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sábado, 26 de junho de 2010

CONFISSÃO DE PECADO


Confissão de Pecado
Um Sermão com Sete Textos





por
Charles Haddon Spurgeon


Meu sermão esta manhã terá sete textos e minha pregação será centrada em apenas duas palavras de cada um, porque os sete textos são todos semelhantes e ocorrem em sete porções diferentes da santa Palavra de Deus. Porém, eu usarei o contexto de todos eles para exemplificar casos diferentes; e peço a vocês que trouxeram suas Bíblias que os acompanhem a medida que forem mencionados.
O tema desta manhã será - CONFISSÃO DE PECADO. Nós sabemos que isto é absolutamente necessário à salvação. A menos que haja uma verdadeira e sincera confissão de nossos pecados a Deus, não temos nenhuma promessa que nós acharemos clemência no sangue do Redentor. "Todo aquele que confessar seus pecados e os abandonar achará misericórdia" . Mas não há nenhuma promessa na Bíblia para o homem que não confessar seus pecados .
Há muitos que fazem uma confissão, e uma confissão diante de Deus, e não recebem nenhuma bênção, porque a confissão deles não tem certas marcas que são requeridas por Deus, que provariam sua genuinidade e sinceridade e que demonstrariam terem sido fruto do trabalho do Espírito Santo.
Meu texto esta manhã consiste em duas palavras: "eu pequei". E você verá como estas palavras, nos lábios de homens diferentes, indicam sentimentos muito diferentes. Enquanto uma pessoa diz "eu pequei" e recebe perdão, outro diz o mesmo, porém segue seu caminho para se enegrecer com pecados piores que antes e mergulha em profundezas maiores de pecado do que antes ele tinha experimentado.



O Pecador Endurecido.
Faraó: "eu pequei". Êxodo 9:27.

O primeiro caso que eu apresentarei a vocês é o do PECADOR ENDURECIDO que, quando experimenta terror, diz "eu pequei". E você achará o texto no livro de Êxodo 9:27 - "Então Faraó mandou chamar Moisés e Arão, e disse-lhes: Esta vez pequei; o Senhor é justo, mas eu e o meu povo somos a ímpios". Mas porque esta confissão nos lábios deste altivo tirano? Ele não se humilhava perante Jeová. Então porque aquele orgulhoso se curvou? Você julgará o valor da sua confissão quando você ouvir as circunstâncias debaixo das quais foi feita: "E Moisés estendeu a sua vara para o céu, e o Senhor enviou trovões e saraiva, e fogo desceu à terra; e o Senhor fez chover saraiva sobre a terra do Egito. Havia, pois, saraiva misturada com fogo, saraiva tão grave qual nunca houvera em toda a terra do Egito, desde que veio a ser uma nação". Agora, diz Faraó, enquanto o trovão estava rolando no céu, enquanto o fogo então incendiava o solo e enquanto o granizo descia em grande quantidade, ele diz, "eu pequei". Ele é somente um exemplo de multidões da mesma categoria. Quantos rebeldes endurecidos a bordo de navios, quando as madeiras estão deformadas e rangendo, quando o mastro está quebrado e o navio está vagando ao sabor do vento forte, quando as ondas famintas estão abrindo suas bocas para tragar o navio tão rapidamente como aqueles que entram na cova, quantos marinheiros cujos corações se encontram endurecidos pelo pecado, curvam seus joelhos com lágrimas nos olhos, e clamam "eu pequei!". Mas que proveito e que valor tem a confissão deles? O arrependimento que nasceu na tempestade morreu na calmaria; aquele arrependimento criado entre trovões e raios, cessou tão logo tudo foi silenciado e o marinheiro que era piedoso quando a bordo do navio, se tornou um dos piores e mais abomináveis entre os marinheiros quando colocou seu pé em terra firme.
Também, com que freqüência nós vemos isto em uma tempestade com abundância de raios e trovões? Muitos homem empalidecem quando ouvem o trovão ressoando; as lágrimas enchem seus olhos, e eles clamam "Ó Deus, eu pequei!"; enquanto as vigas da sua casa são balançadas e o solo embaixo deles oscila diante da voz de Deus em Sua majestade. Mas ai de tal arrependimento! Quando o sol novamente brilha e as negras nuvens passam, o pecado vem novamente sobre o homem e ele se torna pior que antes. Quantas confissões do mesmo tipo, nós também vemos em tempos de epidemias fatais! Então nossas igrejas ficam cheias de ouvintes que, por verem tantos enterros passarem por suas portas, ou porque tantos morreram na sua rua, não podem se abster de ir à casa de Deus para confessar seus pecados. E debaixo daquela visitação, quando um, dois e três caem mortos em sua casa, ou na porta ao lado, quantos pensaram que realmente volveriam-se a Deus! Mas, ai! quando a pestilência acaba seu trabalho, a convicção cessa; e quando o sino toca pela última vez por uma morte causada por uma epidemia, então seus corações deixam de bater em penitência e suas lágrimas deixam de fluir.
Tenho alguém aqui assim nesta manhã? Se há tais pessoas aqui esta manhã, me deixe solenemente dizer-lhes: "Senhores, vocês esqueceram os sentimentos que tiveram nas suas horas de angústia; mas, se lembrem, Deus não esqueceu dos votos que vocês fizeram". Marinheiro, você disse se Deus o poupasse para ver a terra novamente, você seria Seu servo; mas você não é; você mentiu a Deus, você Lhe fez uma falsa promessa, porque você nunca manteve o voto que seus lábios fizeram. Você disse, em um leito de doença, que se ele poupasse sua vida você nunca pecaria novamente como antes; mas aqui está você e seus pecados desta semana falarão por mim. Você não é melhor do que você era antes da sua doença. Você poderia mentir para Deus e não ser reprovado? E você pode pensar em mentir para Deus e não ser punido? Não! o voto, por mais precipitadamente que tenha sido feito, é registrado no céu; e apesar de ser um voto que o homem não pode cumprir, contudo, como é um voto que ele próprio fez, e o fez voluntariamente também, ele será castigado pelo não cumprimento dele; e Deus executará vingança afinal, porque ele disse que abandonaria seus caminhos de pecado, porém, quando o infortúnio é removido ele não faz isto. O anjo vingador poderá dizer: "Ó Deus, estes homens disseram que se eles fossem poupados seriam melhores; porém são piores. Como eles violaram suas promessas, e como eles atraíram a ira divina sobre si mesmos!". Este é o primeiro estilo de arrependimento; e é um estilo que eu espero que nenhum de vocês imitem, porque é totalmente sem valor. É inútil você dizer "eu pequei" somente debaixo da influência do terror, e então esquecer disto depois.


O Homem Dúbio
BALAÃO: "eu pequei". Nm. 22:34.

Agora vamos ao segundo texto. Apresentarei a vocês um outro caráter - O HOMEM DÚBIO, que diz "eu pequei" e sente que ele realmente o fez, e sente de maneira profunda, mas é tão mundano que ele "ama a injustiça". O caráter que eu escolhi para ilustrar isto, foi o de Balaão. Abra o livro de Números 22:34: "Respondeu Balaão ao anjo do Senhor: eu pequei".
"Eu pequei", disse Balaão; mas, apesar disto, ele se foi com seu pecado. Um dos caracteres mais estranhos do mundo inteiro é o de Balaão. Eu freqüentemente tenho me surpreendido com aquele homem; ele realmente parece, em outro sentido, ter surgido das linhas de Ralph Erskine:
"Para o bem e para o mal igualmente se curva,
E para ambos: o diabo e O Santo ".
Porque ele parecia ser assim. Algumas vezes falava com tamanha eloquência e triunfo, que não poderia se igualar a nenhum outro homem; e outras vezes ele exibia a pior e mais sórdida cobiça que pode desgraçar a natureza humana. Pense. Você vê Balaão; ele está no cume da colina, e lá embaixo está o povo de Israel; ele é ordenado a os amaldiçoar, e ele diz: "Como amaldiçoarei a quem Deus não amaldiçoou? e como denunciarei a quem o Senhor não denunciou?" E Deus abre seus olhos, e ele começa a falar até mesmo sobre a vinda de Cristo, e ele diz: "Eu o vejo, mas não no presente; eu o contemplo, mas não de perto". E então ele apresenta sua oração dizendo: "Que eu morra a morte dos justos, e seja o meu fim como o deles!". E vocês acharão que aquele homem tem esperança. Espere até que ele desça da colina, e vocês lhe ouvirão dar o mais diabólico conselho ao rei de Moabe, tão diabólico que era até mesmo possível ser sugerido pelo próprio Satanás. Disse ele ao rei: "Você não pode vencer este povo na batalha, porque Deus está com eles; tente instigá-los contra Deus". E vocês sabem como, com luxúrias temerárias, os Moabitas tentaram seduzir os filhos de Israel a serem infiéis a Jeová; de forma que este homem parecia ter a voz de um anjo, às vezes, mas também a alma de um diabo no seu íntimo.
Ele era um caráter terrível; era um homem de duas mentes, um homem que foi por todo o caminho com duas disposições. Eu sei que a Escritura diz "Ninguém pode servir a dois senhores". Hoje em dia isto é freqüentemente mal entendido. Alguns lêem assim "Ninguém pode servir a dois senhores". Sim ele pode; ele pode servir três ou quatro. O jeito de ler esta passagem é "Ninguém pode servir a dois senhores". Ambos não podem ser senhores. Ele pode servir dois, mas os dois não podem ser seus senhores. Um homem pode servir a dois que não são seus mestres, ou mesmo vinte; ele pode viver por vinte propósitos diferentes, mas ele não pode viver para mais de um propósito principal; somente pode haver um propósito principal em sua alma. Mas Balaão laborou em servir a dois; era igual as pessoas de quem foi dito "Eles temeram o Senhor, e serviram outros deuses". Ou como Rufus que era parecido com Balaão; porque você tem conhecimento que nosso velho rei Rufus pintou Deus em um lado do seu escudo e o diabo no outro, e abaixo, o lema: "Pronto para ambos; pegue quem puder". Há muitos, que de igual modo, estão prontos para ambos. Eles encontram o pastor, e quão piedosos e santos eles são; no dia do Senhor eles são as pessoas mais respeitáveis e justas do mundo; eles falam pausadamente por pensarem ser isto algo eminentemente religioso. Mas em um dia de semana, se você quer encontrar os maiores desonestos e fraudadores, eles são alguns destes homens que são tão hipócritas na sua devoção.
Meus ouvintes, nenhuma confissão de pecado pode ser genuína, a menos que seja feita de todo o coração. É inútil você dizer: "eu pequei" e então continuar pecando.
Alguns homens parecem nascer com dois caracteres. Eu observei na livraria da Trinity College, Cambridge, uma bonita estátua do Lord Byron. O bibliotecário me disse, "Olhe daqui, senhor". eu olhei, e disse: "que semblante intelectual!". "Que gênio ele era!". Então ele disse: "Venha para o outro lado!". "Ah! que demônio! Aqui está um homem que poderia desafiar Deus". Ele tinha um desagrado e um semblante terrível em sua face; tal como Milton poderia ter pintado a Satanás quando ele disse: "Melhor reinar no inferno do que servir no céu!". Eu me virei e disse ao bibliotecário: "você pensa que o artista planejou isto?". "Sim!" ele disse: "ele desejou retratar os dois caracteres: o grande, o esplêndido e o gênio quase super-humano que ele possuia, e também a enorme massa de pecado que existia em sua alma".
Existem alguns homens aqui do mesmo tipo. Eu ouso dizer que, como Balaão, eles poderiam operar milagres; e ao mesmo tempo há algo neles que revela um caráter repugnante de pecado, tão grande quanto pareceria ser o caráter deles para a retidão. Balaão, você sabe, ofereceu sacrifícios a Deus no altar de Baal; isso era típico do seu caráter. E assim muitos fazem; eles oferecem sacrifícios a Deus no santuário de Mamon; e enquanto eles ofertam a uma igreja e distribuem ao pobre, eles na outra porta do seu escritório contábil, oprimem o pobre e espremem até a última gota de sangue da viúva, para ficarem ricos. Ah! é infrutífero e inútil para você dizer "eu pequei", a menos que você o diga de todo seu coração. A confissão daquele homem dúbio não tem nenhum proveito.



O Homem Insincero.
SAUL : "eu pequei". 1 Samuel 15:24.


E agora um terceiro caráter, e um terceiro texto. No primeiro livro de Samuel 15:24, lemos: "Então disse Saul a Samuel: "eu pequei".
Aqui está o HOMEM INSINCERO - o homem que não é como Balaão, até certo ponto sincero sobre duas coisas; mas um homem que é justamente o oposto - que não tem nenhum ponto proeminente em seu caráter, mas que é sempre modelado pelas circunstâncias que passam pela sua cabeça. Saul era assim. Samuel o reprovou e ele disse: "eu pequei". Mas ele não queria realmente dizer aquilo, porque se você ler o verso inteiro, vai vê-lo dizendo: "porque eu temi o povo" , o que era uma desculpa mentirosa. Saul nunca temeu ninguém; ele sempre estava bastante pronto para fazer sua própria vontade; ele era um déspota.
Um pouco depois, ele sustentou outra desculpa, ao afirmar que havia trazido bois e cordeiros para oferecer a Jeová, portanto, ambas desculpas não podiam ser verdadeiras. A característica mais proeminente no caráter de Saul era sua insinceridade. Um dia ele manda buscar a Davi da cama dele, para o matar. Outra vez ele declara "tão certo como vive o Senhor, ele (Davi) não morrerá". Um outro dia, porque Davi salvou sua vida, ele disse "Mais justo és do que eu; não tornarei a fazer-te mal". Isso ele disse após o perseguir, com o objetivo de matá-lo.
Às vezes Saul se encontrava entre os profetas e profetizava; logo depois entre as bruxas; às vezes em um lugar, outras em outro, e insincero em tudo. Quantas pessoas como ele encontramos em toda assembléia cristã; homens que são muito facilmente modelados! Diga o que quiser a eles, e eles sempre concordarão com você. Eles têm disposições afetuosas, e uma consciência sensível; tão sensível que parece ceder quando impressionada, mas tememos sondá-la mais profundamente; ela se cura tão rapidamente quanto se machuca. Já usei uma comparação muito singular antes, a qual tenho que usar novamente: alguns homens parecem ter corações de borracha. Se você apenas os tocar, é feita uma impressão imediatamente; entretanto é inútil, pois logo retorna ao seu estado original. Você pode os apertar de qualquer modo que desejar, eles são tão elásticos que você sempre alcançará seu propósito; entretanto eles não tem firmeza de caráter e logo voltam a ser o que eram antes.
Ó senhores, muitos de vocês fazem o mesmo; curvam suas cabeças na Igreja e dizem: "Temos errado e nos desviado do caminho" mas você não pretendia, verdadeiramente, dizer isto. Você veio ao seu pastor e disse "eu me arrependo dos meus pecados", mas você não se sentia um pecador; você só disse aquilo para agradá-lo. E agora você freqüenta a casa de Deus; ninguém mais impressionado que você; lágrimas correrão facilmente da sua face; mas, apesar disto, a lágrima se secará tão depressa quanto foi produzida, e você permanece, em todos seus intentos e propósitos, igual ao que era antes. Dizer "eu pequei" de uma maneira sem significado ou sentido, é pior do que desprezível, porque é um escárnio a Deus confessar com insinceridade de coração. 
Eu fui breve neste caráter; porque parece se relaciona com o de Balaão; entretanto, podemos ver claramente que há um real contraste entre Saul e Balaão, embora haja uma afinidade entre os dois. Balaão era um grande homem mau, grande em tudo que fez; Saul era pequeno em tudo, exceto em estatura, pequeno em bondade e pequeno em maldade; enquanto Balaão era grande em ambos: o homem que às vezes poderia desafiar Jeová, e em outro momento dizia "se Balaque me desse sua casa cheia de prata e ouro, eu não poderia ir além da palavra do Senhor meu Deus, para fazer mais ou menos".



O Penitente Duvidoso.
ACÃ: "eu pequei". - Josué 7:20.

Agora quero apresentar a você um caso muito interessante; é o caso do PENITENTE DUVIDOSO, o caso de Acã, no livro de Josué 7:20 "Respondeu Acã a Josué: Verdadeiramente pequei contra o Senhor Deus de Israel".
Você sabe que Acã roubou despojos da cidade de Jericó - que ele foi descoberto através de sorte, e levado a morte. Cito este caso como o representante daqueles cujo caráter é questionável em seu leito de morte; aqueles que se arrependem aparentemente, mas de quem a maioria de nós só pode dizer que nós esperamos que suas almas estejam salvas afinal, mas verdadeiramente nós não podemos assegurar. Acã, você está lembrado, foi apedrejado, por desonrar Israel. Mas eu achei no Mishna, uma antiga exposição judia da Bíblia, estas palavras, "Josué disse a Acã , hoje o Senhor te perturbará a ti". E uma nota sobre este texto que diz: "Ele disse este dia, o que implica que ele só seria perturbado nesta vida, sendo apedrejado até a morte, mas que Deus teria misericórdia da sua alma por ter ele feito uma confissão completa do seu pecado". E eu, também, sou propenso, ao ler o capítulo, a concordar com a idéia de meu venerável e agora glorificado predecessor, Dr. Gill, que acreditava que Acã realmente foi salvo, embora tenha sido condenado à morte pelo seu crime, como um exemplo.
Observe como Josué falou de forma compassiva com ele. Ele disse: "Filho meu, dá, peço-te, glória ao Senhor Deus de Israel, e faze confissão perante ele. Declara-me agora o que fizeste; não mo ocultes". E você encontra Acã fazendo uma confissão completa. Ele diz: "Verdadeiramente pequei contra o Senhor Deus de Israel, e eis o que fiz: quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de prata, e uma cunha de ouro do peso de cinqüenta siclos, cobicei-os e tomei-os; eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata debaixo da capa". Esta confissão parece ser tão satisfatória que se me fosse permitido julgar, eu diria: "espero encontrar Acã o pecador, diante do trono de Deus". Mas Matthew Henry não tem a mesma opinião; e muitos outros expositores consideram que assim como seu corpo foi destruído, assim também foi sua alma. Por este motivo, eu selecionei o caso dele como sendo o de um arrependimento duvidoso.
Ah! queridos amigos, já me encontrei muitas vezes em leitos de morte e pude ver muitos com arrependimentos como este. Eu vi um homem, reduzido a um esqueleto, sustentado por travesseiros em sua cama; e ele disse, quando lhe falei sobre o julgamento vindouro: "Senhor, eu sinto que fui culpado, mas Cristo é bom; eu confio nEle". E eu disse pra mim mesmo: "eu acredito que a alma deste homem está salva". Mas fui embora com a reflexão melancólica de que não tive nenhuma prova disto, além das suas próprias palavras; porque preciso de prova através de atos e da vida posterior ao arrependimento, para sustentar uma convicção firme da salvação de um homem.
Você conhece aquela história de um médico que manteve um registro de mil pessoas que uma vez pensaram que estavam morrendo, e de quem ele pensou que eram penitentes; ele escreveu seus nomes em um livro, como aqueles que, se tivessem morrido, iriam para o céu; eles não morreram, eles viveram; e ele diz que entre estas mil pessoas, nem mesmo três mudaram verdadeiramente seu modo de vida, pois voltaram novamente aos seus pecados e continuaram como antes. Ah! queridos amigos, eu espero que nenhum de vocês tenha um arrependimento de leito de morte, como este; eu espero que seu pastor ou seus pais não tenham que estar ao seu lado da cama, dizendo consigo mesmo: "Pobre companheiro, espero que ele seja salvo". Mas ai! arrependimentos de leito de morte são coisas tão frágeis, cujos fundamentos de esperança são tão triviais e tão pobres, que eu tenho medo, depois de tudo, que esta alma possa estar perdida". Ó! morrer com toda segurança; ó! morrer com uma entrada abundante, deixando um testemunho que nós partimos desta vida em paz! Este é um modo muito mais feliz de morrer do que de uma maneira duvidosa, cambaleando entre dois mundos, e nem nós, nem nossos amigos sabendo para qual dos dois mundos estamos indo. Que Deus possa nos conceder a graça de dar evidências, nas nossas vidas, da verdadeira conversão, que nosso caso possa não ser duvidoso!



O Arrependimento de Desespero.
JUDAS: "eu pequei". Mateus 27:4.

Não o deterei por mais tempo, mas tenho de lhe mostrar outro caso; o pior de todos. É o ARREPENDIMENTO DE DESESPERO. Examine Mt. 27:4. Lá você tem um caso terrível do arrependimento de desespero. Você reconhecerá o personagem no momento que eu ler o verso: "E Judas disse, eu pequei". Sim, Judas o traidor; aquele que traiu seu Mestre, quando viu que seu Mestre foi condenado, "devolveu, compungido, as trinta moedas de prata aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente ... E tendo ele atirado para dentro do santuário as moedas de prata, retirou-se, e foi enforcar-se". Aqui está o pior tipo de arrependimento de todos; de fato, não sei se é justo chamar isto de arrependimento; isto deve ser chamado remorso de consciência. Mas Judas confessou seu pecado, e então saiu e enforcou-se. Ó! aquela horrível, aquela terrível, aquela horrorosa confissão de desespero. Você nunca viu isto? Se você nunca viu, então agradeça a Deus pelo fato de que você nunca foi chamado para presenciar tal visão. Eu vi isto uma vez em minha vida, e peço a Deus que nunca veja de novo - o arrependimento do homem que vê a morte face a face e que diz, "eu pequei ". Você lhe fala que Cristo morreu pelos pecadores; e ele responde, "não há nenhuma esperança para mim; Eu blasfemei contra Deus na Sua face; eu O desafiei; meu dia de graça eu sei que é passado; minha consciência está cauterizada com ferro quente; eu estou morrendo, e eu sei que estou perdido!" Ó! meus ouvintes, alguns de vocês tem tal arrependimento? Se você tem, será um sinal futuro para todas as pessoas que pecam; se você tem tal arrependimento, servirá como advertência a gerações futuras.
Na vida de Benjamim Keach - e ele também foi um de meus predecessores - eu encontrei o caso de um homem que tinha sido crente professo, mas tinha se apartado da confissão, e tinha cometido pecados terríveis. Quando ele estava para morrer, Keach, com muitos outros amigos, foi vê-lo, mas eles nunca podiam ficar com ele mais do que cinco minutos por visita, porque ele dizia: "Vão embora; é inútil sua visita para mim; eu pequei à parte do Espírito Santo; Eu sou igual a Esaú; eu vendi meu direito de nascimento, e apesar de buscá-lo diligentemente com lágrimas, eu nunca o acharei novamente". E então ele repetia palavras terríveis, como estas: "minha boca está cheia de pedrinhas, e eu bebo absinto dia e noite. Não me fale, não me fale de Cristo! Eu sei que Ele é o Salvador, mas eu O odeio e Ele me odeia. Eu sei que tenho que morrer; eu sei que tenho que perecer!". E então seguiam-se gritos dolorosos, e ruídos horrorosos, que ninguém poderia agüentar. Eles voltaram novamente nos seus momentos de calma, mas só o agitavam mais uma vez, e lhe faziam chorar de desespero: "eu estou perdido! Eu estou perdido! É inútil me falarem qualquer coisa sobre isto!". Ah! Pode haver um homem aqui que pode ter uma morte como esta; deixe-me adverti-lo, antes disto; e Deus, Espírito Santo, possa permitir que este homem possa se voltar para Deus, e fazer uma verdadeira penitência, e então ele não precisará mais ter nenhum medo; porque ele, que teve seus pecados lavados no sangue do Salvador, não precisará ter nenhum remorso por seus pecados, porque foram perdoados pelo Redentor.



O Arrependimento do Santo.
Jó: " eu pequei ". - Jó 7:20

E agora eu entro na luz do dia. Eu o tenho levado por confissões tristes e escuras; eu não o deterei por mais tempo lá, mas o trarei para as duas boas confissões que lerei para você. A primeira é a de Jó 7:20 - "Eu pequei; que te farei, ó Preservador dos homens?" Este é O ARREPENDIMENTO DO SANTO. Jó era um santo, mas ele pecou. Este é o arrependimento de um homem que já é filho de Deus, um arrependimento aceitável diante de Deus. Mas como eu pretendo enfatizar isto à noite, eu deixarei este caso por agora, por medo de cansar vocês. Davi era um espécime deste tipo de arrependimento, e seria proveitoso se estudassem cuidadosamente seus salmos de contrição; a linguagem que utiliza é sempre cheia de pranto de humilhação e arrependimento sincero.



A Confissão Abençoada
O PRÓDIGO: "eu pequei". Lc. 15:18.

Agora tratarei do último exemplo; é o caso do pródigo. Em Lc. 15:18, nós encontramos o pródigo dizendo: "Pai eu pequei". Ó!, aqui está uma CONFISSÃO ABENÇOADA! Aqui está o que prova que um homem tem um caráter regenerado - " Pai, eu pequei ". Deixe-me pintar a cena. Lá está o pródigo; ele fugiu de uma boa casa e de um pai amoroso, e gastou todo seu dinheiro com prostitutas, e agora ele não tem mais nada. Ele vai para seus antigos companheiros e lhes pede ajuda. Eles riem dele com desprezo. "Ó", diz ele, " vocês beberam meu vinho muitas vezes; eu sempre paguei para vocês nas nossas festas; vocês não vão me ajudar?" Mas eles dizem: "Vá embora!" e o expulsam dali. Ele procura todos seus amigos com quem tinha se associado, mas nenhum deles lhe dá qualquer coisa. Por fim alguém lhe diz: "Você quer um emprego? então vá e alimente meus porcos". O pobre pródigo, o filho de um rico proprietário de terras, que teve uma grande fortuna, tem que sair para alimentar porcos; e ele era judeu também! O pior emprego (na sua cabeça) para o qual ele podia ser contratado.
Veja-o lá, em trapos sujos, alimentando porcos; e qual era seu salário? Tão pouco que ele "desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada". Veja, lá está ele, no seu lamaçal e imundície equivalentes aos dos seus companheiros de chiqueiro. De repente um pensamento posto lá pelo Espírito Santo, surge em sua mente: "meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados". E ele volta. Ele mendiga por todo seu caminho, de cidade em cidade. Às vezes ele consegue carona em uma carruagem, talvez, mas em outros momentos ele vai na sua marcha resoluta por colinas estéreis e vales desolados, sozinho. E agora afinal ele chega à colina fora da aldeia, e vê a casa do seu pai lá embaixo. Lá está; a velha árvore de álamo em frente dela, e lá estão as pilhas de feno nas quais ele e seu irmão corriam e brincavam; e à vista da sua velha casa todos os sentimentos e lembranças da sua vida vieram a sua mente, e lágrimas correram de seus olhos e ele quase foge novamente. Ele pensa: "será que meu pai morreu? Como tive coragem de magoar tanto minha mãe? E se os dois estiverem vivos, eles nunca me receberão novamente; eles fecharão a porta na minha cara. O que estou fazendo? Eu não posso regressar e tenho medo de ir adiante". E enquanto ele estava decidindo, seu pai estava andando pela varanda superior, olhando para fora, para seu filho; e apesar dele não poder ver seu pai, seu pai podia vê-lo.
Bem, seu pai desce as escadas com toda sua força, corre até ele, e enquanto ele ainda está pensando em fugir, os braços do seu pai estão ao redor do seu pescoço, e ele o beija, como um pai amoroso, e então o filho começa - "Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho" e quando ele ia dizer "trata-me como um dos teus empregados" seu pai pôs a mão na sua boca. "Pare com isso", diz ele; " Eu o perdôo; não diga nada sobre ser um criado. Venha", diz ele, "entre, pobre pródigo. Ó!", diz ele para seus criados, "trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés; trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se". Ó! Que recepção preciosa para o principal dos pecadores! Matthew Henry disse: "seu pai o viu, havia olhos de misericórdia; ele correu para o encontrar, havia pernas de misericórdia; ele pôs seus braços ao redor do seu pescoço, havia braços de misericórdia; ele o beijou, havia beijos de misericórdia; ele lhe disse, havia palavras de misericórdia - tragam a melhor roupa, havia atos de misericórdia, maravilhosa graça - tudo graça. Ó, que Deus gracioso Ele é".
Agora, pródigo, faça o mesmo. Deus pôs isto em seu coração? Há muitos que têm fugido por muito tempo. Deus diz "retorne?" Ó, eu apelo a você que volte, então, pois tão certo quanto sempre, os que retornam Ele os acolherá. Nunca houve um pobre pecador que viesse a Cristo, que Cristo o mandasse embora. Se ele lhe mandasse embora, você seria o primeiro. Ó, se você pudesse ao menos experimentá-lO! "Ah, senhor, eu sou tão sujo, tão corrupto, tão vil ". Bem, você não pode ser mais vil que o pródigo. Venha para a casa do seu Pai, e tão certo quanto Ele é Deus, Ele manterá sua palavra: "o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora".
Ó, se eu pudesse ouvir que alguns foram a Cristo esta manhã...eu bendiria a Deus! Você se lembra daquela manhã em que eu mencionei o caso de um infiel que tinha sido um escarnecedor, mas que, através da leitura de um de meus sermões impressos, foi trazido para a casa de Deus e então para os pés de Deus. Bem, no Natal passado, o mesmo infiel reuniu todos os seus livros, e foi ao mercado em Norwich, e lá fez uma pública retratação de todos os seus erros, e confessou a Cristo, e depois, tomando todos os livros que havia escrito que estavam em sua casa, os queimou à vista do povo. Eu glorifiquei a Deus por esta maravilhosa graça, e orei para que houvessem mais como este infiel, que, apesar de terem nascido pródigo, voltou para sua casa dizendo: "eu pequei".







Fonte: mornegismo

VIVA PARA A ETERNIDADE

terça-feira, 22 de junho de 2010

SOLA SCRIPTURA: A SUFICIÊNCIA DA ESCRITURA

Sola Scriptura: A suficiência da Escritura.



Por
Alessandro Costa Vieira

Dentro da disciplina da teologia sistemática que se ocupa com o estudo da Escritura, bibliologia, existe a reflexão sobre a suficiência da própria. E encontramos muitos textos que enfatizam esta grande realidade. E para tal questão quero fazer menção do texto de 2ª Timóteo 3 e 4 e responder as seguintes perguntas sobre a suficiência da Escritura: suficiente para que?; e, suficiente para quem?
No capítulo 3 de 2ª Timóteo o Apóstolo Paulo começa com a pretensão de demonstrar as características dos tempos e dos homens que viriam. Com relação ao tempo ele diz que “sobrevirão tempos trabalhosos” (2Tm 3.1) e que esses tempos difíceis seriam “porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” (2Tm 3.2-5). E ele continua relatando a ação destes homens que vão enganando aqueles que dão atenção a eles. E depois disso continua com mais características desses homens, dizendo que eles “resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé.” (2Tm 3.8). Antes de seguir com mais características desses homens quero destacar uma, que vamos falar um pouco mais adiante, que é resistem à verdade. Paulo segue dizendo que esses “homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados.” (2Tm 3.13). E no capítulo 4 Paulo continua dizendo que “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” (2Tm 4.3-4). Destaquemos aqui as características desses homens, que viriam e tornariam os tempos difíceis, com relação a verdade de Deus. Eles resistiriam a verdade; não suportarão a sã doutrina; amontoarão doutores que apoie as suas concupiscências, desejos; desviariam os ouvidos da verdade; e se voltariam para às fábulas.
Ao observarmos essas características dos homens maus que tornariam os tempos difíceis chegamos a conclusão que eles já estão presentes em nosso meio, ou que a muito já estão, porém, muito mais agora. Parece que eles tem se multiplicado. Mas vamos responder as nossas questões, primeiro para que a Bíblia é suficiente?
Numa leitura cuidadosa do texto temos a certeza de uma coisa: A Bíblia não é suficiente para as concupiscências carnais. Hoje vemos “homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho...” (1Tm 6.5 – ênfase nossa), pessoas que buscam na “fé cristã”, se é que é na fé cristã que buscam, pois ela não tem tal característica, seus desejos, e se esquecem que as Escrituras foi nos dada como a expressão máxima da vontade de Deus (Sl 40.8), nela devemos buscar conhecer a vontade de Deus. Portanto quem busca seus desejos não encontrará satisfação nas Escrituras. Por exemplo, se alguém quer saber exatamente com quem se casar, ou que ações comprar ou ainda quais os números do próximo sorteio da loteria, certamente não encontraram na Bíblia tais respostas, pois as perguntas surgiram dos desejos dos homens. E com relação a pregação que muitos tem apresentado em suas igrejas, isso mesmo, suas igrejas e não de Deus, nos mostra claramente que a tendência é sempre falar às concupiscências dos homens. Não se importam com a vontade de Deus expressa em sua Palavra, mas com a vontade dos homens. E para apoiarem as suas palavras eles se voltam para as “fábulas”. Vemos explicações esdrúxulas para darem razão as suas praticas, por exemplo: a alguns meses atrás um senhor aparece em um programa de TV, dito evangélico, e diz que recebeu uma revelação de deus, isso mesmo, deus com d minúsculo, pois não veio do único Deus verdadeiro, dizendo que todos que queriam receber as bênçãos desse  deus deveriam fazer um depósito de 900 reais e a base dele era por estarmos no ano de 2009 e por isso a cifra de 900 reais. Isso, sem dúvida, nunca foi a vontade de Deus e sim a vontade desse senhor. Para ele não é suficiente o que a Bíblia nos ensina. Pois a riqueza que o Evangelho nos promete é celestial (Ef 1.3) e gratuitamente (Rm 3.24; 1Co 2.12) por meio de do sacrifício vicário de Cristo (Rm 3.24).
Mas, então, para que a Escritura é suficiente? O texto que estamos analisando nos dá a resposta.
O Apostolo Paulo diz que “...as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.” (2Tm 3.15). Aqui Paulo destaca a grande verdade de que a Escritura é suficiente para sabermos as coisas necessárias para a salvação que há em Cristo Jesus. E continua dizendo que “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.” (2Tm 3.16-17 – ênfase nossa). Aqui encontramos o porquê a Bíblia nos foi dada. É ela que nos instrui sobre a vontade de Deus para a nossa vida. A salvação pertence a Deus (Jn 2.9) e somente Ele pode nos dizer como ser salvo. E a Bíblia é suficiente para responder a pergunta: “...que é necessário que eu faça para me salvar?” (At 16.30). Ela é suficiente. Ela traz tudo o que é necessário para o nosso conhecimento e não tudo o que queremos. Deus é extremamente sábio e conhece profundamente a necessidade humana. Ele nos deu a sua Palavra com perfeição. Não precisamos acrescentar nada à ela. Acrescentar alguma coisa a Palavra de Deus é pecado passível de juízo divino (Ap 22.18). Podemos afirmar que se queremos saber sobre a vontade de Deus encontraremos ela na Escritura.
A nossa segunda questão a ser respondida é: para quem a Bíblia é suficiente? Quero tratar da resposta também com base no texto que estamos analisando. Paulo ao iniciar o capítulo 3 dizendo sobre os dias trabalhosos que viriam por causa dos homens maus, os quais Paulo menciona todas as suas características, demonstra que para os tais a Bíblia não é suficiente. Ela não é e nunca será suficiente para os que buscam seus desejos. Os homens maus nunca vão ter a Bíblia por suficiente. Sempre se desviarão para os acréscimos. Terão novas revelações para basearem suas más ações. Porém temos a certeza de que a Bíblia é suficiente, como diz o texto, para o “homem de Deus” (2Tm 3.17). Paulo se refere a Timóteo como homem de Deus, ministro do Senhor, e devemos entender que o que é suficiente para o ministro do Senhor também o será para qualquer cristão. Para o salvo a Escritura é estimada como a verdadeira e única Palavra de Deus que é suficiente para nos responder as coisas necessárias. Ficamos satisfeitos com as respostas que a ela nos traz. Olhando para outros escritos de Paulo o vemos reafirmando essa verdade, como em 1ª Corintios 1.18 diz: “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.”, para os homens que perecem, que tem a suas mentes depravadas e afastados de Deus não verá nenhum motivo para encontrar a satisfação na Escritura. Mas para os que foram convencidos pelo Espírito Santo a Bíblia, a mensagem da cruz, é poder de Deus.
Portanto podemos afirmar que a Bíblia é suficiente para nos ensinar tudo relacionado a salvação que há em Cristo Jesus, tudo que está relacionado com a nossa vida cristã nos habilitando para a boa obra cumprindo, assim, a vontade de Deus que está revelada na Escritura; e que essa revelação de Deus é suficiente para aqueles que foram convencidos pelo Espírito Santo e estão satisfeitos com o conteúdo dela. Esses podem exclamar como o salmista “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.” (Sl 119.105). Ou ainda como Lutero: “Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para a que há de vir.” (Martinho Lutero); ou como Spurgeon “Se quando eu chegar ao céu o Senhor me disser: "Spurgeon, quero que você pregue por toda a eternidade", responderei: ‘Senhor, dá-me uma Bíblia - é tudo de que preciso’”. (C. H. Spurgeon), somente nela nos satisfazemos.
Que Deus seja louvado por sua Palavra que nos foi dada graciosamente.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - IV


O MINISTÉRIO DE JOÃO BATISTA E O BATISMO DE JESUS (Mt 3)



Por Alessandro Costa Vieira

Inicio do ministério de João Batista (Mt 3.1): devemos entender que o termo “naqueles dias” quer dizer: uns vinte e oito ou trinta anos depois dos acontecimentos descritos por anteriormente. Sobre esse espaço de tempo temos poucos acontecimentos relatados. De onde surgem diversas lendas sobre a infância de Jesus. A única informação que temos sobre este período é em Lc 2.42-49. Muitos questionam o por que de não registrarem mais eventos sobre a infância de Jesus. Mas devemos sempre nos lembrar que o que foi escrito nos é suficiente (Jo 5.39; Rm 15.4; 2Tm 3.15-16). João Batista era filho de Zacarias e Isabel, e primo de Nosso Senhor, chamado e consagrado desde seu nascimento para ser o precursor de Cristo (Lc 1.5-25,57-80). O lugar onde João Batista começou a pregar foi o deserto de Judéia que ficava na banda oriental da província da Judéia, a leste da serra principal e a oeste do Mar Morto. Não era deserto arenoso, mas não permitia cultivo rendoso.

O conteúdo da mensagem de João (Mt 3.2): A – Arrependei-vos: o sentido radical desta palavra comum no meio evangélico significa uma mudança de coração e de pensamento quanto ao pecado, ou seja voltar-se contra o pecado. O termo "conversão" acentua a mesma mudança na relação com Deus.
B – O Reino dos Céus: esta expressão é peculiar a Mateus, que a adota onde os outros evangelistas escrevem "Reino de Deus". Explica-se esta diferença na origem e mentalidade judaica de Mateus, os judeus consideravam blasfêmia qualquer referência ao nome de Deus. Por esta razão substituíam o termo "Céus". O reino de Deus significava a soberania ou domínio divino que os judeus esperavam no reino de Israel, em cumprimento das suas esperanças messiânicas. Utilizando a expressão "é chegado o reino", João Batista indicou que o advento de Jesus ia introduzir a nova ordem. Lembrando que Mateus escreve para os Judeus, por isso usa o termo Reino dos Céus e vez de Reino de Deus.

A profecia acerca do nascimento de João Batista (Mt 3.3): Voz do que clama no deserto... Citação de Is 40.3 que confirma que aquela passagem fala profeticamente de João Batista. João era uma "voz", o único fim de sua pregação era o de mostrar Jesus Cristo aos homens (Jo 3.30). Sua tarefa era a de preparar o caminho, chamando os homens ao arrependimento, para que pudessem aceitar o Senhor.
O estilo de vida de João Batista (Mt 3.4): Era um estilo de vida asceta, onde vivia de forma humilde. A base de sua alimentação era gafanhoto e mel. O povo mais pobre comia gafanhotos. (um inseto considerado limpo e comestível pela Lei de DEUS; Lv 11.22) Essa comida certamente parece estranha para nós, mas muitas pessoas da terra comem gafanhotos hoje em dia. Ele também usava um cinto de couro, uma vestimenta comum para pessoas pobres daquela época, e uma túnica de pele de camelo.

Eram batizados (Mt 3.5-6): As pessoas que vinham para ser batizadas eram de Jerusalém, toda a Judéia e regiões próximas ao Jordão. E elas confessando seus pecados, não a João, mas a Deus, eram batizadas no Rio Jordão, pois somente DEUS pode perdoar pecados(Mt 2.1-10; 1Jo1.9).

João Batista exorta os Fariseus e os Saduceus (Mt 3.7-12): Ele recusou batizar os fariseus e saduceus porque não tinham a evidência (frutos dignos de arrependimento) da salvação. Não somente recusou batizá-los, mais também os condenou severamente por causa da sua rebelião e rejeição da verdade. João O Batista não era aceito pelo mundo religioso. Os fariseus, a mais importante das seitas religiosas entre os judeus, que apareceram no período entre os dois Testamentos. Seu objetivo era acentuar e defender as noções religiosas judaicas. O nome é a forma helenística do hebraico perushim, que significa "os separados". Mantinham uma observância escrupulosa da letra da lei mosaica, mas consideravam a tradição rabínica igual às Escrituras do Velho Testamento. Saduceus, Segunda, em ordem, das seitas judaicas, depois dos fariseus; é provável que se originaram como reação ao farisaísmo. É possível que o nome se derive do hebraico saddiq, "justos". Ensinavam que a virtude deve ser praticada por amor à própria virtude, sem visar a recompensa. Aceitando essa premissa, chegaram a negar a existência do mundo futuro. Eram os racionalistas do judaísmo, não criam em anjos, ressurreição, etc.
Batismo com fogo? Esse batismo com fogo deve ser entendido como a condenação do inferno, muitos pensam ser o batismo com o Espírito Santo. Mas ao analisarmos o texto veremos a interpretação correta pois teremos três versos seguido que aparece a palavra fogo (10-12), e uma das regras básicas de interpretação é que quando o autor usa uma palavra varias vezes subtende que tem o mesmo significado. E no verso 10 fica muito claro que fogo é condenação. Da mesma forma no verso 12, então, como poderia a mesma palavra no verso 11 significar coisa diferente do que as demais? Alguns usam o texto de At 2.3 mas no texto diz claramente que as línguas que foram vistas eram “como que e não “de” fogo. Portanto, concluímos que João discursa para dois grupos, os que vinham para ser batizados com profundo arrependimento e outro que estavam ali sem verdadeiro arrependimento, fariseus e saduceus, os que de fato estavam arrependidos seriam batizados com Espírito Santo e os demais com fogo, inferno. A ira futura, isto é, o dia de juízo. Ninguém pode fugir do Juízo de DEUS (Ap 20.11).

O batismo de Jesus (Mt 3.13-17): Da Galiléia até a Judéia eram quase 100 km, foi o que Jesus andou para ir até João. A intenção do batismo de Jesus foi de cumprir toda a Justiça, seu batismo era um passo necessário para cumprir todos os justos propósitos de Deus. Embora não precisando de arrepender-se e não tendo pecado para confessar (Hb 4.15), Jesus, pelo ato de submeter-se ao batismo, ocupou o lugar do pecador. Este ato simbólico ilustrou outro batismo maior (Mt 20.22) que O esperava no Calvário, onde Ele cumpriu cabalmente a vontade divina, pela qual veio ao mundo como substituto do pecador. Jesus viu a pomba, representação do Espírito Santo, mas Jo 1.31-34 mostra que João a viu também. Que era o Espírito de Deus. Naquele momento sagrado, todas as três pessoas da Santíssima Trindade, eram ou visíveis ou audíveis aos sentidos humanos. Não significa este ato que Jesus não era um com o Espírito desde seu nascimento, melhor, desde a eternidade. Agora veio o Espírito para revesti-Lo de poder para seu ministério público. Meu filho amado - Isto não quer dizer que o Pai estava proclamando que Jesus era seu filho, pela primeira vez, nem que Jesus chegou a compreender só naquele momento sua única relação com o Pai. Era consciente dessa relação desde sua infância (Lc 2.49). A mesma proclamação foi reiterada pelo Pai na ocasião da transfiguração (Mt 17.5).


PRECISAMOS DE PREGADORES





quarta-feira, 19 de maio de 2010

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - III


O NASCIMENTO DE JESUS - II, A FUGA PARA O EGITO E MORTE DE HERODES O GRANDE (Mt 2)



Por Alessandro Costa Vieira

Jesus nasce em Belém no tempo de Herodes(Mt 2.1-3): É a mesma aldeia onde o rei Davi nasceu (1Sm 17.12). Não era a cidade de José e Maria (Lc 1.26-27). O motivo da sua residência ali é dado em Lc 2.1-5. A aldeia era ao sul de Jerusalém aproximadamente 7km. O rei Herodes citado aqui era da família Iduméia, era rei, sob os romanos, de toda a Palestina. Chamado geralmente Herodes, o Grande. É importante saber qual dos Herodes que é mencionado, pois no texto bíblico existem pelo menos 7 Herodes. E o texto bíblico nos da auxilio sobre o ano de nascimento de Jesus quando fala “no tempo de Herodes”, Herodes morre entre 4a.C e 1a.C. o que nos mostra que Jesus nasce antes de sua morte, ou seja,  entre 5a.C. e 2a.C.
Os magos: Por que a Bíblia não desabonou os reis magos, por seguirem a estrela, já que ela condena a astrologia? A Bíblia condena o uso da astrologia (Lv 19.26; Dt 18.10; Is 8.19), contudo Deus abençoou aqueles homens sábios (os magos) por terem usado uma estrela como indicação do nascimento de Cristo.
SOLUÇÃO: 1 –  temos de nos perguntar o que é a astrologia. Astrologia é a crença de que o estudo da disposição e do movimento das estrelas pode capacitar alguém a prever acontecimentos - sejam eles bons ou maus.
2 –  essa estrela apareceu no relato bíblico para anunciar o nascimento de Cristo, não para prever este acontecimento. Deus deu a estrela aos magos para proclamar-lhes que já era nascida a criança. Sabemos que o menino já tinha nascido, porque em Mt 2.16 Herodes ordenou matar em Belém e arredores todos os meninos até dois anos, de acordo com "o tempo do qual com precisão se informara dos magos".
3 – há outros casos na Bíblia nos quais estrelas e planetas são usados por Deus na revelação de sua vontade. O Salmo 19.1-6 afirma que os céus proclamam a glória de Deus e Rm 1.18-20 nos ensina que a criação revela a existência de Deus. Cristo refere-se ao que acontecerá com o sol, com a lua e com as estrelas na sua segunda vinda (Mt 24.29-30), como o fez o profeta Joel (2.31-32). A estrela que guiou os magos não foi usada para prever, mas para proclamar o nascimento de Cristo.
Aquele nascido Rei dos Judeus: Esta frase constitui eco das esperanças messiânicas dos judeus, Mateus está afirmando que as grandes profecias cumpriram em Jesus. Quando Herodes ouviu falar de outro rei, ele ficou perturbado e começou procurar uma maneira de eliminar esta "ameaça" ao seu poder.
A adorá-lo: É patente que os magos já o consideraram como Ser divino, desde o seu nascimento a divindade estava sendo demonstrada.

O local do nascimento de Jesus é confirmado pela Escritura (Mt 2.4-6): Os escribas eram os intérpretes oficiais da lei mosaica e constituíam uma espécie de ordem de religiosos eruditos e são eles que confirma o que diz a Escritura citando Miquéias 5.1-2. A profecia citada foi feita aproximadamente 700 anos antes do nascimento de Jesus. De todos os lugares em Israel, a pequena aldeia de Belém foi escolhida como o lugar onde Jesus nasceria.
Herodes tenta enganar os magos (Mt 2.7-8): Herodes sentindo-se ameaçado com aquela conversa de que nasceu um Rei para os judeus ficou perturbado e queria acabar com a ameaça de perder o trono. Assim tenta enganar os sábios e diz que quando encontrarem o menino que avisassem a ele também pois queria adorá-lo também, porém os sábios receberam uma revelação em sonhos sobre o intento de Herodes e não voltam pelo mesmo caminho (Mt 2.12).

O sinal conduz os sábios até o menino Jesus (Mt 2.9-12): Após a conversa com Herodes os magos continuam a seguir o sinal até chegarem ao menino Jesus. A família não se achava mais no estábulo da estalagem de Belém. Visto que este incidente tomou lugar a um tempo indeterminado durante o período de dois anos depois do nascimento de Jesus (ver 16), há possibilidade de que a família estivesse na Galiléia. A matança dos inocentes em Belém, por Herodes, numa data posterior foi baseada na profecia e não nas informações que lhe foram dadas a respeito do lugar onde o menino Jesus fora encontrado. Os magos teriam recebido uma revelação ampla a respeito da pessoa de Cristo entendendo que era Deus o adoraram. As três qualidades de dádivas são consideradas usualmente como símbolos do ofício tríplice de Cristo, como rei, sacerdote e profeta. Uma das coisas que mais me chama a atenção no relato do nascimento de Jesus é o que Lucas registra em Lc 2.12, quando fala sobre o sinal que identificaria o menino quando o encontrassem “envolto em panos, e deitado numa manjedoura”, é maravilhoso saber que não foi um milagre que identifica o nosso Senhor ao nascer. Não encontram o menino envolto em uma grandiosa luz, ou numa bola de “fogo”, ou ainda flutuando. Apenas envolto em panos e numa manjedoura. Quanto são enganados hoje por buscarem um “jesus” que só serve para fazer sinais e prodígios. Quantos hoje em dia identificam uma igreja como sendo verdadeira pelos sinais que ali acontece. Quando deveriam observar a mensagem que ali se prega. Nosso Senhor mostrou-se simplesmente numa manjedoura.

José é alertado por um anjo e foge para o Egito com o menino (Mt 2.13-18): Vemos que tudo é dirigido exatamente como Deus deseja que aconteça, aqui para livrar Jesus da morte precoce e para que se cumprisse as profecias, Deus envia um anjo e alerta José sobre os intentos de Herodes e diz para irem ao Egito. Herodes há de procurar o menino, se a família tinha mudado já de Belém, escapou assim da matança ali. Porém, ainda seria difícil ficar escondida, permanecendo na Palestina. Do Egito chamei o meu Filho, citação do hebraico de Os 11.1. No contexto original, o trecho se refere à redenção de Israel do Egito pela mão de Moisés, que no Antigo Testamento é um tipo que representa Jesus.
Segundo o tempo. A implicação aqui é que a visita dos magos teve lugar quando o Senhor tinha quase dois anos de idade. A citação do vers. 18 é de Jr 31.15. Ramá era cidade da tribo de Benjamim (Js 18.25), cujo território se achava logo ao norte de Jerusalém. Raquel - esposa de Jacó e mãe de Benjamim, serve como símbolo das mães benjamitas.

A morte de Herodes (Mt 2.19): Ver a primeira seção deste estudo, sobre Mt 2.1-3.

José é avisado que Herodes morreu (Mt 2.19-23): José é avisado por um anjo através de um sonho que podia voltar para a terra de Israel, isto é, a Palestina. Sabendo que Arquelau, filho de Herodes, o Grande, assumiu o poder nas províncias da Judéia, Samaria e Iduméia, enquanto os outros filhos de Herodes dividiram os demais domínios restantes entre si. Era tirano notório, José ficou com receio de voltar, mas dá credito para a Palavra de Deus enviada por meio do anjo, assim devemos sempre dar credito para o que a Palavra de Deus diz. Hoje não precisamos que um anjo nos diga o que fazer e sim o que a Bíblia nos diz. Uma cidade chamada Nazaré, situada no centro da Galiléia. Este não foi o primeiro contato da sagrada família com Nazaré Lc 1.26 revela que a virgem Maria morava ali. Ele será chamado nazareno. O evangelista emprega este termo para significar habitante de Nazaré. Esta expressão não é citada duma profecia do Velho Testamento; por isso, o modo de apresentá-la não é muito positivo. Pode ser que o evangelista se refira à profecia de Isaías a respeito de Cristo, como rebento (heb. netser,  cfr. Is 11.1).

segunda-feira, 17 de maio de 2010

DEUS ODEIA PECADORES E NÃO APENAS O PECADO!

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - II


A GENEALOGIA DE JESUS (Mt 1)





Por Alessandro Costa Vieira


A genealogia de Jesus (Mt 1.1-17):
Livro da geração, isto é, sua árvore genealógica.
Davi: Em descrevendo as origens de Nosso Senhor até Davi, vê-se que o propósito era o de mostrar que as promessas feitas a Davi, como progenitor do Messias, são cumpridas em Jesus Cristo (2Sm 7.12-16; Sl 89.29,36-37; Sl 132.11).
Abraão: Promessas semelhantes foram dadas a Abraão (Gn 12.7; Gn 13.15; Gn 17.7; Gn 22.18; Gl 3.16).
Esta genealogia tem uma característica incomum, nomes de cinco mulheres, pois os nomes de mulheres não eram colocados nas genealogias, vejamos:
Tamar: Estrangeira e mulher de moral duvidosa (Gn 38).
Raabe: Estrangeira também e originalmente prostituta (Js 2.1; Hb 11.31).
Rute: Moabita. Ver o livro de Rute para sua história.
Aquela que foi mulher de Urias: isto é, Bate-Seba (2Sm 12.10-24). O fato que o texto a descreve nesta maneira sugere uma recordação intencional da sua relação ilícita com Davi. É importante frisar que em nenhum momento a Bíblia Sagrada visa esconder as fraquezas dos homens que fazem parte do seu povo. É comum na humanidade esconder as fraquezas de seus heróis. Não é assim com a Bíblia. Nisso encontramos mais e mais motivos para crermos nas Escrituras como a única verdade.
Salomão: é provável que esta genealogia não delineia a descendência natural, a qual se encontra em Lc 3.23-38, mas a linha real e legal, em virtude de que Jesus Cristo era herdeiro do trono de Davi.
Ozias: isto é, Uzias (Is 6.1 e 2Cr 26.1), também chamado Azarias (2Rs 14.21). Três gerações são omitidas aqui (1Cr 3.11-12), a fim de adaptar a genealogia ao plano do evangelista (verso 17). Esta prática com genealogias era aceita, e não se admite por isto inexatidão. É possível que haja omissões também na primeira e terceira seções da genealogia (vers. 2-6,12-16).
Jeconias: chamado também Joaquim (2Rs 24.8) e Conias (Jr 22.24-28); foi privado de descendência sobre o Trono de Davi (Jr 22.30). Desse modo Jesus Cristo não era descendente natural dele.
A deportação para a Babilônia: se refere aos setenta anos do cativeiro.

José, marido de Maria: As palavras são escolhidas com muito cuidado para evitar qualquer impressão de que José fosse o pai natural de Jesus Cristo. Como esposo de Maria, era pai legal, de sorte que o direito ao trono de Davi foi transmitido por ele. O casamento de José e Maria teve lugar depois da conceição, mas antes do nascimento de Jesus Cristo.
Catorze gerações... catorze gerações... catorze gerações...: A genealogia foi agrupada propositadamente deste modo pelo evangelista, para facilidade de aprendê-la. A palavra grega traduzida "de sorte que", implica uma ordem artificial. O sentido da frase é: "isto completa as gerações... entre as catorze gerações".
Nesta lista de nomes de pessoas que foram os ancestrais de nosso SENHOR JESUS, também, encontramos lições preciosas da grande misericórdia de DEUS. Pois temos nomes como Manassés, Jeconias, Amom e Jorão. Todos homens que tiveram vidas reprováveis, mas que foram alvos da misericórdia de DEUS. Nos mostram que os nossos pecados não fecham os céus para nós. Sempre que nos achegamos, com arrependimento, a DEUS, somos perdoados.

O nascimento de Jesus parte I: (Mt 1.18-25)
Desposada: Isto quer dizer que já era noiva de José sem ser casada. Infidelidade depois do noivado era considerada adultério.
Do Espírito Santo: A conceição foi operação miraculosa de Deus, o Espírito Santo, pela qual "o verbo se fez carne".
Não queria infamar... intentou deixá-la secretamente: Estas duas possibilidades se ofereciam a José, conforme as leis e costumes judaicos. Um homem do caráter de José escolheria naturalmente a segunda.
Projetando ele isso: Conhecendo o caráter impecável de Maria, naturalmente ficou perplexo, com tal situação.
O anjo: A intervenção dum anjo não faz a história inverossímil. Foi essencial nas circunstâncias, de vez que nenhum esposo acreditaria na veracidade do fato da conceição duma virgem, se não lhe fosse revelada de modo sobrenatural.
Em sonho: Até hoje, no oriente, os sonhos são considerados meio importante de revelação divina, e devemos entender que assim acontecia por não terem a Bíblia, hoje se queremos saber a vontade de Deus temos a sua Palavra (Jo 17.17).
Filho de Davi: Esta é a forma hebraica para expressar "descendente de Davi".
Jesus: É a forma grega do nome hebraico Josué, que significa "o Senhor salva".
Ele salvará o seu povo dos seus pecados: isto é, da culpa e do castigo do pecado, tanto como da sua influência e poder. Eis a grande declaração fundamental do evangelho no início do Novo Testamento.
Para que se cumprisse: Isto quer dizer que a declaração do profeta fez os acontecimentos inevitáveis.
Da parte do Senhor pelo profeta: Nota-se que o Senhor é o autor da profecia. O profeta é o porta-voz. Foi assim que os judeus compreenderam a inspiração. A Igreja Cristã aceitou este ponto de vista. Todas as vezes que o texto utiliza a frase "pelo profeta" a tradução mais exata seria "por intermédio do profeta".
Eis que a virgem conceberá... Emanuel: Esta é uma citação de Is 7.14 e de Is 8.8, onde a tradução da palavra hebraica Emanuel significa “DEUS CONOSCO”. Esta é a segunda de duas declarações importantíssimas a respeito do evangelho, todas as duas no espaço de três versículos (versos 21-23).
E não a conheceu: Esta descrição conserva perfeitamente o fato do nascimento de Cristo pela Virgem. É implícito, entretanto, que, depois do nascimento de Jesus, José e Maria coabitavam normalmente.
Seu Filho primogênito: Sugerem que Maria tinha outros filhos mais novos e pelo menos é prova de que sua presença no texto não constituiu dificuldade na aceitação deste fato pelos cristãos da Igreja primitiva. Os nomes dos irmãos do Senhor são citados em Mc 6.3.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - I


MEDITAÇÕES NO EVANGELHO DE MATEUS – I



Por Alessandro Costa Vieira

Introdução aos Evangelhos: A palavra “Evangelho” é de origem grega e significa “boas novas, boas noticias”. Já no A.T. os profetas afirmaram o aparecimento dessa bela mensagem (Is 40.9; Is 61.1). A mensagem de Jesus Cristo é assim denominada: Evangelho (Mc 1.14). Os três primeiros Evangelhos são chamados de sinópticos, do grego (synopsis), que significa “ver em conjunto”. Recebem este nome devido às semelhanças entre os três escritos. Cada evangelista enfocou o ministério e os acontecimentos da vida de Jesus por um ângulo. É exatamente por isso que muitos indoutos e inconstantes (2Pe 3.16) pensam haver contradições nos evangelhos. Onde eles vêem contradições nós vemos semelhanças.

I. Autoria: Em comum com os outros três Evangelhos, este livro é anônimo, ou seja, os autores não se apresentam explicitamente. Entretanto, o nome do apóstolo Mateus (Mt 9.9 e Mt 10.3) se associa com ele desde o século II. Existem no livro História Eclesiástica, de Eusébio, escrita cedo, no século IV, citações de Papias, bispo no século II, de Irineu, bispo de Leão, no século II e de Orígenes, grande teólogo do século III. Todos estes concordam em afirmar que este Evangelho foi escrito por Mateus, para cristãos hebreus. Embora não levando o nome do autor, o Evangelho fornece pelo menos uma evidência interna que confirma sua autoria tradicional. A história da chamada de Mateus, em Mt 9.9, é seguida da narrativa de uma refeição a qual Jesus compareceu em companhia de publicanos e pecadores (Mt 9.10; Mc 2.15; Lc 5.29). O sentido de Mt 9.10 é que "em casa" quer dizer "na minha casa", isto é, na do autor, e isto concorda plenamente com Marcos e com Lucas e com os fatos apresentados por ambos os evangelistas. Esta frase serve, então, para identificar o autor.

II. Data: A data, provável, do livro é de 58 – 68, alguns acreditam que possa ter sido escrito entre 80 – 90 d.C. mas quando se analisa o texto do livro vemos que a destruição de Jerusalém é tida como um evento futuro (MT 24.2), isso nos leva a entender que o autor escreveu antes do evento da destruição de Jerusalém, que foi em 70d.C.

III - O propósito do Evangelho segundo Mateus: É patente que o propósito do evangelista é apresentar em ordem a história do nascimento, ministério, paixão e ressurreição de Jesus Cristo. Ele agrupa seus fatos a redor de cinco grandes discursos de Nosso Senhor: o Sermão da Montanha (Mt 5.1 – 7.27); a escolha dos apóstolos (Mt 10.5-42); as parábolas (Mt 13.1-53); o discurso sobre a humildade e o perdão (Mt 18.1-35); e o discurso apocalíptico, do fim dos tempos (Mt 24.1 – 25.46). O evangelista indica esta divisão pela repetição da mesma fórmula, ao fim de cada discurso: "E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso...". Os trechos que intervêm contam dos milagres e outros acontecimentos que seguem certa ordem, que facilita ao leitor fixá-los de memória. O trecho inicial, antes do primeiro discurso (Mt 1-4) consiste da narrativa do nascimento e infância de Jesus, o ministério de João Batista, o batismo e tentação do Senhor, e uma introdução geral ao seu ministério. O clímax da paixão e ressurreição segue logo o último dos cinco discursos. O evangelista cita frequentemente versículos tirados das profecias do Velho Testamento e, de fato, interpreta essas profecias como tendo cumprimento em Jesus Cristo; tudo é interpretado de um modo que seria para o judeu do I século prova incontestável, a qual a igreja cristã tem adotado.
Os trechos seguintes são peculiares ao Evangelho segundo Mateus: a narrativa do nascimento e da infância (Mt 1.18 a Mt 2.23); a introdução geral ao ministério na Galiléia (Mt 4.23-25); a referência a Is 53.4 (Mt 8.17); a cura dos dois cegos e um mudo endemoninhado e a alusão às ovelhas que não têm pastor (Mt 9.27-38); o convite aos cansados e oprimidos (Mt 11.28-30); a referência a Is 42.1-4 (Mt 12.15-21); a parábola do trigo e do joio e do tesouro escondido, a da pérola de grande valor, e a da rede lançada ao mar (Mt 13.24-30,34-50); a referência geral ao ministério da cura (Mt 15.29-31); a descoberta do dinheiro na boca dum peixe (Mt 17.24-27); os ensinos a respeito da reconciliação, oração e perdão (Mt 18.15-35); o ensino sobre eunucos (Mt 19.10-12); a parábola dos trabalhadores na vinha (Mt 20.1-16); a parábola dos dois filhos (Mt 21.28-32); a censura aos fariseus (23); certos trechos do discurso apocalíptico, que é muito mais amplo neste do que nos outros Evangelhos sinóticos (24); a parábola das dez virgens (Mt 25.1-13); o juízo dos bodes e ovelhas (Mt 25.31-46); o suicídio de Judas (Mt 27.1-10); a ressurreição dos santos (Mt 27.52-53); a guarda posta ao sepulcro (Mt 27.62-66); o boato falso do roubo do corpo de Jesus e a grande comissão (Mt 28.11-20).
O evangelista exibe um estilo literário que lhe é peculiar, cuja característica mais notável é a falta de pormenores na descrição dos feitos. As narrativas são geralmente resumidas e os detalhes se harmonizam. Vê-se claramente esta tendência comparando as histórias da cura do criado do centurião (Mt 8.5-13); e da ressurreição da filha de Jairo (Mt 9.18-26), com os trechos paralelos em Lucas.