sejam derramadas sobre a vida de outras pessoas (1Tm 2.1-2).
B. Jacó explicou que os seus dias tinham sido poucos. A vida mais longa que alguém possa ter, é curta, quando comparada com a eternidade. Nenhum homem chegou a viver por mil anos, que aos olhos de Deus é apenas como um dia (2Pe 3.8).
C. Jacó explicou que os seus dias tinham sido maus (cheio de tribulações e preocupações). A vida é difícil e cheia de tribulações (Jó 14.1). Muitas vezes nós agimos como Jacó e aumentamos a nossa carga por não buscarmos a direção de Deus para as nossas vidas (Pv 3.5-6). Tenha compaixão de qualquer pessoa que não tenha Deus para confortá-lo nesta vida (2Co 4.17).
Não devemos pensar que Jacó estava expressando ingratidão ou tendo uma atitude negativa para com a vida. Por duas vezes ele usar a palavra peregrinação, ele dá a entender que a sua real e futura esperança é de ordem espiritual. Nós, como Cristãos, também reconhecemos que até que cheguemos ao céu, nos importa passar por muitas tribulações (At 14.22).
A Divina Provisão (Gn 47.11-12): Os caminhos de Deus às vezes nos parecem estranho, embora Ele faça com que tudo coopere para o nosso bem (Rm 8.28). Aqui Jacó aprendeu que a provação sofrida pela perda de José foi um meio pelo qual eles foram salvos da fome. Que aprendamos a dar graças mesmo quando não compreendemos (1Ts 5.18).
 A Fome (Gn 47.13-22): A passagem nos mostra que somente a visão profética de José é que foi capaz de salvar a nação do Egito e a terra de Canaã da fome. É só pensarmos um pouco e veremos que o plano utilizado para alimentar o povo não era cruel, como talvez possa parecer. E também não expressava nenhum ressentimento. Em uma situação onde todos dependem da ajuda do governo, a administração deve ser muito criteriosa. (A preferência dada ao sacerdote pagão estava além do controle de José).
Os Impostos (Gn 47.23-26): Enquanto a fome fosse extinguida, José planejou um sistema para restaurar a agricultura. Este plano demonstra que José não tratava injustamente o povo. O governo fornecia a semente e cobrava vinte por cento da produção como imposto. Se você pensa que isto é injusto, tente calcular o quanto pagamos de taxas e impostos neste país. Lembre-se também que somente podemos possuir um pedaço de terra se pagarmos os devidos impostos por ela.
O Pedido de Jacó (Gn 47.27-31): Jacó acreditava que Canaã era a terra prometida. O seu coração sempre esteve lá. Embora não pudesse morrer em Canaã, ele desejava ser enterrado junto com os seus pais. Este pedido revela a sua fé nas promessas de Deus (Gn 15.13-16; Hb 11.21-22).

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - LVII

A FAMILIA DE JACÓ DESCE AO EGITO (Gn 46)

Vamos lembrar que enquanto a família de Jacó se dirige para o Egito, as profecias feitas a Abraão estão sendo cumpridas (Gn 15.13-14). A nossa tendência é enfatizar as profecias que ainda não se cumpriram e esquecer a maravilha das profecias já cumpridas.
Indo para o Egito: Antes de estudarmos versículo por versículo deste capítulo, vamos fazer uma pausa para perguntarmos porque Israel foi levado ao Egito no começo. Por que não permaneceram em Canaã como nação e de lá se expandiram? Vejamos algumas razões:
A. Por causa da segregação praticada no Egito, Israel poderia permanecer como um povo separado (vers. 31-34; Gn 43.31-34). Em Canaã eles poderiam facilmente se casar com outros povos e perderem assim a sua identidade corporativa e espiritual. Após quatrocentos anos no Egito eles ainda eram uma nação distinta e separada.
B. No Egito o povo de Israel teria a oportunidade de crescimento populacional. A influência de José para que eles recebessem a terra de Gósen foi de grande ajuda. Esta era uma área excelente para criação de animais. Se Israel tivesse se expandido grandemente em Canaã, provavelmente haveria guerras e eles não estariam preparados para isso. (Quando Israel deixou o Egito, a população tinha aumentado para mais ou menos dois milhões de almas).
C. O êxodo de Israel do Egito foi uma grande oportunidade para mostrar o poder de Deus (Rm 9.17; Sl 78.43). A glória de Deus e o bem do Seu povo são os dois principais propósitos encontrados em Suas obras.
D. Israel não saiu do Egito sem nada, antes foi enriquecido pela fartura e prosperidade de Egito (Êx 12.35-36). Muito do material para construção do tabernáculo veio exatamente daqui (Êx 25.1-9).
E. A longanimidade de Deus restringiu o julgamento sobre os Canaanitas até que a iniquidade deles alcançou um certo nível (Gn 15.16). Como os propósitos de Deus são complexos.
Buscando a Direção de Deus: Jacó se apressou em sua viajem para ver José. Ao chegar em Berseba, na fronteira de Canaã, ele parou para cultuar e adorar a Deus. Há vários motivos para meditarmos a respeito disso:
A. Ao se aproximar da fronteira de Canaã Jacó começa a questionar a si mesmo. Ele estaria fazendo a coisa certa ao deixar a terra de Canaã? Ele sabia que dificilmente retornaria durante a sua vida. Ele deveria trocar a terra prometida pelo Egito? Abraão não pecou quando fez isto? Vamos aprender a buscar a orientação e liderança de Deus (Pv 3.6).
B. Chegando próximo a Berseba ele se lembrou que Abraão e Isaque tinham encontrado a Deus naquele lugar (Gn 21.33 e 26.26). Assim como eles, ele também necessitava de liderança e segurança de Deus.
Deus Conforta Seu Filho (Gn 46.2-4): Como é maravilhoso ouvir de Deus e saber que estamos sob Sua vontade. Note as palavras de Deus nesta última visão patriarcal.
A. "Não temas descer ao Egito" ! Como é maravilhoso ir para onde sabemos que Deus está nos guiando.
B. "Eu te farei ali uma grande nação".
C. "Eu descerei contigo ao Egito".
D. "Eu certamente te farei tornar a subir".
E. É prometido a Jacó que ele estaria com José no momento de sua morte (por a mão sobre os seus olhos).
Seguindo a Liderança de Deus (Gn 46.5-7): Jacó podia prosseguir agora com o coração mais aliviado. Para nós cristãos não existe nada mais valioso do que andar de acordo com a sua Palavra. (Sl 1)
Um Pequeno Começo (Gn 46.8-27): Este pequeno clã se tornou uma grande nação. Quão grandes coisas Deus pode fazer através de algo aparentemente insignificante. Setenta pessoas apenas se tornaram uma poderosa nação.
Uma Reunião Feliz (Gn 46.28-30): Que cena maravilhosa. Note, entretanto, a dignidade de Jacó. Ele permitiu que José viesse até ele. Ele sabia que ser um patriarca da nação Judaica era uma posição mais importante do que qualquer outra no Egito.
As Instruções de José (Gn 46.31-34): A. José estava mais interessado na pureza espiritual do que na grandeza material dos seus irmãos. Ele usou o fato dos Egípcios detestarem o ofício de pastor como um meio de manter sua família separada. Vamos aprender com isto a fazer sábias escolhas para as nossas famílias.
B. O Egito sempre representa este mundo. Veja aqui o quadro do que o mundo pensa a respeito do Bom Pastor.

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - LVI

JOSÉ SE REVELA  SEUS IRMÃOS (Gn 45)

Três coisas especialmente se destacam neste capítulo: A. Este capítulo contém o clímax de uma das grandes histórias narradas pela Bíblia. A simplicidade do estilo de Moisés tem sido muitas vezes admirada. B. Aqui podemos ver a providência de Deus profundamente enfatizada. Nós somos os atores na peça em que Deus é o diretor. C. A vida de José nos ensina como perdoar aos outros e viver sem frustração e amargura.

Uma Revelação (Gn 45.1-4): A intercessão de Judá revelou a José a mudança do coração dos seus irmãos. Até mesmo o seu próprio coração foi tocado. Ele pediu aos servos que se retirassem para que ele pudesse colocar de lado o protocolo de Estado e conversar em família com seus irmãos. É provável que ele também não queria que seus servos soubessem o que os seus irmãos fizeram no passado (1Pe 4.8). Os professores da Bíblia têm comparado esta revelação com a futura revelação de Cristo para a nação Judaica. Os irmãos de José devem ter sentido um grande remorso. Isto não é um símbolo da tristeza que o povo Judeu sentirá na volta de Cristo (Zc 12.10)?

O Conforto da Soberania Divina (Gn 45.5-8): A. A soberania de Deus assegura que os caminhos humanos são tão ordenados que o Seu povo é preservado e Seus propósitos realizados. Deus enxerga o futuro e tem tudo preparado de antemão para suprir as nossas necessidades. Mesmo os homens maus, que peca livremente, acabam sendo instrumentos da vontade divina (Sl 105.16-24; Sl 76.10; Ef 1.11). B. José não estava de forma nenhuma negando a culpa dos seus irmãos (Gn 50.20). No entanto, quando viu evidências do arrependimento deles, ele se apressou em confortá-los e lembrá-los que mesmo diante da rebelião que eles cometeram, Deus estava trabalhando para o bem deles. Os pecadores arrependidos algumas vezes estão em perigo de serem tomados de "demasiada tristeza" e necessitam ser apropriadamente confortados (2Co 2.7). C. Note que José se recusou a levar o crédito pela preservação de Israel. Ele sabia que era apenas um instrumento nas mãos de Deus. O homem deveria sempre atribuir a glória a Deus (Rm 11.33-36). D. O espírito de perdão de José para com os seus irmãos nos ensina uma grande lição: Aqueles que acreditam no plano predestinado de Deus são ajudados a perdoar as más obras que os homens lhes fazem. Quando vemos a mão de Deus trabalhando, mesmo através das más ações dos homens, ficamos sem amargura pelo nosso tratamento (Jó 1.21). Há outras maneiras de exercer o perdão (Ef 4.32), mas esta definitivamente faz parte. Note como isto funcionou na vida de Davi (2Sm 16.5-13).
Uma Tendência Espiritual (Gn 45.9-15): José era um homem de atitudes espirituais. E podemos ver isso das seguintes maneiras: A. José estava consciente da obra e do plano gracioso de Deus para a vida dele. O Egito era um lugar onde Israel poderia ser preservado como nação enquanto crescia e era salvo da fome. Os costumes Egípcios asseguravam que Israel não seria absorvido pela cultura deles (Gn 43.32). José ficou muito alegre em ver a sabedoria de Deus. Alguns crentes parecem enxergar muito pouco da obra maravilhosa de Deus em suas vidas. B. Note novamente o perdão pleno que José concede aos seus irmãos. Isto requer uma verdadeira espiritualidade.
Faraó (Gn 45.16-20): Este Faraó é bem diferente daquele com o qual Moisés teria que tratar. Ele era realmente um homem magnânimo e agradecido. Os governantes normalmente se esquecem de antigas bondades. Faraó, no entanto, se lembrou que a salvação do Egito era o resultado das bênçãos de Deus através de José. Por esta razão ele prometeu cuidar de forma generosa da família de José. As maiores riquezas da terra estariam a disposição deles. (Não podemos deixar de comentar e refletir que o coração do Faraó estava nas mãos de Deus. Este aqui mostra compaixão, o outro, que viria mais tarde, mostraria crueldade. Entretanto, ambos foram usados para que Deus abençoasse Israel e glorificasse o Seu nome - Romanos 9.17).
De Volta para Canaã (Gn 45.21-24): Para a viagem de volta para casa, eles receberam tudo o que necessitavam e um pouco mais. Acreditamos que em parte isto foi feito para convencer Jacó que a história que seus filhos contariam era verídica. Da mesma maneira, durante a nossa jornada para encontrarmos com o Senhor Jesus, Deus providencia tudo necessário para o nosso sustento. Deus até mesmo nos dá alguns presentes que asseguram as nossas futuras bênçãos (Ef 1.13-14).
Não há duvidas de que o conselho de José no versículo 24 era necessário. Talvez eles temessem expor os seus antigos erros e começassem a brigar entre si, tentando jogar a culpa um no outro diante de seu pai antes que ele descobrisse os fatos acerca de José.
Jacó Recebe Boas Notícias (Gn 45.25-28): Que cena magnífica. O velho Jacó é incapaz de crer de tanta alegria, e ele somente é convencido quando ouve toda a história e vê os carros enviados do Egito. Ele então sente que quando visse José a sua vida estaria completa. Graciosamente, não vemos aqui nenhum relato de Jacó repreendendo os seu filhos por venderem José. Eles tinham se arrependido e se reconciliado com ele. Que necessidade havia de relembrar seus antigos pecados? Vamos aprender com Jacó a deixar os esqueletos no armário. Note que nem mesmo José mencionava os pecados deles. Os Egípcios nunca souberam do crime que eles cometeram (2Pe 4.8). Note como Jacó é mencionado por este nome no versículo 25, e por Israel no versículo 28. No momento em que sua fé é renovada, ele percebe que é verdadeiramente abençoado por ser um "príncipe" com Deus. Nós também somos "Jacós" por natureza, mas através da graça reinaremos com Cristo.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - LV

OS IRMÃO DE JOSÉ PASSAM PELO ÚLTIMO TESTE (Gn 44)
Em Gênesis 43.34, José testou seus irmãos para ver se eles ainda eram controlados pela inveja. Neste capítulo, o teste é mais rigoroso ainda. Eles realmente amavam Benjamim? Eles estavam dispostos a saírem livres e deixá-lo para ser escravo? Este teste provou que eles realmente eram homens mudados. Judá, em especial, demonstrava ser um homem transformado.
Mais Um Teste (Gn 44.1-5): Não era vingança, mas o desejo de conhecer realmente seus irmãos, o verdadeiro motivo por detrás dos planos de José. Ele encenou seu papel corretamente e demonstrou grande força de caráter e autocontrole. Ele teria sido imprudente se tivesse se revelado aos seus irmãos antes de conhecer o caráter deles. Várias vezes nas Escrituras somos alertados a não colocarmos a nossa confiança em pessoas que desconhecemos o caráter (Pv 11.15). Aqueles são chamados ao ministério devem ser especialmente provados (1Tm 3.6). Somente as provas podem expor verdadeiramente os corações dos homens (Dt 8.2). O sentido do versículo 5 é de alguma maneira discutível. Talvez a palavra "adivinha" fosse usada porque os Egípcios não eram familiarizados com o conceito da verdadeira profecia. Por outro lado, José pode ter ido muito longe ao fingir ser um adivinhador pagão.
Pegos na Armadilha de José (Gn 44.6-13): Que desespero os irmãos de José devem ter sentido. Eles sabiam que eram inocentes, mas pareciam sentir que estas provas de alguma forma eram o julgamento de Deus sobre seus antigos pecados. Sem dúvida, José colocou o dinheiro nos sacos para que eles soubessem que Benjamim era inocente. Eles veriam que alguém mais tinha manuseado as sacolas.
Passando no Teste (Gn44.14-17): Os irmãos foram convencidos de que estas provas eram uma justa retribuição, mesmo sabendo que eram inocentes quanto ao que ocorreu. Eles não culparam Benjamim, mas parecem ter visto a mão de Deus em tudo isso. Paciência sob julgamento é uma obra do verdadeiro arrependimento (Sl 51.3-4). No versículo 17 José força a situação e os coloca em um verdadeiro teste. Eles ficariam ao lado de Benjamim arriscando o próprio futuro deles.
Judá Intercede (Gn44.18-34): Nenhum advogado faria melhor defesa do que Judá. Martinho Lutero desejava orar para Deus como Judá suplicou diante de José. Para a eloquência de homem e de discursos empolgantes, este discurso é inigualável. Até mesmo o pensamento de causar alguma dor ao seu pai era intolerável para Judá. Ele verdadeiramente era um homem mudado. Ele realmente tornou-se um líder entre os seus irmãos (Gn 49.8-12).
Paralelos Interessantes: Vemos nesta história, que a participação de Judá é uma figura da obra redentora de nosso Senhor Jesus Cristo. Note algumas das grandes verdades do Evangelho que podem ser vistas aqui quando vemos Judá como uma figura de Cristo:
A. Tanto Judá quanto o Senhor Jesus pertenceram a tribo de Judá (Gn 49.8-10; Ap 5.5). É claro que Judá foi o pai da tribo.
B. Judá se tornou uma garantia para o seu irmão mais novo (Gn 43.8-9). O Senhor Jesus se tornou o fiador dos seus irmãos mais novos (Hb 7.22 e 2.11; Rm 8.29).
C. Judá se tornou uma garantia para o seu pai. Ele aceitou ser responsável por Benjamim e respondeu ao seu pai pela segurança dele. Jesus Cristo se tornou a nossa garantia para o Pai. Ele se responsabilizou por Seu povo. Isto é ilustrado na passagem a respeito do Bom Pastor (Jo 10.11-14, 28-29).
D. Judá se tornou uma garantia para Benjamim antes mesmo dele estar envolvido em confusão ou ir ao Egito (que é uma figura do mundo). O Salvador se tornou a nossa garantia antes mesmo que nós nascêssemos neste mundo ou pecássemos (Ef 1.4; 1Pe 1.18-20).
E. Judá desceu com seu irmão mais novo para o Egito. Foi lá que Benjamim se viu envolvido em problemas. O Senhor Jesus acompanhou Seu povo para este mundo onde eles necessitariam de redenção (Hb 2.11-15).
F. Judá prontamente assumiu a culpa pelos erros dos seus irmãos (vers. 33). Jesus Cristo pagou pelos nossos pecados (Is 53.6).
G. Judá intercedeu por seus irmãos baseado na sua própria garantia (vers. 32). O Senhor Jesus intercede pelo Seu povo baseado na Sua fiança por eles (Jo 17.6 e 9; Rm 5.10; 8.33-34).
H. Judá foi bem sucedido em seus esforços para salvar Benjamim. Jesus Cristo se tornou a nossa garantia, morreu em nosso lugar, e agora vive para interceder por nós. Ele é absolutamente bem sucedido na obra de salvar o Seu povo. Todas as Suas ovelhas serão reunidas em Seu aprisco (Jo 10.27-29) e todos os filhos se encontrarão no Seu lar (Hb 2.10 e 13).

terça-feira, 11 de agosto de 2009

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - LIV

OS IRMÃOS DE JOSÉ VOLTAM AO EGITO E ENFRENTAM MAIS UM TESTE (Gn 43)


Enquanto abrimos este capítulo, Simeão está preso no Egito e a família de Jacó novamente está sem comida. A fome força Jacó a confrontar a situação que ele estava tentando esquecer. Durante este período, podemos ver que Deus não apenas está preparando a nação escolhida para entrar no Egito, como também está trabalhando em suas vidas espirituais.
A Dificuldade do Dilema (Gn 43.1-7): Jacó, devido a sua tristeza, parecia totalmente irracional. Ele sabia que eles necessitavam de comida, mas não podia suportar a idéia de se separar de Benjamim. Parece até que ele havia se esquecido de Simeão. Note, entretanto, um sinal de encorajamento. Jacó é chamado pelo seu novo nome, "Israel". Isto não era uma indicação de Deus mais uma vez estava se preparando para manifestar Sua graça a Jacó? Muitas vezes, quando a vida parece obscura, o brilho dos graciosos propósitos de Deus está prestes a surgir.
A Fiança de Judá – (Gn 43.8-10): Judá parece ter crescido em caráter e confiança. Jacó confia a ele a responsabilidade de levar Benjamim para o Egito. Jacó se recusou a deixar Rúben, o mais velho, cuidar disso (Gn 42.37-38).
Judá usou estes três argumentos para convencer Jacó:
1- Ele cuidaria e seria pessoalmente responsável por Benjamim. (Veremos no próximo capítulo que isto é um quadro maravilhoso da fiança de Cristo por Seu povo).
2- Ele lembra a Jacó que sem comida todos morreriam. E isto incluía Benjamim.
3- A procrastinação não ajudaria em nada.
A Decisão de Jacó (Gn 43.11-14): Três coisas aqui merecem a nossa atenção:
1- Jacó tomou todas as devidas e possíveis precauções para que a viagem tivesse sucesso. Um valioso presente, ainda disponível em Canaã, foi enviado junto com eles. A confiança em Deus não nos impede de usar de sabedoria e do nosso melhor esforço (Pv 18.16).
2- Jacó insistiu para que eles fossem honestos em tudo que fizessem. Talvez o dinheiro tivesse retornado por algum engano. Nós devemos manter a "Regra de Ouro" mesmo quando outros cometem algum engano (Mt 7.12).
3- Jacó demonstra evidências de seu crescimento espiritual pessoal e sua submissão à vontade de Deus. Ele sabia que somente Deus poderia lhes dar uma viagem segura. Aqui ele permite que não somente Benjamim, mas todos seus filhos partissem imediatamente. Sua última declaração, no versículo 14, demonstra o desejo de deixá-los nas mãos de Deus. Ele está completamente entregue a vontade de Deus (Jó 1.21).
Temor no Egito (Gn 43.15-25): José estava ansioso para ver Benjamim enquanto esperava o retorno dos seus irmãos para o Egito. A verdadeira razão para que José exigisse o retorno com Benjamim era testar o caráter deles. Será que eles tinham assassinado ou vendido Benjamim? Eles ainda eram ressentidos e invejosos? Somente tendo conhecimento disso é que José saberia como agir.
Quando eles foram trazidos ao palácio de José, ficaram muito atemorizados. Eles temiam serem acusados de ter roubado o dinheiro que trouxeram para comprar os grãos da primeira vez. Antes que eles entrassem na presença de José, tentaram explicar o assunto ao mordomo dele. Ele lhes tranqüilizou e até trouxe Simeão para vê-los. Eles foram tratados muito bem enquanto se preparavam para jantar com José.
Note: O versículo 23 dá a entender que José havia instruído seus servos sobre o caminho de Deus. As palavras do mordomo, no versículo 23, não devem ser vistas como não sendo verdadeiras, antes como uma declaração de que tudo tinha ocorrido segundo a providência de Deus.
O Jantar com José (Gn 43.26-31): Nesta cena vemos que o amor de José por sua família não havia esfriado. Ele perguntou a respeito do seu pai e, ao ver o seu irmão mais novo, Benjamim, se retirou para chorar. Como já pudemos notar, José não estava brincando de alguma maneira com os seus irmãos, e nem mesmo queria desnecessariamente impor medo neles. O seu amor era mesclado com sabedoria. Abraçar seus irmãos sem ter conhecimento do caráter deles seria um convite a futuros problemas.
O Teste (Gn 43.32-34): Os irmãos de José se sentaram a mesa dispostos segundo as suas idades. Eles ficaram maravilhados, não sabendo como essa informação foi passada. O propósito de José, sem dúvida, era fazer mais mistério. Eles parecem ter percebido que Deus estava trabalhando naquela situação.
Naquelas culturas era comum para o anfitrião dar certas porções especiais de comida a alguns de seus hóspedes. Isto era feito para demonstrar honra. Quanto mais comida fosse oferecida ao hóspede, mais honra lhe estava sendo demonstrada. Quando grandes porções eram oferecidas o hóspede não era obrigado a consumir tudo.
Neste jantar, foi servido a Benjamim, o mais novo, cinco vezes a mais a quantidade oferecida aos seus irmãos mais velhos. José estava testando seus irmãos para ver se eles ainda tinham as mesmas atitudes de ciúme e inveja. Eles ficariam ressentidos com Benjamim como ficaram com José por causa da túnica de várias cores? José deve ter vigiado e prestado atenção para cada uma de suas atitudes. Que teste perspicaz foi este da parte de José.
Conclusão: Os filhos mais velhos de Jacó passaram no teste. José deve ter se alegrado muito com as mudanças espirituais que viu neles. Eles tinham sido limpos do mal da inveja. Entretanto, era necessário mais um teste. Eles permaneceriam ao lado de Benjamim durante uma provação? Eles se preocupariam mais com ele e com os sentimentos do pai do que com o bem estar próprio? É o que veremos no próximo capítulo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - LIII

OS IRMÃOS DE JOSÉ VÃO AO EGITO (Gn 42)

Em Números 32:23, nos é dito "...e sabei que o vosso pecado vos há de achar". Os irmãos de José vieram a provar esta verdade neste capítulo que passamos a considerar. Graciosamente, Deus estava trabalhando para trazê-los ao arrependimento ao invés do julgamento. Ele estava purificando e unificando Israel antes de torná-la uma grande nação.

A Fome em Canaã (Gn 42.1-2): A fome atingiu até mesmo a terra prometida. Canaã é uma figura da vida cristã e não do céu. O povo de Deus nunca deveria se surpreender com as adversidades desta vida (At 14.22). Assim como Deus tratou com os problemas da família de Jacó, podemos nos alegrar por Ele ter sempre um gracioso propósito para a vida dos salvos.

Pelas palavras de Jacó no versículo 1, podemos imaginar que talvez a idéia de ir ao Egito tenha perturbado seus filhos. A memória de José perturbou suas consciências e os acovardou. Que terrível companheira é uma consciência culpada. Ela pode ser despertada muitos anos após o crime ser cometido. Assim como Paulo, que nós nos esforcemos para viver em paz com os nossos corações (At 24.16).

Entrando no Egito (Gn 42.3-6): Alguns têm imaginado o que um homem tão importante como José estaria fazendo no lugar onde os grãos eram vendidos. Poucos detalhes nos são fornecidos a respeito disso. É bem provável e plenamente possível, que ele tenha montado seu escritório num armazém próximo a estrada que conduzia a Canaã. José deve ter concluído desde o tempo do sonho de Faraó, que um dia os integrantes de sua família viriam comprar grãos. Ele provavelmente deve ter pedido que lhe notificassem quando alguém vindo de Canaã aparecesse. Considerando tudo isso, este encontro não foi uma mera coincidência, como aparenta ter sido.

A Virada da Mesa (Gn 42.7-20): José, bem mais velho e com vestes Egípcias, não foi reconhecido por seus irmãos. Quando ele os viu se inclinando diante dele, veio a sua mente aqueles antigos sonhos (Gn 37.5-11). Ao invés de abraçá-los e revelar sua identidade, ele os tratou duramente. Ele os acusou de serem espias enviados para planejar uma invasão. Eles responderam que eram homens honestos e que todos eram filhos de um mesmo homem. Eles estavam tentando convencê-lo desta forma que ninguém enviaria tantos filhos para uma missão perigosa de espionagem. José, no entanto, continuou a mostrar-se desconfiado e não convencido, enviando-os assim para a prisão por três dias. Depois disso, Simeão continuou preso, e o restante foi solto com a condição de trazerem Benjamim como prova da inocência deles.

Por que razão José foi aparentemente tão cruel com seus irmãos? Será que ele estava querendo se vingar? Podemos ver dois motivos para este tipo de comportamento: 1- José queria saber um pouco mais a respeito do caráter do seus irmãos antes de se revelar a eles. Será que eles ainda eram cruéis e sem amor? Será que eles tinham assassinado ou vendido Benjamim, seu irmão legítimo? Estas questões deveriam ser respondidas antes que José pudesse saber como reagiria. 2- As ações de José foram usadas para trazer confissão, arrependimento e remorso. Através de tudo isso, eles puderam ver que Deus estava tratando com eles a respeito daquele pecado antigo de vender José como escravo. Os homens com pecados não confessados no passado, muitas vezes têm suas consciências perturbadas em tempos difíceis. Provavelmente, levado por um impulso profético, José sabia que seria bom para seus irmãos sofrerem um pouco com as chicotadas da convicção.

A Convicção do Pecado (Gn 42.21-24): José ainda não havia sido reconhecido pelos seus irmãos quando ouviu e entendeu a confissão da culpa e a tristeza deles. E como isto deve ter alegrado José. Suas lágrimas transbordavam de um coração cheio de compaixão e não de vingança (Rm 12.19). Ele era verdadeiramente um homem espiritual. Ao lado do seu espírito de perdão, José também possuía uma força de caráter. Ao invés de parar e abraçar seus irmãos, ele continuou a executar seus planos. Ele sabia que o senso de culpa deles deveria ser aprofundado, e o verdadeiro arrependimento produzido (2Co 7.10). A tristeza deles era um bom sinal. Mas será que seus corações tinham realmente mudados? José queria conhecê-los melhor antes de se revelar a eles.

O Dinheiro Devolvido (Gn 42.25-28): Por que José devolveu o dinheiro deles? Será que ele pensou que eles precisariam de dinheiro em virtude da fome que assolava a terra? É mais provável que ele queria aprofundar o interesse e preocupação deles. Note no versículo 28, que este fato os leva a sentir que Deus estava trabalhando em suas vidas. Mais uma vez o arrependimento é o tema deste capítulo.

De Volta à Canaã (Gn 42.29-36): Ao retornarem para casa eles contam para o pai tudo o que aconteceu. Ao verem que todo o dinheiro havia sido devolvido, eles ficaram muito temerosos. Tudo o que ocorreu, em conexão com viagem deles para o Egito, parecia despertar suas consciências de que Deus os estava julgando pelos pecados passados. Que possamos tirar lições deste evento. Nós nunca podemos cometer um pecado e achar que não vamos encará-lo novamente. Se não houver arrependimento pelo pecado, somente podemos aguardar a culpa e o julgamento.

Jacó ficou muito chocado com tudo o que havia ocorrido. Note suas palavras no versículo 36. Ele suspeitava que seus filhos estavam de alguma forma envolvidos com a suposta morte de José? No versículo 36, ele também se queixa por estes eventos estarem ocorrendo contra ele. Como ele estava errado (Rm 8.28 e 31).

Desespero (42.37-39): O que podemos dizer da proposta de Rúben? Quem desejaria ver seu neto ser morto? Rúben era o primogênito, mas dá a aparência de ser um homem fraco de caráter e de pouca sabedoria. Contudo Jacó não cede em deixar Benjamim partir com os outros para o Egito.

terça-feira, 14 de julho de 2009

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - LII

JOSÉ INTERPRETA O SONHO DE FARAÓ E SE TORNA GOVERNADOR DO EGITO (Gn 41)



A vida de José pode ser dividida em três etapas. Ele cresceu e foi criado na segurança do lar dos seus pais. Sendo vendido como escravo, passou muitos anos de sua vida como prisioneiro ou em regime de escravidão. Aqui podemos vê-lo sendo exaltado.

O Sonho do Faraó (Gn 41.1-8): Em um recente documentário da T.V, a respeito do antigo Egito, a importância dos sonhos naquela cultura foram muito enfatizados. Alguns dos seus livros mais importantes são voltados para este tema. Grandes templos foram dedicados para este aspecto da vida. Líderes religiosos e homens sábios gastaram suas vidas interpretando sonhos. Talvez isto explique porque Deus escolheu este meio para falar com o Faraó. Enquanto dormia, o Faraó teve um sonho bizarro e perturbador. Sete vacas gordas e formosas subiam do rio Nilo para se alimentarem. E após elas subiram sete vacas magras e feias que as devoraram. Entretanto, era chocante notar que elas não engordaram nenhum pouco. Os sonhos se repetiram novamente, só que em vez de vacas, agora eram espigas.
Deus fez com que o Faraó ficasse impressionado com a seriedade destes sonhos. Nosso Senhor não tem dificuldades para pegar a atenção do homem. Um dos homens mais poderosos da terra estava tremendo de preocupação. Como temos notado em nossos estudos, "Deus governa mesmo entre os grandes poderosos da terra" (Pv 21.1). Nenhum dos mágicos ou dos homens sábios do Faraó puderam interpretar o sonho. Era necessário que eles falhassem para provar ao Faraó que Deus estava verdadeiramente com José. Quando a nossa ajuda terrena falha, nós estamos prontos para dar crédito a Deus. Se José tivesse sido chamado primeiro, é provável que os outros iriam dizer que poderiam dar a mesma interpretação.

O Copeiro Lembra de José (Gn 41.9-13): Este acontecimento ilustra muito bem Romanos 8.28. Se o copeiro tivesse se lembrado de José da primeira vez, os planos de Deus teriam sido frustrados. Não há dúvidas de que José tenha ficado triste e amargurado por ter sido esquecido por dois anos. Após este fato, ele deve ter se alegrado muito pela sabedoria de Deus. Vamos aprender a confiar em Deus em toda e qualquer situação (1Ts 5.18).

Humildade (Gn 41.14-16): Somente as aflições podem nos preparar para o serviço de Deus. No tempo determinado por Deus, após anos de escravidão, José é colocado diante do Faraó. Ele é um crente maduro, estando acima da bajulação ou do engano de confiar em si próprio. Ele dá todo o crédito e glória a Deus. Humildade e confiança no poder de Deus é uma marca que distingui Seus servos.

A Interpretação dos Sonhos (Gn 41.17-32): José explicou que ambos os sonhos tinham a mesma interpretação. Deus estava mostrando á Faraó o que Ele estava prestes a fazer. As sete vacas gordas e as sete espigas boas representavam sete anos de fartura. As sete vacas magras e as sete espigas miúdas representam sete anos de fome. Note como todos são vistos saindo do rio Nilo. O Egito visto de cima parece um vasto deserto atravessado por uma faixa verde. Sua agricultura não dependia das chuvas, mas do transbordamento anual do Nilo, que regava e enriquecia plenamente as campinas ao redor dele. Houve ocasiões em que o Nilo não transbordou o suficiente. Isto ocorreu devido a falta de chuvas rio acima ou pela mudança temporária no canal do Nilo Branco, que alimentava o Nilo. Em outras ocasiões, o Nilo transbordou tanto, que quando as águas baixaram a estação de plantio estava perdida. Qualquer uma destas situações poderia provocar a fome. Em anos bons, o Nilo podia produzir uma safra abundante, mas em anos maus, nem uma espiga sequer. Sete anos sem nada, ou sete anos de inundação, seriam um desastre. Notemos duas verdades contidas aqui: 1- A verdadeira profecia vem somente de Deus (Is 41.21-23). 2- Deus controla as economias das nações. 3- Deus controla as nações deste mundo para o bem dos Seus eleitos.

O Conselho de José para o Faraó (Gn 41.33-36): José, movido pela vontade de Deus, dá conselhos ao Faraó. Sem dúvida nenhuma o Faraó percebeu que José não falou com orgulho, mas através da sabedoria divina. Muitos são tentados a pensar que o plano de José era cruel para com o povo do Egito. Vamos lembrar algumas coisas: 1- José recebeu este plano por intermédio da iluminação profética vinda de Deus, salvando o Egito e Canaã da fome. 2- Nós pagamos muito mais do que vinte por cento de impostos ao governo. 3- Se o governo tivesse distribuído os grãos durante os anos de fome, certamente haveria muito desperdício. Esmolas raramente são uma boa idéia. Em razão do povo não ter aumento em anos de fome, a venda de grãos servia para sustento do governo.

José é Exaltado (Gn 41.37-44): Esta é uma das mais extraordinárias mudanças vista na história. José em um dia é visto como um desconhecido prisioneiro estrangeiro, e no outro, como o segundo no comando de uma das maiores nações da terra.
Faraó entendeu que Deus havia colocado José naquela posição. Os estudantes da Bíblia têm visto aqui uma figura da exaltação de Cristo como Salvador do mundo. Como José governou para que Israel pudesse ser salvo, assim Cristo foi exaltado a fim de que o pão da vida pudesse ser dado (Ef 1.15-23, At 2.33). Na vida de ambos o sofrimento antecedeu a glória. Somente através do sofrimento é que eles foram colocados em uma posição de abençoar a outros (2Co 8.9).

Um Novo Nome (Gn 41.45-49): Muitos crêem que o novo nome de José significava "Salvador do Mundo". Podemos ver como isto era apropriado, pois ele foi o homem que salvou o mundo civilizado de morrer de fome. Quanto mais e melhor este título pertence ao Salvador (Ap 5.9). Na tentativa de fazer José ser mais aceito pela nação, Faraó lhe deu a filha de um dos sacerdotes do alto escalão como esposa. Nós apenas podemos supor que José a levou ao conhecimento e adoração do Deus verdadeiro. Os nomes dos seus filhos parecem indicar isto, pois ambos tinham o nome de Deus. Nos vers 46-49 vemos José colocando em pratica o que Deus colocou em seu coração.

Um Testemunho Para Deus (Gn 41.50-52): Deus abençoou José com dois filhos. Ambos receberam nomes que testificavam da fidelidade dele para com Deus. José era um homem consagrado que viu a mão de Deus em todas as áreas de sua vida. Note que estes dois jovens foram mais tarde “adotados” por Jacó e se tornaram pais de duas tribos de Israel.


A Fome (Gn 41.53-57): Aqui a segunda parte dos sonhos proféticos é cumprida. Somente por causa do conhecimento de José, é que o Egito e os países vizinhos foram salvos. Esta fome foi a maneira pela qual Deus fez Israel e os outros descerem ao Egito. Deus, ao preservar Israel, fez com que os outros fossem alimentados também. Como os caminhos de Deus são estranhos aos nossos olhos. A presença neste mundo do povo eleito de Deus, traz muitos benefícios (Mt 5.13).