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domingo, 7 de dezembro de 2008

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - XV

O DILÚVIO (Gn 7.1-24)

Neste capítulo nós temos descrição do dilúvio. Este foi sem dúvida, o julgamento mais terrível de Deus sobre o pecado do homem que o mundo já viu. Na próxima vez que Deus julgar o mundo, será com fogo (2Pe 3.6-10). Pela seriedade do juízo que a de vir, assim como Deus chamou a Noé e este avisou a sua geração do que estava por vir, Deus nos chama a anunciar o que está por vir e que existe apenas uma maneira de escapar, que é estar na Arca da Salvação que é Jesus Cristo (Mc 16.15-16; Mt 28.19-20).

A Chamada de Deus (Gn 7.1): Deus cuidou dos justos. No tempo certo, Ele chamou Noé e sua família para entrarem na Arca. Vale notarmos que Deus parece chamar Noé para onde Ele está. Ele estava presente na Arca, pois, Ele nunca abandona seu povo (Hb 13:5-6).

Os Animais Limpos (Gn 7.2-3): Deus disse a Noé para trazer para dentro da Arca um par de cada espécie de animal, e aqui Ele nos dá mais detalhes sobre isto. Noé deveria levar sete de cada animal limpo. Os animais limpos serviriam de alimento para Noé e sua famílias e para os animais carnívoros. O sétimo animal ou número impar seria usado para o sacrifício (Gn 8.20). Mais tarde Deus deu à Moisés uma lista dos animais considerados cerimonialmente imundos para os Judeus (Levítico 11). Todavia, nós aprendemos neste capítulo que nos dias de Noé, Deus havia de alguma maneira revelado estas coisas. Entretanto, nós não temos que observar esta prática hoje, pois tais leis foram cumpridas em Cristo (Atos 10).

O Tempo do Julgamento chega (Gn 7.4-10): Deus informou a Noé que o dilúvio viria dentro de sete dias. Parece estranho que Noé e sua família teriam que permanecer sete dias dentro da Arca, antes do início do dilúvio. Talvez havia tarefas a serem feitas lá dentro. Não há dúvidas de que o mundo do lado de fora riu e zombou deles. Que coisa maravilhosa foi a obediência de Noé em tudo o que Deus lhe dissera. Ele é honrado por isso várias vezes (Gn 7.5; 6.22). Deus tem prazer em nossa obediência, por mais estranha que pareça a palavra de Deus aos nossos ouvidos e à lógica mundana, como por exemplo: “ame seu inimigo” (Mt 5.43-48); devemos entender que podemos glorificar a Deus por meio de nossa obediência (1Sm 15.22-23; Jo 15.10-12).

Como Ocorreu o Dilúvio (Gn 7.11-16): Quando Deus faz menção de algo, ninguém deveria duvidar de que Ele a cumprirá. O mundo nunca tinha visto um dilúvio, entretanto, ele veio de qualquer maneira. Da mesma forma, os homens ficarão surpresos quando Cristo retornar (2Pe 3.4; Mt 24.37-44). Nos versículos 11 e 12, nós somos informados a respeito da fonte das águas do dilúvio. A chuva caiu dos céus durante quarenta dias e quarenta noites, e os reservatórios subterrâneos foram abertos. No versículo 16 observamos que a arca foi fechada pelo próprio Deus. Dando, assim, a entender que somente Deus pode estabelecer o tempo de salvação para o homem. A porta só pode ser fechada por Deus e mais ninguém. Foi dito em Apocalipse que Jesus é o que tem a chave que abre e ninguém fecha e fecha e ninguém abra (Ap 3.7).

A Extensão do Dilúvio (Gn 7.17-23): Como mencionado nas lições anteriores, o dilúvio foi de ordem universal. A terra toda foi coberta com pelo menos 6,5 metros de água (Gn 7.19-20). Nenhuma criatura que vivia sobre a terra seca que respirava, sobreviveu fora da Arca (Gn 7.21-23). Existem outros versículos nas Escrituras Sagradas que cooperam com este ensino, portanto devemos entender que o dilúvio foi um evento global e não apenas uma enchente local (2Pe 2.5; 3.6; Hb 11.7).

A Duração do Dilúvio (Gn 7.24): O dilúvio teve a duração de quarenta ou de cento e cinqüenta dias? Segundo Gênesis 7.24 (e 8.3), as águas do dilúvio permaneceram durante 150 dias. Mas outros versículos nos dizem que foram apenas quarenta dias de dilúvio (Gn 7.4,12,17). Qual é o correto?
Para entendermos estes números é preciso saber que estão se referindo a coisas diferentes. Quarenta dias foi o tempo em que "houve copiosa chuva" (Gn 7.12), e 150 dias foi o tempo em que as águas do dilúvio "predominaram" (cf. 7.24).
Ao fim dos 150 dias, "as águas iam-se escoando" (Gn 8.3). Não foi senão após o quinto mês depois do início da chuva que a arca repousou no monte Ararate (Gn 8.4). Então, onze meses depois do início das chuvas, as águas secaram-se (7.11; 8.13). E exatamente um ano e dez dias depois do início do dilúvio, Noé e sua família saíram da arca e pisaram em solo seco (7.11; 8.14).

Que ocasião terrível foi esta, embora Noé estivesse seguro na Arca. Vamos nos lembrar da nossa salvação em Cristo. Nós merecemos o inferno e a ira de Deus (Rm 3.23; 6.23; Is 64.6), mas por causa de Cristo nós estamos protegidos (Rm 5.1,7-11, 21). Deus não somente nos chamou para a Arca da salvação, como também nos trancou em segurança dentro dela (Gn 7.16; Jo 10.27-29). Que maravilhoso Salvador!Que nossa confiança esteja na justiça de Cristo quando vier o juízo de Deus. Amém!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

ABRA O OLHO POVO DE DEUS!!!

Estamos vivendo um tempo que foi anunciado pelo Apostolo Paulo nas Sagradas escrituras, em 2Tm 3.1-9. Tempos em que estão se levantando muitos aproveitadores da religião. Quando vi este video eu senti nojo de ver como os homens, que se autodenominam "homens de deus", se comrrempe tão facilmente.

Acredito que é hora de acordarmos para a realidade e parar de dar ouvido para esse tipo de mensagem que nada tem de Evangelho.

De uma olhada nesse video e deixe sua opinião.

Abra o olho povo de Deus!!!!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - XIV

AS INSTRUÇÕES QUE DEUS DÁ A NOÉ PARA FAZER A ARCA (Gn 6.13-22)

Uma das épocas terríveis da terra foi o dilúvio. Ele permanece como o julgamento mais terrível de Deus sobre o pecado que o mundo já viu. Aqueles que duvidam da ira que está por vir, devem considerá-lo cuidadosamente, pois o apostolo Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, assim alerta (2Pe 3.5-7).
A partir do versículo 13 do capítulo 6 de Gênesis lemos as instruções que Deus trás a Noé acerca da construção da arca:

Deus anuncia o dilúvio a Noé (Gn 6.13): Neste texto observamos o anuncio que Deus trás a Noé acerca do destino dos homens daquela geração ímpia e afastada de Deus. O que Deus fez saber a Noé, Noé o fez saber aos homens de sua geração, porém as palavras de Noé soavam como loucura aos ouvidos daquela geração. Nem mesmo os irmãos e familiares de Noé entraram com ele na arca, somente sua mulher e seus filhos com suas respectivas mulheres. É triste notar que nos dias de hoje quando falamos da vinda de Cristo, que é iminente, a reação da nossa geração é semelhante a reação dos habitantes da terra na época de Noé. Cristo nos alertou que nos últimos dias seria assim. (Mt 24.37-39; Lc 17.26-27; ver também Hb 11.7; 2Pe 2.5; 2Pe 3.5-7)

A Arca: Gn 6.16,18-21: A. As Dimensões da Arca: Primeiramente “Arca” trata-se da uma palavra hebraica antiga que possivelmente indica nada mais que uma caixa feita para flutuar. Noé não edificou um navio no sentido literal; mas a arca era uma espécie de jangada coberta, cuja intenção era meramente flutuar. Foi construída de gofer, mais conhecida como ciprestes, que era um material extremamente resistente para o trabalho a ser feito, o cipreste é um tipo de madeira que cede sem rachar ou quebrar. A Arca também foi vedada com betume, um dos produtos naturais da Assíria. Considerando o côvado como 45 cm, a arca teria mais ou menos 150 metros de comprimento e 25 metros de largura. Foi construída com três conveses, e com a altura de mais ou menos 15 metros. Para melhor entendermos a extensão da arca podemos imaginar algo com o tamanho de um campo e meio de futebol e da altura de um prédio de quatro andares. A janela, que aparece no versículo 16, é chamada de sohar no original hebraico, que significa uma "luz", e deve ser distinguida da abertura mencionada em Gn 8.6, também traduzido como janela. Até onde é possível compreender a construção, a sohar parece ter sido um espaço aberto de 45 cm que corria ao redor do topo da arca, permitindo a entrada da luz e ar. Meu pacto (Gn 6.18) Essa é a primeira ocorrência dessa importante palavra bíblica. Note-se que foi uma aliança baseada na graça (Gn 6.8).

Os Animais que entraram na arca (Gn 6.19-21): A Bíblia diz que a arca de Noé tinha apenas 150 metros de comprimento, por 25 de largura e 15 de altura (Gn 6.15). Noé recebeu a instrução de colocar nela um casal de cada espécie de animal imundo e sete casais de animais puros (Gn 6.19; 7:2). Mas os cientistas nos informam de que há de meio bilhão a um bilhão ou mais de espécies de animais.
Para resolver esta questão devemos levar em consideração alguns pontos: Primeiro, o conceito moderno de "espécie" não é o mesmo da Bíblia. No sentido bíblico, provavelmente sejam apenas algumas centenas de "espécies" diferentes de animais terrestres que teriam de ser levados para a arca. Os animais marinhos permaneceram no mar, e muitas outras espécies poderiam sobreviver na forma de ovos.
Segundo, a arca não era assim tão pequena; ela tinha uma enorme estrutura - a dimensão de um moderno transatlântico. Além disso, ela tinha três andares (Gn 6.16), o que triplicava seu espaço a um total de 425.000 metros cúbicos!
Terceiro, Noé pode ter levado filhotes ou variedades menores de alguns dos animais de maior porte. Levando em conta todos esses fatores, havia espaço suficiente para todos os animais, para o alimento para a viagem e para os oito seres humanos a bordo.
Quarto, Lembre-se de que o número de espécies é pequeno quando comparado à variedade de tipos de animais. Por exemplo: um par de cachorros teria representado a família canina inteira.

A Arca como um Tipo: Os estudantes da Bíblia têm visto na Arca um tipo do Senhor Jesus Cristo. A seguir veremos algumas maneiras como a Arca é um símbolo de Cristo:
1. A Arca foi uma provisão Divina. A salvação não se originou do plano do homem mas do plano de Deus (Jo 3.16).
2. A Arca foi um lugar de refúgio da ira de Deus (Jo 3.18; Rm 5.1).
3. A Arca possuía apenas uma porta. Quando Deus a fechou, cessou toda a oportunidade de misericórdia. Cristo é a porta, mas, os convites para entrar não serão estendidos para sempre (Jo 10.9).
4. A Arca era um lugar de absoluta segurança para aqueles que estavam dentro dela (Jo 10.28-29).
5. A palavra traduzida por betumeé diferente da palavra usualmente usada no Velho Testamento. A palavra usada aqui (Hebraico kopher) é traduzida como "expiação" em muitas outras partes do Velho Testamento (Lv 17.11). Na forma de substantivo ela simplesmente significa "cobertura". Certamente isto aponta para o sangue de Cristo que faz expiação por nossos pecados e nos esconde da ira de Deus.

As proporções do Dilúvio que viria (Gn 6.17): Muitos pontos podem ser considerados aqui: A. O dilúvio foi um julgamento mundial. Aqueles que têm retratado o dilúvio como um acontecimento local, não são honestos com as Escrituras. B. Enquanto a Bíblia nos dá o único relato inspirado e preciso, podemos ver que as "histórias do dilúvio" são encontradas em culturas espalhadas por todos os continentes. Não são estas tradições passadas de geração a geração, um testemunho independente da história real do dilúvio. C. O dilúvio é sem dúvida responsável pela condição geológica atual da terra.

A Fé de Noé (Gn 6.22): Como nós devemos admirar Noé. Ele creu e agiu baseado na Palavra de Deus. Sem dúvida o mundo zombou, mas Noé os advertiu diligentemente (2Pe 2.5). A construção da Arca é mencionada no grande capítulo dos "heróis da fé", como um dos monumentos da fé (Hb 11.7). Como alguém disse lembrando Hebreus 11:7: "Noé não pôde convencer o mundo pela sua pregação, mas condenou o mundo pela sua fé e obediência".

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - XIII

A CORRUPÇÃO GERAL DE TODO O GÊNERO HUMANO, AS CAUSAS DO DILÚVIO (Gn 6.1-12)

No capítulo 6 de Gênesis entramos em um dos pontos mais interessantes da história bíblica e que mais chama a atenção dos estudiosos das Escrituras. Que é o episódio em que começa o relato dos motivos do dilúvio e a natureza dos habitantes da terra daquela época. E vale ressaltar que os dias de hoje é muito parecido com os dias de Noé. E o nosso Senhor Jesus nos alertou que quando estivesse próximo a sua vinda a sociedade estaria parecida com a dos dias de Noé, veremos isso com mais detalhes adiante. E nesse ponto é preciso ter muita atenção sobre o que iremos estudar. Para que venhamos tirar as conclusões corretas dos relatos do texto de Gn 6.1-12. Para isso dividiremos nosso estudo em partes:

O Sal Se Tornou Insípido (Gn 6.2): O povo de Deus é a força que preserva os valores em uma sociedade (Mt 5.13). Quando os que professam ser santos começam a perder e a comprometer seu testemunho, os tempos se tornam desesperadores. Isto é o que ocorreu antes do dilúvio. Em Gênesis 4, percebemos que os descendentes de Caim, que embora se excederam em algumas áreas da cultura, desviaram-se mais e mais de Deus, e daquilo que era correto. Em Gênesis 3:25 a 4:32, nós temos a lista dos descendentes de Sete. A maioria deles era temente a Deus. Em Gênesis 3:26 pudemos notar que nos dias de Enos eles se separaram para a adoração pública. Eles foram o sal da terra.
Mas em Gênesis 6.1-2, temos um triste relato da decadência espiritual deles. Isto teve início quando eles começaram a se casar somente com base na atração física. Em todas as épocas, Deus tem pedido ao seu povo que somente se casem com aqueles que da mesma maneira servem ao Deus verdadeiro. Isto é para o conforto e crescimento espiritual deles, como também para benefício de suas crianças (Dt 7.2-4; Êx 34.4-16; 1Co 7:39; 2Co 6:14).
No versículo 2 temos algo que devemos resolver. Quem eram os filhos de Deus e as filhas dos homens? Muito se tem falado sobre este assunto. E as opiniões são diversas. Alguns acreditam que estes filhos de Deus seriam os anjos, pois em Jó 1.6 os anjos são chamados de filhos de Deus, ver também Jó 2.1 e 38.7. Porém esta posição seria inadequada, na minha opinião, pois vemos a Bíblia nos ensinar algumas coisas sobre os anjos que não estaria de acordo com esta teoria: a- Anjos não se casam (Mt 22.30). b- Anjos são seres espirituais, e portanto não tem corpo (Hb 1.13-14; Lc 24.39). Devemos então entender que os filhos de Deus era a linhagem piedosa de Sete que serve a Deus, mas que infelizmente caem nos encantos carnais das filhas dos homens, ou seja a descendência ímpia de Caim.

As Condições do Homem (Gn 6.3-5): O estado do homem antes do dilúvio:
1. Antes do dilúvio o homem resistiu ao trabalho do Espírito Santo na graça comum. Isto envolveu a recusa deles em ouvir os pregadores da verdade (Enoque, Noé) e a luta do Espírito Santo em as suas próprias consciências. Ainda hoje, as restrições ao pecado são gradualmente eliminadas.
2. O homem se recusou a tirar proveito da maravilhosa misericórdia de Deus. Deus deu ao homem um espaço de tempo de120 anos para se arrepender.
3. No versículo 4, vemos que os homens brutos e maus eram os líderes e heróis daquele tempo. Os filhos destes casamentos mistos se tornaram famosos na sociedade, mas não diante de Deus.
4. O versículo 5 revela que a mente dos homens se tornou um esgoto do pecado. Só precisamos ligar a TV para termos exemplos modernos disto. Linguagem baixa e impureza sexual são o tema constante. Ninguém pode sair em público sem que ouça conversas profanas e sujas.
Os dias de Noé - Lucas 17.26. Nosso Senhor apontou que as características da vida antes do dilúvio reapareceriam antes da Sua segunda vinda. Tendo em vista as condições atuais, como isto nos instiga a olharmos para a vinda de Cristo. Note as características mencionadas:
1. Preocupação com o prazer físico - Lucas 17.27.
2. Explosão do conhecimento - Gênesis 4.22.
3. Atitudes Materialistas - Lucas 17.28.
4. Rejeição à Palavra de Deus - 1Pedro 3.19.
5. Aumento da População - Gênesis 6.1 e 11.
6. Propagação da Violência - Gênesis 6.11-13.
7. Atividade Sexual Ilícita - Gênesis 4.19.
8. Disseminação da Blasfêmia - Judas 15.

O "Arrependimento" de Deus (Gn 6.6-7): O versículo 6 nos diz que Deus se arrependeu ou mudou sua vontade a respeito da criação do homem. É claro que isto é linguagem de acomodação. Deus está falando como se Ele fosse homem. Estritamente falando, Deus nunca muda Sua vontade, pois Seus planos são eternos e imutáveis (1Sm 15.29; Rm 11.29; Nm 23.19).Esta forma de linguagem é usada para nos ajudar a entender a mudança que ocorreu no homem desde a criação, bem como a ira de Deus sobre o seu pecado. Mesmo Deus tendo criado o homem, Ele deve julgá-lo pelos seus pecados.
A Graça (Gn 6.8): aqui temos a primeira menção da "graça" na Bíblia. Ela ocorre durante a época da maior depravação do homem. A graça de Deus pode parecer muito restrita aqui, mas vamos lembrar que através deste único homem, a raça humana foi preservada. Muitos, quando lêem o versículo 8, vêem somente a justiça de Deus em não destruir um homem justo juntamente com o ímpio. Entretanto, isto está longe do significado da graça. Na verdade, Noé era um homem justo [vers. 6], mas lembre-se de que foi a graça de Deus que o fez assim (1Co 15.10).
A Família de Noé (Gn 6.9-10): Estas Escrituras nos dão mais informações a respeito de Noé. Ela nos fala de sua vida justa e de seu caminhar com Deus. Vale prestarmos atenção no versículo 9 que diz que Noé andava com Deus. O verbo demonstra que a vida de Noé era totalmente dedicada em andar com Deus. O versículo 10 menciona seus três filhos. Através deles a terra foi repovoada.

A Determinação de Deus acerca do dilúvio (Gn 6.11-13): Quando o pecado se torna aberto, o julgamento está próximo. Deus criou o homem santo e o colocou no jardim. Através do pecado o mundo tornou-se uma "selva". O julgamento acompanha o pecado. Portanto cuidemos de confiar mais e mais na justiça de Nosso Senhor Jesus que nos alertou dos dias em que vivemos.

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - XII

OS DESCENDENTES DE SETE (Gn 5.1-32)

O capítulo 5 do livro de Gênesis traz uma lista com a linhagem piedosa de Sete. Da mesma forma que o capítulo 4 trouxe a linhagem ímpia de Caim. Vale nota que nenhum descendente de Caim sobreviveu ao dilúvio. Portanto somos todos descendentes diretos de Sete. Isso nos ajudará a entender quem são os filhos de Deus e as filhas dos homens em Gênesis 6.
Mas aqui neste capítulo, que muitos não gostam ler, pois trata-se de uma genealogia, existem algumas dificuldades a ser resolvidas, além de nomes e idades de indivíduos. Vejamos:

A longevidade dos homens daquela época:"Os dias todos da vida de Adão foram novecentos e trinta anos" (Gn 5:5); Matusalém viveu "novecentos e sessenta e nove anos" (Gn 5.27); e a média da idade dos que tiveram uma vida normal foi superior a 900 anos. Contudo, a própria Bíblia reconhece que a maioria das pessoas chega até os 70 ou 80 anos, quando ocorre sua morte natural (Sl 90.10). Como resolver isso? Antes de mais nada, a referência no Salmo 90 é ao tempo de Moisés (1400 a.C.) e ao tempo posterior, quando a longevidade tinha decrescido para 70 ou 80 anos para a maioria, embora o próprio Moisés tenha vivido 120 anos (Dt 34:7).
Alguns sugerem que aqueles "anos" seriam realmente apenas meses, o que reduziria 900 anos ao período normal de vida de 80 anos. Entretanto, isso não é plausível por duas razões.
A) A primeira é que não há precedente algum no AT que tome a palavra "ano" com o sentido de "mês".
B) A segunda é que, como Maalaleel gerou um filho com a idade de 65 anos (Gn 5:15) e Cainã, aos 70 anos (Gn 5:12), isso significaria que eles estariam com menos de seis anos de idade ao terem filhos, o que é biologicamente impossível.
Outros sugerem que esses nomes representam linhas de famílias ou clãs que se mantiveram por gerações antes de terminarem. Entretanto, isso não faz sentido, por vários motivos.
a) Primeiro, alguns desses nomes (como por exemplo Adão, Sete, Enoque, Noé) são de indivíduos cujas vidas foram narradas no texto (Gênesis 1-9).
b) Segundo, linhas familiares não "geram" linhas familiares com nomes diferentes.
c) Terceiro, linhas familiares não "morrem", como aconteceu com cada um daqueles indivíduos (cf. 5:5,8,11 etc).
d) Quarto, a referência a ter "filhos e filhas"(5:4) não é compatível com essa teoria de clãs.
Conseqüentemente, tudo indica que o melhor é considerarmos serem anos mesmo (embora fossem anos lunares de 12x30=360 dias), e isso por diversas razões: (1) Antes de mais nada, posteriormente a vida foi reduzida a 120 anos como uma punição dada por Deus (Gn 6:3). (2) Depois do dilúvio, a duração da vida foi diminuindo gradativamente dos 900 anos (Gn 5) para os 600 (Sem: Gn 11:10-11), para os 400 (Sala: Gn 11:14-15), para os 200 (Reú: Gn 11:20-21). (3) Biologicamente, não há razão por que o homem não possa ter vivido centenas de anos. Os cientistas lutam muito mais para resolver o problema do envelhecimento e da morte do que o da longevidade. (4) A Bíblia não é a única a falar de centenas de anos como idade dos antigos. Há também registros do grego antigo e das eras egípcias que fazem menção a isso.
Portanto devemos entender que os homens viveram exatamente o que a Bíblia relata.

A cronologia deste relato: Devemos também entender que as genealogias não podem nos fornecer dados corretos acerca das datas, pois as genealogias da Bíblia não visam conter o nomes de todos os indivíduos. Deve-se entender que existe varias genealogias que ocultam nomes de alguns indivíduos. Se as idades mencionadas em Gênesis 5 e 10 foram somadas ao restante das datas do AT, o resultado será cerca de um pouco mais de 4.000 anos a.C. Mas os arqueólogos e antropólogos datam o homem de milhares de anos antes (pelo menos 10.000 anos).
Há uma boa evidência que sustenta a crença de que a humanidade tenha mais de 6.000 anos. Mas há também boas razões para se crer que há algumas lacunas nas genealogias de Gênesis. Primeiro, sabemos que há uma lacuna na genealogia do livro de Mateus, quando diz "Jorão, [gerou] a Uzias" (Mt 1:8). Mas, em comparação com 1 Crônicas 3:11-14, vemos que Mateus deixa fora três gerações (Acazias, Joás e Amazias). Segundo, falta pelo menos uma geração na genealogia de Gênesis. Lucas 3:36 menciona "Cainã" entre Arfaxade e Sala, mas o nome Cainã não aparece nessa ordem no registro de Gênesis (veja Gn 10:22-24). É melhor vermos Gênesis 5 e 10 como genealogias adequadas, não como cronologias completas.
Finalmente, pelo fato de se saber que há lacunas nas genealogias, não podemos determinar acuradamente a idade da raça humana simplesmente pela adição dos números de Gênesis 5 e 10.

Enoque - versículos 21-27. Aqui nós encontramos um dos homens mais interessantes das Escrituras. As coisas que sabemos a respeito de Enoque:
A. Enoque era o sétimo depois de Adão, e veio através de Sete [Judas 14-15]. É interessante notar que Lameque foi o sétimo depois de Adão, através de Caim [Gênesis 4:18-24]. Enoque foi um homem temente a Deus, enquanto Lameque foi um rebelde. Isto demonstra a influência de Caim e de Sete sobre suas famílias.
B. Enoque andava com Deus - vers. 24.
C.
Enoque pregou para sua geração ímpia [Judas 14-15].
D. Enoque agradou a Deus [Hebreus 11:5].
E. Enoque foi trasladado para a presença de Deus para não ver a morte [vers.24; Hebreus 11:5].
Os Descendentes de Lameque - versículos 28-32: Lameque (não deve ser confundido com o descendente de Caim) foi o pai de Noé. O nome Noé significa "descanso" ou "conforto". De alguma maneira Lameque viu em Noé alguém que foi enviado para confortá-lo, enquanto ele trabalhava na terra amaldiçoada pelo pecado. Note que Noé teve muitos irmãos e irmãs, mas, infelizmente nenhum deles se arrependeu e entrou na Arca. Verdadeiramente Noé permaneceu solitário em sua fé em Cristo. O capítulo termina dando os nomes dos três filhos de Noé. Através deste homem a terra foi repovoada após o dilúvio.

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - XI

OS DESCENDENTES DE CAIM E O NASCIMENTO DE SETE (Gn 4.16-26)

Nos versículos que iremos meditar hoje veremos uma serie de eventos importantes que devemos compreender de uma forma clara. Pois neles existe alguns pontos que os céticos apontam como contradições nas Escrituras Sagradas. Portanto se entendermos de forma correta teremos uma resposta a altura para os que tentam encontrar contradições na Bíblia.
Caim sai da presença de Deus (Gn 4.16): Caim e seus descendentes foram os cabeças da civilização ímpia que se afastou de Deus até os dias do dilúvio. Tudo começou quando ele se vai para longe de Deus. Ele vai para um lugar que recebe o nome de Node que significa “peregrinação ou exílio”. Não sabemos ao certo a localização deste lugar. A única pista que a Bíblia nos fornece é que o lugar ficava ao oriente do Éden.

Caim e sua mulher; Caim edifica uma cidade (Gn 4.17): Antes de Caim edificar uma cidade vemos algo intrigante, que serve de combustível para os céticos da Bíblia: Com quem Caim casou? Se a Bíblia relata que Deus criou Adão e após Eva e desta união nasceram apenas Caim e Abel, e que Caim mata a Abel, com que será que Caim se casou? Será que existia mais de uma família criada por Deus em outros lugares? Pois o texto diz que Caim conheceu sua mulher depois de ir para a terra de Node. Bom para entendermos este questão deveremos entender as seguintes considerações:
A. Será que Deus criou outros seres humanos na face da terra em lugares diferentes? E será que Adão e Eva não foram os únicos seres humanos criados por Deus? Se a resposta a estas perguntas fossem positivas então teríamos uma contradição nos textos sagrados da Bíblia, pois veja o que a Bíblia diz em Atos 17.26. De acordo com este texto observamos que a Bíblia declara que o ser humano foi criado um só, apenas Adão, e desse todos os outros vieram a existir. Então a teoria de que Deus criou outros seres em outras partes da terra não tem uma base bíblica sólida. Então com quem Caim se casou?
B. Não são registrados nas Escrituras os nomes de todos os filhos de Adão, e geralmente em uma genealogia não eram mencionados os nomes de mulheres.
C. Somente o nome de três filhos do primeiro casal são mencionados na Bíblia, a saber, Caim, Abel e Sete.
D. A Bíblia não declara a quantidade de filhos que Adão teve com Eva, só diz que foram muitos, filhos e filhas Gn 5.4
E.
Quando Adão teve seu filho Sete ele tinha 130 anos, e seria impossível terem apenas 3 filhos, visto que Deus deu uma ordem para que frutificassem Gn 1.28. Em 130 anos quantos filhos Adão e Eva poderiam ter? Com certeza muitos!
F. A Bíblia não diz que Caim era o primeiro filho do casal, Adão e Eva, e sim o primeiro varão, ou seja, o primeiro filho homem. Tiro essa conclusão da declaração de Eva quando ver Caim nascendo “E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu, e teve a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um varão.”(Gn 4.1). Com esta declaração nos abre uma grande janela para a compreensão deste problema, pois se Eva louva a Deus pelo fato de dar a luz a um varão, homem, é evidente que ela teria já concebido filhas, mulheres.
G. A Bíblia não diz que Caim conheceu sua mulher, no sentido de encontra-la, na terra para a qual ele fugiu, e sim que ele teve relações sexuais com ela naquela terra, pois o termos que encontramos em nossas traduções, como na João Ferreira de Almeida revista e corrigida como “conheceu” pode ser traduzida, como foi na NVI, por “teve relações”, ou ainda por “coabitou”, como esta traduzida na João Ferreira de Almeida revista e atualizada. E podemos tirar esta conclusão também através dos textos que mostra que Adão conheceu a Eva e ela deu a luz a filhos, vejamos em Gn 4.1, 25.
Portanto entendemos que em 130 anos, quando chegou o momento de Caim sair da presença de seus pais e partir para uma outra terra, Adão e Eva teriam cumprido a ordem de Deus para que crescessem e frutificassem, com isso não é difícil compreender que Caim teria como mulher uma de suas irmãs e até mesmo poderia ser provável que poderia ter se casado com uma de suas sobrinhas, filha de Abel, que ele teria matado. Pois é possível que Abel antes de morrer teria se casado e deixado descendentes, lógico que neste ponto não podemos afirmar com certeza, pois a Bíblia silencia quanto a isso, e para seguir o conselho de Paulo em 1Co 4.6, de não ir “além do que está escrito”, podemos afirmar que Caim se casou com uma de suas irmãs ou sobrinhas mas não com certeza, mas que de duas uma isso sim.
A cidade que Caim edificou recebe o nome de seu filho Enoque. Parece que o objetivo de Caim ao construir essa cidade é o de fugir de seu estado de fugitivo ou peregrino, conforme significa o nome Node, o lugar que ele teria ido antes. Este Enoque não é o que andou com Deus. O Enoque que andou com Deus foi descendente de Sete. Alguns nomes se repetem nas genealogias de Caim e Sete (Gn 5.18-24).

O primeiro caso de poligamia (Gn 4.19): Neste texto vemos o primeiro homem que rejeitou os princípios, estabelecidos por Deus, acerca do matrimonio monogâmico. Lameque foi o nome dele. Ele toma para si duas mulheres. Isso demonstra como a depravação tão logo se alastra sobre os descendentes do homem.

O primeiro caso em que homem fazem tendas e criam gados (Gn 4.20): Jabal, filho de Lameque e Ada, foi o primeiro homem a morar em tendas e a praticar a pecuária, criar gados.
O primeiro musico (Gn 4.21): Outro filho de Lameque, Jubal, foi o primeiro musico da história da humanidade. A palavra que aparece na nossa tradução para órgão significa na verdade flauta.

O primeiro a moldar metais (Gn 4.22): Tubalcaim, filho de Lameque com Zilá, foi o primeiro mestre em obras de metais. Se ele foi mestre significa que ele alem de exercer tal tarefa ele também ensinava.

O primeiro poema (Gn 4.23-24): Lameque foi o primeiro a fazer uma poesia. Mas esta poesia mostra o quanto estava a descendência de Caim longe de Deus. Pois ele tente se auto justificar pelos erros cometidos, e em vez de se arrepender ele canta e se sente justificado por matar com razão. Por isso dizia ele que quem tentar feri-lo seria mais castigado do que quem ferisse a Caim. É interessante notar que os que criaram as artes e outras coisas foram os descendentes de Caim.

O nascimento de Sete: Sete significa compensação ou renovo. Ao dar este nome ao seu mais novo filho Eva demonstra que ainda tinha esperança da promessa de Gênesis 3.15, que sua semente traria vitória e restauração à humanidade.

A primeira menção de uma referencia a oração (Gn 4.26): Vale notar mais uma vez que através da descendência de Caim houve muitas invenções, porém nenhuma delas de beneficio espiritual. Mas é da descendência de Sete, que é o ancestral de Noé e do Messias esperado, nasceu o primeiro que começa a invocar o nome do Senhor em oração, Enos era o seu nome.

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - X

O PRIMEIRO HOMICÍDIO (Gn 4.1-15)

Neste capítulo, nós continuamos a ver que Gênesis é sem dúvida nenhuma o livro dos inícios. Aqui nós temos o primeiro nascimento, adoração, assassinato, morte, mártir, cidade, bigamista, fundição, poesia e outras coisas mais. Este capítulo também revela como o pecado se espalhou na primeira família e então na sociedade. Verdadeiramente a depravação bem cedo floresceu e se espalhou.

I. Os Dois Filhos (Gn 4.1-2): Aqui nós temos o relato inspirado do nascimento das primeiras crianças no mundo. O primeiro recebeu o nome de Caim, que significa "adquirido" ou "obtido". Alguns acreditam que Eva pensou que ele seria o Messias prometido em Gênesis 3:15. Entretanto, parece que ela cedo aprendeu o triste fato de que este mundo é um lugar de tristeza e vazio. O segundo filho se chamou Abel, que quer dizer "vaidade" ou "vapor." Eva deve ter se tornado cada vez mais consciente da destruição que o pecado produziu. Entretanto, o nome de Caim parece mostrar que ela acreditava nas promessas de Deus.

II. As Duas Ofertas (Gn 4.3-5): É triste vermos que somente um dos sacrifícios pôde ser aceito por Deus. De maneira tangível, Deus mostrou sua aceitação da oferta de Abel (Hb 11.4). Deus fez acepção de pessoa? Antes de mais nada, Deus não faz acepção alguma de quem quer que seja, respeitando cada um pelo que é, por ser uma criatura feita à sua imagem e semelhança (Gn 1:27). Não fosse assim, ele estaria desrespeitando a si próprio. Quando a Bíblia diz que Deus não faz acepção de pessoas, ela quer dizer que ele não demonstra parcialidade alguma na aplicação da sua justiça. Como diz Deuteronômio 10, Deus "não faz acepção de pessoas, nem aceita suborno" (v. 1.7). Em outras palavras, Deus é completamente justo e imparcial em seus procedimentos.
Entretanto, há um sentido em que Deus discrimina algumas pessoas, por causa de seus atos perversos. Ele não se agradou de Caim e de sua oferta (Gn 4:5) porque ela não foi oferecida com fé (Hb 11:4). A Bíblia fala ainda que Deus aborreceu Esaú (Ml 1:3) e odiou a obra dos nicolaítas (Ap 2:6), não por causa da pessoa ou das pessoas, mas por causa dos atos delas. Como João disse aos crentes de Éfeso, eles deveriam odiar "as obras dos nicolaítas"(Ap 2:6). Deus ama o pecador, mas odeia o pecado.

III. Caim é Avisado - vers. 6-7.
Nada irrita mais um homem do que ser repreendido pela sua atitude orgulhosa. Deus alertou a Caim, porém, ele não deu ouvido. Eva foi induzida a pecar e agora Caim não podia o resistir.

IV. O Primeiro Homicídio vers. 8.
O primeiro homem á morrer sobre a terra foi um filho de Deus, que foi assassinado. Na verdade o ódio de Satanás pelos filhos de Deus é antigo [Gênesis 3:15; Gálatas 4:29]. Caim matou Abel porque ele era justo e conhecia o evangelho [1João 3:11-13].

V. Caim é Julgado - versículos 9-10.
O Senhor questionou Caim para que ele tivesse oportunidade de se arrepender do seu pecado. Infelizmente o assassino então mentiu. Quando nós seguimos o diabo, agimos da mesma forma que ele [João 8:44]. Um pecado leva ao outro. Com que freqüência o mundo responde como Caim "sou eu guardador do meu irmão?" Eles nem parecem calcular que a resposta seria sim [Mateus 22:39]. Deus disse que a voz do sangue de Abel clamava desde a terra. É o clamor de vingança, como também clamam o sangue de todos os mártires e vitimas inocentes da ira dos homens. Damos graças à Deus que o sangue de Cristo fala de coisas melhores[Hebreus 12:24].

VI. Caim é Punido - versículos 11-14.
A punição de Caim era em dois aspectos:
A. A terra de maneira nenhuma iria produzir um grão sequer para ele. Este castigo era pelo pecado de derramar o sangue do homem como se fosse uma coisa comum. Lembre-se que pela oferta de Caim nós podemos concluir que ele era um lavrador.
B. Ele seria um errante sobre a terra. Isto era para indicar que ele estaria fugindo de Deus [vers.14]. Este castigo parece ter causado muita tristeza em Caim [vers.13]. É triste notar que ele estava pesaroso por causa do castigo e não pela culpa de seu pecado.

VII. A Restrição de Deus - vers. 15.
A consciência de Caim lhe dizia que um assassino merece a morte. Seus temores parecem indicar que ele sentia que os homens automaticamente saberiam disso e procurariam a mata-lo. Por alguma razão Deus não permitiria que Caim fosse executado. O governo civil somente pode tirar a vida porque Deus o permitiu [Romanos 13:1-5]. A pena de morte somente foi instituída após o dilúvio [Gênesis 9:5-6]. Até então execução da vingança eram uma prerrogativa de Deus. (As palavras do versículo 15 não nos ensinam que o homem que se vinga sem autoridade é pior do que aquele que cometeu o erro? Aqueles que de forma errada se vingam, estão usurpando o trono de Deus [Romanos 12:19]).

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - IX

A PROVIDENCIA DE DEUS PARA O HOMEM APÓS O PECADO (Gn 3.15,20-24)

Aqui vemos quão grande é o amor do Deus que servimos. Pois mesmo com a grande desobediência do homem Ele deseja buscar o ser humano para que este tenha a sua comunhão com o criador restaurada. E logo após o pecado Deus deixa claro que estava tudo prepara do para que houvesse uma providencia para que o homem pudesse alcançar a redenção do seu pecado.
O Proto-Evangelho (Gn 3.15): Neste texto já vemos a intenção de Deus em enviar um que iria acabar com o poder do mal. Este versículo é conhecido como o proto-evangelho, que significa "o primeiro evangelho". Ele contém a primeira promessa de Cristo e da redenção através dEle. Verdadeiramente o restante da Bíblia pode ser visto como uma progressiva exposição deste versículo. Nós que temos a Bíblia completa podemos ver o quanto esta verdade está implícita e latente nesta pequena profecia.
A. A mulher iria trazer ao mundo alguém que venceria Satanás.
B. Este redentor "nasceria de uma virgem" pois Ele viria da "semente da mulher" (Gl 4.4).
C. O Redentor iria sofrer. Não somente Cristo foi moído na sua morte (Is 53.5), mas é notável que somente na crucificação seu calcanhar foi ferido.
D. O Redentor seria finalmente vitorioso, pois a idéia ensinada, é que o ferimento no calcanhar não é fatal como é o "esmigalhar" da cabeça. Aqui a ressurreição também está implícita, mas não tão abertamente.
E. Satanás e seus seguidores odiarão o Redentor e o seu povo (Jo 8.44; 1Jo 3.15).
F. Satanás iria perseguir o Redentor e o Seu povo. Os estudiosos da Bíblia têm notado o quanto Satanás lutou contra a descendência de Cristo através do Velho Testamento. Quantas vezes Satanás tentou exterminar o povo Judeu como um todo (Et 3.8-9,13). Ele tentou destruir a Cristo através de Herodes enquanto Ele era ainda um bebê (Mt 2.13-16). Ainda hoje os Cristãos são perseguidos e odiados. Mesmo os Judeus ainda são perseguidos por causa do plano futuro de Deus para esta nação (Ap 12.1-17). Nada disso nos surpreende quando recordamos que o primeiro assassino da Bíblia era um perseguidor religioso (Gn 4.8). Verdadeiramente esta "inimizade" ainda permanece viva.
G. Satanás será completamente derrotado, pois o ferimento na cabeça é mortal. O governo de Satanás será completamente destruído (Hb 2.14; Rm 16.20; Ap 20.10). Nós não queremos dizer que os santos do Velho Testamento entendiam tudo de Gênesis 3:15 que nós mencionamos aqui. Antes, nós como os santos do Novo Testamento, vemos nesta profecia o broto da promessa, da qual, a flor completa da história da redenção do Messias desabrocharia.
E chamou Adão o nome de sua mulher Eva (Gn 3.20): Devemos notar que antes do pecado a mulher não tinha este nome. Era chamada apenas de varoa, ou mulher. O nome Eva significa "viva" ou "vida". Assim como Adão foi rebaixado sob a sentença de morte, a presença da mulher, que era sua esposa, era o penhor da vida. Através da mulher é que a semente conquistadora haveria de vir e que a vida seria restaurada.

Deus Veste o Pecador (Gn 3.21): Por diversas razões os estudiosos da Bíblia têm visto nesta passagem um tipo do amor de Deus em enviar Seu Filho para morrer pelos pecadores, para que eles pudessem ser vestidos e aceitos através da justiça de Cristo (Is 64.6, 61.10; 2Co 5.21; Ef 1.6).
A. Deus realizou todo o trabalho de fazer as túnicas de peles. Se isso fosse apenas uma questão de conveniência ou conforto, Adão poderia cuidar pessoalmente disso. É claro que há uma aplicação espiritual aqui, ou isso tudo não teria necessidade de ser mencionado. A idéia é que Deus providenciou ao homem algo que ele não poderia providenciar por ele mesmo.
B. Antes que o homem pudesse ser coberto na vista de Deus, um animal deveria sofrer e morrer. A necessidade de se cobrir veio em decorrência do pecado. A cobertura perfeita não poderia ser criada pela obra do homem (folhas de figueira), mas pela morte ou sacrifício de um inocente. Que graça de Deus que nos relembra que a primeira morte física ocorreu não somente como o resultado do pecado, mas também para relembrar que Ele é o Salvador dos pecadores.
C. Naquela ocasião o homem, através do sacrifício feito pelo próprio Deus, o pecado do homem foi coberto. Mas em Cristo o pecado é tirado (Jo 1.29; 1Jo 1.7 – 2.2).

O Homem Lançado Fora do Jardim (Gn 3.22-24): Após pecarem Adão e Eva foram lançados para fora do jardim. Isto ocorreu para que eles não comessem da árvore da vida e então indefinidamente prolongassem suas vidas. É verdade que aparte de Cristo, uma vida longa aqui na terra seria uma maldição. O homem se sentindo imortal iria de mal a pior. A vida prolongada dos homens antes do dilúvio parece ter aumentado a maldade do homem (Gn 6.3-7). Muitas vezes a tirania e a maldade dos homens só terminam quando eles morrem. O homem não pode participar da árvore da vida até que o seu pecado seja extirpado (Ap 22.1-3).
No versículo 24 nós temos a primeira menção dos querubins. Estes misteriosos seres angélicos são sempre vistos na presença de Deus. Havia querubins de ouro supervisionando o propiciatório no Tabernáculo. Eles representavam os anjos que estão ansiosos para olhar para a redenção de Cristo (Êx 25.17-22; 1Pe 1.12). Há muitas coisas a respeito da árvore da vida que nós desconhecemos. Por que ela era necessária ou será novamente no futuro, nós não podemos responder. O que sabemos é que a árvore da vida era um tipo de nosso Salvador. Esta idéia é fortalecida pela presença dos querubins que estão sempre associados à redenção. Vamos procurar trazer os perdidos ao conhecimento de Jesus Cristo, a verdadeira árvore da vida, da qual nenhum pecador arrependido é barrado. Nós podemos ser usados como instrumentos para que os homens venham a Cristo, a fim de eles tenham vida (Pv 11.30).
Vemos que é grandioso o amor de Deus pela humanidade. Mesmo após o pecado o Senhor é aquele que preparou para o homem condições de continuar tendo esperança de restauração. Hoje isso é possível pois o sacrifício de Cristo é o que torna possível a restauração da nossa comunhão com o nosso Deus. Desde a fundação do mundo Deus já tinha providenciado a nossa vitória. (Ap 13.8)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - VIII

AS CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO DE ADÃO (Gn 3.7-19)

Na aula passada analisamos a queda do homem e como se deu a tentação. Compreendemos que a culpa de Adão é a nossa culpa por ter sido ele o nosso representante. Neste momento passaremos a tratar das conseqüências que tal desobediência trouxe sobre a vida do ser humano e em toda a criação.
I – O Homem veste-se a si mesmo (3.7): Tão logo o casal pecou, suas consciências já lhes condenavam. Viram que estavam nus, demonstra que o pecado agora traz uma nova percepção de si mesmo e do outro, quanto a nudez. Não havia mais inocência. Não eram mais como crianças. Eles pensaram que poderiam se vestir com suas próprias obras e justiças, ao invés da justiça de Cristo tipificada no verso 21 (2Co 5.21). Bem diferente disso, a única coisa que Cristo amaldiçoou durante Seu ministério terrestre, foi a figueira que só produzia folhas. Isto poderia mostrar o que Deus pensa das obras de religião aparte do perdão que nós temos em Cristo, e a verdadeira santidade é produzida em nós pelo Espírito Santo (Tt 3.5; Is 64.6).
II – Deus vem em busca do homem (3.8-9): Parece que o Senhor estava acostumado a se encontrar com Adão e Eva para terem comunhão. Que ocasião maravilhosa era esta quando o homem podia caminhar com Deus. Esta comunhão perdida, por causa do pecado, foi restaurada por Jesus Cristo. Deus evidentemente aparecia para Adão em semelhança de homem. Estas aparições no Velho Testamento são chamadas de teofanias, como em outras ocasiões em que Deus se manifestou a outras pessoas (Gn 18.1-2) e não devem ser confundidas com a encarnação de Cristo. Quando o Filho de Deus estava encarnado, Ele não somente apareceu na forma de homem, mas, realmente se tornou homem. Ele era então tanto Deus como homem (Jo 1.1, 14).
No verso 9, nós temos a primeira pergunta da Bíblia. Deus busca e pergunta sobre o paradeiro de Adão que estava perdido no pecado. É maravilhoso o fato de que a primeira pergunta do Novo Testamento foi de um homem pecador buscando o ultimo Adão, isto é o Salvador (Mt 2.1-2). Os homens perdidos necessitam hoje fazer estas duas perguntas: "Onde eu estou como pecador perdido?" e "Onde está o Salvador"? E maravilhoso o fato de vermos o Senhor buscando o homem, mesmo depois deste ter pecado. Mostrando assim que existe um desejo imenso em Deus de que todo o homem seja salvo, mesmo sendo ele pecador. Por isso que vemos Deus encarnado indo até a cruz do calvário para ali se entregar por nós e nos reconciliarmos novamente consigo mesmo, nós o agredimos com nosso pecado e é Ele quem nos busca para a salvação (Rm 5.6-11; 2Co 5.18-21; Cl 1.20)
III – A Destruição do pecado no homem (Gn 3.10-13): Que mudança o pecado imediatamente causou no homem. O pecado que havia transformado um anjo em um demônio, agora fazia a sua obra no homem.
A. O pecado levou o homem a um estado de morte espiritual, cumprindo-se o que Deus disse em Gênesis 2.16-17. A descrição de Adão após o seu pecado revela alguém alienado de Deus. A alegria e relacionamento com Deus foram perdidos. Pois o mesmo Deus que descia para ter comunhão com Adão antes do pecado desceu naquele dia e Adão sentiu medo de Deus. Todos os homens agora já nascem neste estado e necessitam de uma nova vida em Cristo (Rm 5.12; Ef 2.1).
B. O pecado distorceu a imagem de Deus no homem (Gn 1.27). Somente em Cristo isto pode ser restaurado (Cl 3.10).
C. O homem veio a sofrer de uma consciência culpada (vers. 7).
D. A consciência culpada trouxe medo ao homem. O conceito de medo era desconhecido do homem até a entrada do pecado (vers. 10).
E. O homem ao invés de admitir seu pecado, tentou justificar-se.
F. O homem, por natureza, devido ao pecado, passou a fugir e se esconder de Deus. Isso não significa que o ser humano consiga se esconder. Pois é impossível se esconder do Deus onipresente (Sl 139.1-12). A não ser que o Espírito Santo venha a atrair o homem, ele jamais sairá em busca do Senhor (vers. 10, Sl 14:2-3; Jo 6.44; Jo 16.8-11).
G. Adão e Eva, como todo aquele que peca, cedo aprenderam a dar desculpas. Eva culpou a serpente (vers. 13). Adão culpou sua mulher e parece ter insinuado que isto realmente foi culpa de Deus (vers. 12). Miseravelmente esta natureza passou para todos os seus descendentes (Lc 14.18).
H. Adão e Eva tão logo pecaram já demonstravam que não amavam mais à Deus. O quadro completo de Gênesis 3, revela o medo e o desagrado do homem para com Deus. Esta natureza agora faz parte do todo homem (Rm 8.7; Rm 5.10). Amar a Deus somente é possível para aqueles que receberam o novo nascimento sobrenatural. (1Jo 4.7-13).
IV – A sentença por causa do pecado: A Condenação da Serpente - versículo 14. Satanás usou a serpente como seu instrumento, e então Deus a amaldiçoou. Nós não sabemos como era a forma original deste animal, mas desde a sua maldição, o homem parece odiá-la e teme-la. Todas as serpentes eram tidas como imundas sob o regime da lei (Lv 11.42). Isto não quer dizer que há algo realmente pecaminoso a respeito deste animal. A lei cerimonial acerca da impureza, simplesmente ensinava que nós deveríamos detestar o que vem de Satanás, e a serpente é um símbolo dele como sendo sujo e perigoso. Nos é dito que a serpente "comeria do pó" da terra em que ela se rasteja e caça principalmente no chão. A frase "comer do pó" simbolicamente representa a humilhação (Sl 72.9; Ap 12.7-17; Mq 7.17; Rm 16.20).
A Condenação da Mulher – ver.16. 1. Por causa do pecado, o parto envolverá dor e tristeza. A dor multiplicada pode ser uma demonstração de que o pecado é transmitido aos filhos na sua concepção. 2. O pecado levou a mulher a ter muitas dores em seu relacionamento com o homem. Enquanto a sua liderança deveria ser uma benção para todos, o pecado tem impedido isto. O homem tem usado sua força e posição para trazer miséria à mulher. Note os apuros de muitas mulheres através da história e mesmo hoje em muitos lugares. Felizmente para aqueles que conhecem a Cristo, estes sofrimentos são grandemente reduzidos. No lar onde o homem segue o exemplo de Cristo, a sua liderança é uma grande benção para todos (Ef 5).
A Condenação do Homem - versículos 17-19. Quando Adão pecou, ele perdeu a habilidade de ter domínio total sobre a terra (Gn 1.28; Rm 8.22). A agricultura se tornou uma batalha contra a natureza. Espinhos, abrolhos, ervas daninhas e pestes crescem com mais facilidades do que as plantações. O trabalho se tornou uma tarefa suada e cansativa. Simplesmente trabalhar para poder sobreviver, exige da maioria das pessoas, labutar duramente e em meio a muitas dificuldades. A vida termina então com a morte física e o retorno do corpo ao pó.
Na próxima aula estudaremos sobre a provisão de Deus para com o ser humano após o pecado.

domingo, 24 de agosto de 2008

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - VII

A TENTAÇÃO E A QUEDA DO HOMEM (Gn 3.1-6)

Neste ponto chegamos ao episódio mais triste da história da humanidade. Quando o ser humano cedeu à tentação e escolhe desobedecer o mandamento de Deus. Deus providenciou para o ser humano tudo que ele precisava. Tinha no jardim do Éden alimento para nutrir o corpo, tinha trabalho para se ocupar, tinha companheirismo, tinha comunhão com seu Criador e tinha domínio sobre todos os animais criados por Deus. Porém isso tudo não foi suficiente para que ele se mantivesse fiel a apenas um mandamento que Deus lhe ordenara. Mandamento este para que não comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. O Senhor lhe avisou que a desobediência traria como conseqüência a morte (Gn 2.16-17). Mas não adiantou.
A serpente(Gn 3.1): Ao ler o texto de Gn 3.1 entendemos que a serpente não tinha a forma repulsiva que tem hoje, pois Eva não se assustou com ela (Gn 3.14). E devemos entender que a serpente foi um meio pelo qual o diabo se utilizou para enganar Eva. Vemos que em todo o capitulo 3 não aparece as palavras Diabo, Satanás ou outro nome ou título qualquer que seria referencia ao grande enganador. Aparece apenas a palavra serpente. Porém em vários versículos da Bíblia o Diabo é identificado como serpente (Jo 8.44; 2Co 11.3,14; Ap 12.9; Ap 20.2). A serpente era um animal fora do comum, no sentido de ser a mais astuta de tos animais do campo, e por esse motivo que nos leva a pensar que foi este animal que o Diabo preferiu usar para enganar a Eva. A palavra astuta deste texto pode e deve ser entendida da forma que Jesus usou quando aconselhou os seus discípulos serem semelhantes as serpentes na sua prudência (Mt 10.16). E esta disse à mulher, o Diabo falou através da serpente, talvez Eva não soubesse que animais não falavam; de qualquer modo Eva não se assustou com o fato. Existe na Bíblia outro relato em que um animal fala, o dia em que Deus abriu a boca da jumenta de Balaão. O fato da jumenta ter falado a Balaão foi um milagre divino; o fato da serpente ter falado à mulher foi um milagre diabólico (Nm 22.28). É assim que Deus disse: Não comerei de toda a árvore do jardim? Uma dúvida e uma insinuação, foi o que o Diabo lançou sobre Eva com sua pergunta. Através da forma que o Diabo tentou Eva nós entendemos que ele continua a agir da mesma forma, tentando colocar em questão a veracidade da Palavra de Deus. Foi o mesmo meio que utilizou na tentação no deserto contra Jesus (Mt 3.16-17; 4.3,6). É o meio que ele utiliza hoje para enganar as nações (1Tm 4.1; 1Co 11.13-15). Por esse motivo que Cristo nos exorta a se esforçar em conhecer as Escrituras (Jo 5.39; Mt 22.29). E esse foi o mesmo conselho dos apóstolos (2Pe 3.18; 1Tm 4.11-16; Ap 1.3).
A tentação (Gn 3.2-7): Nos versículos 2 e 3 Eva deixa claro que estava ciente do perigo de se desobedecer o mandamento do Senhor. E nos versículos 4 e 5 o Diabo cumpre o que ele faz desde o principio, diz que a palavra de Deus é mentira e que não há perigo na pratica do pecado. A lei de Deus, quando obedecida, era para o bem estar do homem. Satanás, entretanto, apresentou Deus como sendo egoísta e não tendo em mente o melhor interesse do homem. Ele insinuou que Deus estaria escondendo ou negando algo de bom para o homem. Estas mesmas tentações são lançadas hoje para o homem, e só podem ser vencidas pela fé (Ef 6.16). O que o Diabo ofereceu a Eva é algo que aparentemente não parece ser ruim, pois ele diz que no dia em que ela comesse do fruto ela seria igual a Deus. E todo e qualquer cristão deve desejar ser igual a Deus, pois foi assim que Deus desejou que fossemos. Quando Deus criou o homem Ele o criou a imagem e semelhança dEle, mostrando assim que desejava que o ser humano fosse parecido com Ele. Porem o que Satanás oferece para Eva não era bem isso. Pois o que ele queria era que Eva não levasse em conta a Palavra de Deus, que ela não se importasse com o que Deus havia dito. Ele tenta apresentar para ela a idéia que ela poderia tomar o lugar Deus. Pois para o cristão que deseja ser igual a Deus é agir como Jesus agiria em determinadas situações, é pensar com a mente de Deus, é amar como Ele nos amou... e não tomar o lugar que somente a Ele pertence. Nos é dito em Tiago 1:15, que a concupiscência ou os desejos ilícitos produzem o pecado. De acordo com 1João 2:15-16 todos os desejos pecaminosos são classificados em três categorias. Enquanto Eva estava diante da árvore do conhecimento do bem e do mal, ela se deparou com estas três tentações:
A concupiscência da carne - "a árvore boa para comer". A concupiscência dos olhos - "a árvore agradável aos olhos". A soberba da vida - "a árvore desejável para dar entendimento".
A concupiscência da carne refere-se a qualquer desejo que incita alguém a alimentar a natureza sensual da carne (imoralidade, embriaguez, glutonaria, etc.). O fruto deu "água na boca" de Eva, mesmo sendo ele um fruto proibido. A concupiscência dos olhos diz respeito àquelas tentações que apelam para os desejos ambiciosos dos homens de obter e possuir (roubo, avareza, etc.). A soberba da vida refere-se a todas as tentações que apelam para o orgulho pessoal do homem e seu desejo por aplauso ou grandeza.
A concupiscência da carne nos incita a procurarmos satisfação no prazer do pecado, e não no Senhor (Gl 6.7-8).
A concupiscência dos olhos nos leva a colocarmos as "coisas materiais" na frente do Senhor (Cl 3.15 - ultima frase).
A soberba da vida nos tenta a glorificarmos a nós mesmos ao invés do Senhor (Mt 23.12).
Com esta análise nós podemos entender melhor a vitória de Cristo sobre suas tentações (Lc 4.1-13). Satanás aproximou-se de nosso Salvador pelas três vias, mas ainda assim o Senhor não cometeu pecado. Ele foi bem sucedido aonde o primeiro Adão falhou.
Lc 4:1-4 - concupiscência da carne, Lc 4:5-8 - concupiscência dos olhos; Lc 4:9-13 - soberba da vida
Adão não foi enganado - Enquanto Eva foi enganada pelo Diabo (2Co 11.3) e levada pelos seus desejos, Adão pecou com toda consciência ou conhecimento daquilo que ele estava fazendo (1Tm 2:14).
A culpa do pecado de Adão - O homem tende a tratar o pecado de Adão como um assunto banal. Na verdade isto foi muito mais que "comer do fruo proibido". Adão tinha uma ordem simples e clara. Ele não possuía uma natureza pecadora para tão facilmente ser inflamada pelo pecado. Deus havia sido bom para ele, e todas as suas necessidades e desejos haviam sido supridas. A conseqüência do pecado tinha sido deixado bem clara. A atitude foi orgulhosa, um total ato de rebelião contra o Deus Todo Poderoso.
A queda do homem - Adão foi o representante de toda a raça humana. Nós não somente herdamos a sua natureza pecadora, mas em virtude de ele ser nosso representante, a Bíblia nos diz que nós pecamos em Adão. Neste sentido Adão foi o primeiro tipo de Cristo (Rm 5.14; 2Co 15.22 e 45). Pois assim como nós pecamos e morremos em Adão, da mesma maneira nossos pecados são pagos e nós vivemos em Cristo (Rm 5.12-19).

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - VI

A OCUPAÇÃO DO HOMEM NO JARDIM DO ÉDEN E A CRIAÇÃO DA MULHER (Gn 2.15-25)

A ocupação do homem no lugar que Deus lhe pôs (15-17): Nestes versículos citados observamos as funções que o homem recebe no lugar que Deus preparou para ele, o Jardim do Éden.
A primeira função que o homem recebe é a de lavrar a terra e guardar, cuidar, do jardim. Note bem que ao homem foi dado trabalho antes mesmo da entrada do pecado. Mostrando assim que uma idéia que tem sido divulgada, de que o trabalho é uma das causas do pecado, está errada. Na verdade o trabalho não é uma das causas do pecado, e sim uma função digna que Deus deu ao homem. O homem cuidava do cultivo das árvores e tinha o direito de se alimentar do fruto que as árvores produziam. Somente o trabalho faz o homem encontrar plena realização e contentamento. O trabalho de Adão era agradável enquanto a terra não tinha sido ainda amaldiçoada, como conseqüência do pecado de Adão (Gn 3.17-19). Insetos e plantas nocivas não estavam presentes ainda. Pragas e secas não eram problema. A generosidade da terra só necessitava ser direcionada e utilizada para beleza e nutrição. Após a queda de Adão o seu trabalho tornou-se menos agradável, mas não deixa de ser uma forma de o homem mostrar dignidade através desta função (Ec 5.12; Pv 21.25; Pv 13.11; Pv 14.23; 2Co 11.27; 1Ts 2.9; Ef 4.28)
Na maneira de Deus tratar com Adão, temos a base para a ética ou moral do trabalho (Êx 20.8-9; 2Ts 3.10-11). Que todo Cristão ensine suas crianças a necessidade e dignidade do trabalho. Vamos desempenhar também todo trabalho para a glória de Deus.
Além de receber a função de trabalhar, lavrando e cuidando, no jardim, Deus adverte Adão a não comer do fruto de uma espécie de árvore. Todas as outras ele poderia usar como alimento para nutrir o corpo. Porém a árvore do conhecimento do bem e do mal, não. A árvore do conhecimento do bem e do mal foi colocada no Éden para que o homem fosse testado. Muitos têm debatido a respeito de sua espécie. Isto é tentar ser sábio acima do que está escrito (1Co 4.6) e perde o objetivo principal. O homem já conhecia o bem, porque ele foi criado em santidade e também conhecia Deus (Ec 7.29). Ele somente poderia conhecer ou experimentar o mal pela desobediência a Deus. No versículo 17 nós temos a única restrição imposta ao homem e, portanto a única tentação ao pecado. Não levando em conta a natureza da árvore, comer de seu fruto era desobediência. Isto traria a morte e o conhecimento do mal. Há varias coisas que devemos considerar neste primeiro teste:
1. Através de Adão toda a raça humana foi testada. Adão era o cabeça da aliança e o representante de toda a raça humana (Rm 5.12-19). Cristo é chamado de o "ultimo Adão" porque Ele representou o Seu povo (1Co 15.45-49).
2. Deus fartamente supriu todas as necessidades e desejos de Adão (vers. 16). A única restrição a ele não o deixaria de maneira nenhuma com alguma necessidade (vers. 17). Não há desculpas para o pecado.
3. Adão não possuía uma natureza pecadora para o conduzir ao pecado (Gn 1.27).
4. Adão foi avisado das horríveis conseqüências do pecado. No dia em que ele comesse do fruto proibido ele morreria espiritualmente (Ef 2.1). Por causa do pecado de Adão o homem está agora morto espiritualmente, morto ou morrendo fisicamente, e sofrendo o risco da segunda morte (Ap 20.14).
Por que o homem envelhece e morre? Nós até podemos nunca entender o processo físico, mas através das Escrituras nós conhecemos a causa espiritual. Todo este conhecimento revela quão arbitrário e irracional foi o pecado de Adão. Isto não foi um pecadinho, mas uma traição contra a benevolência e a justa autoridade Deus. Antes da queda do homem, Deus alertou para a morte, enquanto o mundo somente conhecia a vida. Agora que a morte reina, Ele fala da vida em Jesus Cristo. Graças te damos, ó Deus, pelo ultimo Adão.
A criação da mulher (18-28): Esta curta e simples narrativa nos traz a origem da mulher, casamento e família. Muitos dos preceitos que tratam ao respeito do plano de Deus e ordem no casamento estão baseados nesta porção das Escrituras. Devemos considerar alguns fatos relevantes aqui:
A – Antes de o próprio homem sentir-se só, Deus conhece a necessidade do homem de ter uma companheira (18).
B – Quando Adão estava colocando nome nos animais vemos que esta necessidade foi evidenciada (19-20). E aqui devemos lembrar que o fato de Deus trazer os animais para ver como Adão os chamaria tem ligação com o que Deus desejava para o homem, dominar sobre a criação. Pois na cultura judaica era normal dar-se nomes as coisas dominadas.
C – A necessidade de Adão ter uma companheira foi suprida assim que ele dá nome a todos os animais, e se percebe que nenhuma das espécies criadas serviria de companheira. Colocando Adão em um profundo sono, Deus tomou uma de suas costelas e fez a mulher. Este método que Deus utilizou, levou um pregador a se referir à mulher como o "pó duplicadamente refinado e duplamente removido da terra". Sem dúvida a mulher foi feita do homem e não diretamente do pó, para enfatizar a unidade dos dois e a prioridade do homem.
A criação da mulher aconteceu enquanto o homem estava adormecido. Alguns têm sugerido que isto assim ocorreu para que todos soubessem que Adão não aconselhou a Deus. Certamente o motivo óbvio era para que Adão não sentisse dor nenhuma, em um mundo sem a presença do pecado. (21-25)
D – A instituição do casamento (22-24), o que observamos aqui é que de fato o casamento é uma instituição divina. O pecado que entrou na humanidade através de Adão faz com que os casamentos de hoje se acabem em divórcio. A intenção de Deus é que o casamento seja uma indissolúvel e abençoada união. Um homem e uma mulher unidos e sendo exclusivos dos demais. O pecado trouxe o divórcio, a poligamia, o concubinato, a poliandria, o adultério, a promiscuidade e a perversão. Mesmo o divórcio encontrado nas Escrituras é uma concessão por causa do pecado. Isto não faz parte do plano original de Deus (Mt 19.8-9).
E - A Ordem dos Sexos. Em 1Tm 2.11-13, Paulo observa a ordem da criação. O homem foi criado primeiro, e então foi feita a mulher para seu benefício. Podemos ver isso também em 1Co 11.7-9. O apóstolo Paulo ensina sobre a liderança do homem baseado neste fato. (Vamos lembrar que não devemos abusar desta posição. Paulo dá equilíbrio a este ensino, lembrando ao homem seu débito para com o sexo feminino 1Co 11.11-12. Também em Efésios a liderança oficial do homem Ef 5.23-24 é temperada com a introdução dos mútuos deveres de submissão Ef 5.21).

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - V

DEUS TERMINOU A SUA OBRA, O PRIMEIRO SÁBADO, NOVAMENTE RELATA A CRIAÇÃO E O LUGAR DO HOMEM (2.1-14)

O Primeiro Sábado (1-3): No sexto dia Deus terminou Sua obra da Criação. O sétimo dia foi separado, santificado, como um dia de descanso. Este não era um descanso motivado pelo cansaço, mas um descanso de alegria e satisfação, até mesmo porque o nosso Deus não se cansa (Sl 121.3-4). Mas a palavra que aparece neste texto significa literalmente “cessar, terminar...”, ou seja, quando Deus terminou a sua obra não havia mais o que se fazer, pois tudo que Deus fez é perfeito (Gn 1.31). Quando o sábado foi incorporado na Lei de Israel (Êx 20:8) ele tinha o mesmo padrão dado aqui. O sétimo dia foi separado, santificado, para descanso. : Aqui a palavra santificar é usada pela primeira vez. Santificar significa "separar". Isto nos ajuda a entender o posterior ensino bíblico da santificação.
Os Cristãos referem-se freqüentemente ao Domingo como o "Sábado Cristão". Mas na minha opinião o que devemos entender é que não existe mandamento algum, nas Escrituras Neo-Testamentárias, para que se guarde algum dia em especifico, mas ao contrário, existem textos que negam esta idéia (Cl 2:14-16; Gl 4:9-10; Rm 14:5). Nós deveríamos, entretanto, reconhecer o princípio, o motivo, do sábado. O sábado foi instituído para o bem estar físico, espiritual e mental do homem (Mc 2:23-27, note vs. 27; Dt 5.15; Ez 20.10-12). O homem necessita de um dia para descansar e se alimentar espiritualmente. Os Cristãos seguem o padrão do Novo Testamento ao se reunirem no primeiro dia da semana. Este foi o dia em que Cristo ressuscitou (Jo 20:1; At 20:7; 1Co 16:2). Durante a primeira semana em que Deus criou o mundo, Ele separou um dia para contemplar e se deleitar da obra da criação, da qual o homem foi seu alvo principal.

Criação é relatada novamente e o lugar para o homem (4-14): Neste ponto vemos não um novo relato da criação, mas na verdade é o mesmo relato do capítulo 1 só que com detalhes que se ocultaram no primeiro capítulo. O capítulo 2 trata com mais detalhes principalmente a obra da principal criação de Deus, o ser humano. No versículo 4 lemos “estas são as origens dos céus e da terra...” demonstrando assim que seria mais uma vez relatada a obra de Deus.
É no versículo 4 que, também, aparece pela primeira vez o nome literal de Deus YHWH, é a palavra SENHOR que aparece com todas as letras maiúsculas. Todas as vezes que você ler nas Escrituras a palavra SENHOR é onde aparece o nome literal de Deus. Nome este cuja pronuncia é desconhecida. Pois é formada apenas por quatro consoantes. Originalmente este nome tinha a sua pronuncia, mas somente os sumos sacerdotes quem conheciam tal pronuncia. Este nome para os judeus é sagrado, tanto que eles nem tentam pronuncia-lo. Existem vários grupos religiosos que tentam dar a pronuncia correta para este nome. Os testemunhas de Jeová afirma que a pronuncia verdadeira do nome literal de Deus é Jeová. Tiram tal pronuncia através de colocarem as vogais do nome Adonai, do original. Que teriam o nome YeHoWaH, que latinizado teria a pronuncia Jeová. A maioria das traduções da Bíblia em português traz a palavra SENHOR quando aparece o nome literal de Deus, YHWH. Temos versões que trazem o nome Javé também.
Nos versículos 5 e 6 observamos um relato de como era a terra antes da criação dos seres viventes e do homem. A terra era irrigada, um vapor que subia da terra, diferente do tipo de irrigação que temos hoje (Ec 1.6-7).
No versículo 7 vemos o relato de como Deus criou o homem. Este texto nos mostra como ocorreu a principal obra de Deus, o ser humano. E esta narração vem nos esclarecer o significado do verbo Barah, que estudamos na nossa segunda aula, pois demonstra que o ser humano foi criado por uma ação divina e não houve nenhuma manifestação espontânea. Demonstra também que este ser foi criado de uma forma totalmente diferente dos demais seres, pois Deus sopra nas suas narinas o fôlego de vida (Jó 33.4).
O termo formou no texto em questão é uma palavra que era usada freqüentemente em relação com a obra de um oleiro (Is 45.9; Jr 18.6).
Pó da terra neste texto mostra-nos algo extremamente importante. Pois demonstra que o homem foi formado basicamente da substancia que existe no solo. Coisa que a ciência demonstrou e comprovou como verdade. Pois com o avanço da ciência os cientistas podem saber do que é feita a coisa, e nos homem eles descobriram que não existe muita diferença entre o corpo humano e a terra, solo. (1Co 15.47; Gn 3.19).
E soprou em seus narizes o fôlego da vida, esta expressão demonstra que a vida que esta no ser humano provem totalmente de Deus. O corpo do homem só tem a vida por que Deus soprou a vida nele (Jó 33.4).
Nos versículos 8 a 14 vemos a residência original do homem não foi em uma mansão, mas em um jardim. Casas e também roupas, vieram após a entrada pecado. Deus providenciou todas as coisas que Adão necessitaria antes de cria-lo. Havia alimento para sua nutrição e prazer e beleza para os olhos. Havia uma ocupação para passar o tempo e trazer satisfação (vers. 15). Havia até companheirismo (vers 18). Em tudo isso nós vemos o amor e bondade de Deus. Duas árvores são especialmente mencionadas (vers. 9). Uma destas árvores, era a árvore da vida, a qual é o mais difícil de entendermos. Ela é mencionada várias vezes nas Escrituras (Gn 3.24, Ez 47.12, Ap 2.7 e 22.2). De alguma maneira ela estava relacionada á saúde física.
As Escrituras também mencionam um rio que corria através do Éden. Isto também ajudava a regar o jardim que estava do lado oriental do Éden (vers. 8). Nos versículos 10 a 14 nós temos algumas informações a respeito de seus quatro afluentes e as áreas pela quais eles percorriam. Embora hoje não seja possível determinar a localização do Éden, através destas informações, nos parece que ele se localizava na região do "Fértil Crescente". Esta área é geralmente reconhecida como o berço da civilização. E por citar nomes de dois rios que existem até hoje, na região que era conhecida como mesopotâmia, temos uma vaga idéia de onde se encontrava o Jardim que ficava na região denominada Éden. Essa região hoje é a região que fica no oriente médio no sul do Iraque. Éden significa agradável, prazer ou deleite.
Na próxima aula veremos a ocupação do homem no lugar em que Deus o colocou e também o relato da criação da mulher.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - IV

OS DIAS DA CRIAÇÃO – II (Gn 1.26-31)

O sexto dia da criação – II (26-31): Na nossa segunda aula já vimos que o ponto mais alto de toda a obra da criação é a criação do ser humano. Pois aqui observamos algo que é singular em toda a obra da criação que Deus realizou.
A primeira coisa que devemos analisar aqui é que a obra da criação do ser humano é uma manifestação do Deus Trino. O que observamos é que está implícito aqui a verdade da Trindade, pois quando se lê “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” entendemos claramente que mais de uma pessoa estão envolvidos nessa obra. A frase na primeira pessoa do plural (nós – oculto) deixa esta idéia muito evidente. Mas quem que está envolvido nesta obra? No Antigo Testamento a doutrina da Trindade é algo que só se percebe de forma implícita, mas é no Novo Testamento que vemos esta doutrina explícita. Para chegarmos a conclusão de quem são as pessoas envolvidas nesta obra devemos analisar, biblicamente, quais indivíduos que recebem tal capacidade. Devemos entender que a Bíblia atribui a Deus, somente, a obra da criação, inclusive do homem (Gn 5.1). E a Bíblia também diz que este Deus que criou o homem é único, conforme Deuteronômio 6.4, porém a palavra único neste texto é a palavra Echad, que significa uma unidade composta, diferente da palavra Yachyd, que significa uma unidade absoluta. Echad aparece em textos como Gn 2.24, que diz que homem e mulher seriam os dois uma só carne, o que devemos entender é que homem e mulher são duas pessoas mas que por ocasião do casamento se tornaria uma só carne, que nos mostra se uma unidade composta por duas pessoas, homem e mulher. Yachyd aparece em texto como Gn 22.2, que diz acerca do único filho de Abraão, Isaque. Aqui a palavra único significa uma unidade absoluta. É importante ressaltar que a palavra yachyd nunca aparece em referência à unidade de Deus. Agora voltemos a nossa questão, quem são as pessoas envolvidas na obra da criação do ser humano. É bem evidente, e isso não se costuma discutir, que Deus Pai é Criador do homem, pois sempre que aparece Deus como Criador do homem logo subtendesse como Deus Pai (Ec 7.29; Sl 100.3; Cl 3.10). A segunda pessoa que identificamos como Criador do homem é o Senhor Jesus Cristo, pois em diversos textos O vemos sendo identificado como tal (Jo 1.1-3; Jo 1.10; Cl 1.14-17). Até aqui já identificamos duas pessoas envolvidas na criação do homem. A terceira que encontramos envolvidos nesta obra é o Divino Espírito Santo (Jó 33.4; Sl 104.30). É importante ressaltar que os anjos não recebem tal poder, de criação, e é manifesto nas Escrituras que eles foram criados por Deus (Ez 28.14-15), portanto Deus não poderia está falando com os anjos para participarem da obra da criação, pois somente Deus tem o poder de criar, e somente Ele é identificado, biblicamente, como o Supremo Criador do ser humano. Vale frisar, mais uma vez, que o Deus que servimos é um, um único SER, e que o único Deus é três pessoas e cada pessoa da Divindade é plenamente Deus. Por isso Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo por nos criar.
A segunda questão que trataremos aqui é o que significa ser imagem e semelhança de Deus, pois o texto em questão diz: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...”, ressaltaremos alguns pontos necessários para compreender este texto: a) A criação do homem foi de fato algo muito especial, pois é o único ser criado que recebe o privilégio de receber tal honra, trazer em si a imagem e a semelhança do seu criador. Imagem esta que foi desfigurada devido o pecado de Adão, questão esta que estudaremos mais adiante, quando trataremos da questão da queda do homem. Lembrando que a imagem é semelhança de Deus no homem foi desfigurada e não retirada (Gn 9.6; Tg 3.9). E esta será restaurada no homem após ele ter um encontro real com Cristo, e totalmente restaurada na redenção final. b) Ser imagem e semelhança de Deus não é na nossa forma física, pois Deus não possui um corpo físico, pois Ele é Espírito (Jo 4.24), e um espírito não tem corpo (Lc 24.39). Em algumas passagens bíblicas lemos que há referências sobre “A mão de Deus”, “os olhos de Deus”, os pés de Deus” etc..., o que se deve entender é que estas expressões são conhecidas como antropomorfismo, vem de duas palavras gregas antropos – homem, ser humano – e morphe – forma. Termo que designa a atribuição de formas humanas a Deus, isso acontece para que nós seres humanos, que somos extremamente limitados, entendamos o Criador e como Ele age da melhor forma possível. c) Somos imagem e semelhança de Deus no caráter moral e natural. As características morais de Deus em nós foram manchadas com o pecado, pois Deus criou o homem perfeito, mas o pecado desfigurou isso no ser humano (Ec 7.29). Como características naturais de Deus em nós inclui características como vontade, justiça e santidade (Ef 4.24); intelecto, conhecimento (Cl 3.10), emoções, amor (1Jo 4.7). d) Não é só o homem, macho, que é imagem e semelhança de Deus, pois no texto de Gn 1.27 diz que tanto homem como mulher, macho e fêmea, foram criados a imagem e semelhança de Deus. Mostrando assim que o sexo do indivíduo não faz dele melhor do que o outro. Mostrando assim a igualdade diante de Deus entre homem e mulher, o que muda na verdade é a função que cada um recebe, sem que isso torne um mais importante do que o outro (Mt 19.4; Mc 10.6). e) É bom entendermos também que o fato de ser o homem imagem e semelhança de Deus faça dele um ser divino. Pois não é (Sl 8.5).
A terceira questão em analise é a função do homem em meio a criação. Aqui veremos alguns pontos importantes sobre esta questão: a) é bom, antes de vermos propriamente dita as funções do homem, analisar o propósito das outras coisas criadas, em relação ao homem. Pois o que vemos é que as coisas anteriormente criadas foram criadas para beneficio do homem, como lemos no texto de Gn 1.29-30. É bom lembrarmos que isso não nos dá o direito de usar do suprimento da natureza de uma forma desordenada, e que também o homem não é um intruso na terra, como pensam alguns naturalistas. b) Dominai: aqui vemos a primeira função que Deus dá ao homem (Gn 1.26 e 28), de dominar sobre a terra e sobre o reino animal. Dominar aqui significa cuidar também. Esta função o ser humano deixou de cumprir, pois devido ao pecado ele perde o domínio (Gn 3.17-19), esse é um dos motivos de Cristo ter assumido a forma humana. Para sub-julgar toda a criação e cumprir o propósito original do ser humano (Mt 28.18). c) Frutificai, multiplicai-vos, e enchei a terra (Gn 1.28): esta é outra função do ser humano, que é a de constituir famílias.
Aqui chegamos ao fim do relato do capítulo 1 de Gênesis e o desfecho glorioso é que tudo o que Deus fez e criou é bom, inclusive em cada dia que Deus realizou a sua obra Ele conclui que é bom, porém no sexto dia é declarado que tudo é muito bom. As obras de Deus são boas mas o pecado de Adão fez algumas desfigurações, porém o Cristo que servimos e adoramos restaurará a perfeição desta obra gloriosa. (Rm 8.19-25).Sendo assim rendemos honras e glórias ao Deus que tudo criou para sua glória. (Sl 19.1-4)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - III

OS DIAS DA CRIAÇÃO – I (Gn 1.3-25)

Antes de falarmos propriamente dito dos dias da criação precisamos fazer algumas considerações preliminares.
Devemos lembrar que tudo que foi feito por Deus, foi feito pelo poder magnífico da sua palavra, quando lemos no versículo 3 a frase “E disse Deus” é uma demonstração de que a sua obra é realizada pelo poder da sua palavra. Vemos freqüentemente a palavra de Deus em ação, na criação (vers. 3, 6, 9, 11, 14, 20, e 24; Hb 11:3); Quando almas são salvas (1Co 1:21; Rm 10:17); Cristãos são limpos (Jo 17:17); E o julgamento vem sobre os ímpios (Ap 19:15), tudo através da instrumentalidade da Palavra de Deus. E ainda se faz referência a Jesus Cristo como a Palavra encarnada (Jo 1:1,14).
Devemos observar também quando nos versículos 5 e 8 que está escrito “E chamou Deus”, pois na cultura judaica quando alguém da nome a alguma coisa significa que este alguém tem domínio sobre o objeto nomeado. Demonstrando assim que Deus tem domínio sobre a sua criação. Isto, para nós que cremos em um único Deus, é algo maravilhoso, porém para os que acreditam em vários deuses e que cada um governa sobre uma parte da terra causa um grande problema, pois o que vemos é um único Deus dando nomes e dominando sobre a sua criação.

O primeiro dia da criação (3-5): Como já estudamos na aula passada, que a luz como obra criadora de Deus no primeiro dia, antes da criação do sol, é a luz que devemos entender como a luz que irradia de Deus, que traz vida, ou o principio de toda a vida. E vimos, também, que esta luz, como vida, é tipificada na vida do cristão como a vida eterna, a salvação em Cristo. (1Jo 1.5-7; 1Jo 2.7-11; 1Pe 2.9)

O segundo dia da criação (6-8): Aqui lemos o relato da criação da atmosfera, o céu que vemos a olho nu, (Jó 37.18; Is 40.22)o céu como espaço das aves. Neste texto, Gn 1.6-8, observamos que tanto a água em estado liquida como no estado gozoso é reconhecido como água. O firmamento, atmosfera, recebe o nome de céu (8).

O terceiro dia da criação (9-13): No terceiro dia da criação vemos a obra criadora de Deus se manifestando na separação da terra e do mar. Isso nos leva a entender que a terra era totalmente coberta pelas águas. Tiramos esta conclusão através do versículo 9, onde está escrito: “Ajuntem-se às águas debaixo dos céus em um só lugar; e apareça a porção seca.” Existem outros textos ba Bíblia que da este mesmo ensinamento (Jó 38.8-11; Sl 104.6-9; Jr 5.22; 2Pe 3.5). Foi no terceiro dia que Deus criou também a vegetação (10-12), e isso segundo a sua espécie, que contraria a falsa teoria da evolução e da criação espontânea. Também encontramos referências Bíblicas sobre esta obra de Deus (Sl 65.9-13; Sl 104.13-17).

O quarto dia da criação (14-19): Chegamos agora no quarto dia da criação, onde é criado os luminares: sol, lua e estrelas. Neste texto observamos que os luminares recebem suas funções: Primeiro, fazer separação entre dia e noite; Segundo, para servir de sinais para tempos, dias e anos; e Terceiro para iluminar a terra. O lunimar maior seria o que governaria o dia e o luminar menor para governar a noite (Sl 136.8-9). Esta obra criadora de Deus é também constatada em vários textos bíblicos (Sl 8.3; Sl 33.6; Sl 74.16; Sl 136.7; Is 40.26; Jr 31.35; Am 5.8) Interessante é que as palavras sol e lua são evitadas aqui nestes textos (14-19), pois a palavra que aparece para fazer referências a eles é literalmente “luzeiros ou luminares”, pois as palavras usadas para sol e lua eram usadas para fazer referências a divindades ligadas a eles. A palavra sol aparece pela primeira vez na Bíblia em Gn 15.12 e devido a adoração a este objeto Deus faz proibições a esse tipo de culto em Dt 4.19; Dt 17.3.

O quinto dia da criação (20-23): No quinto dia vemos o surgimento das primeiras criaturas vivas, Deus criou os peixes e as aves. Esta verdade é confirmada por vários textos bíblicos também (Sl 146.6; Gn 2.19). A palavra que aparece no texto do versículo 21 como baleia, na tradução de João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida, no original é literalmente grandes animais marinhos, que na mitologia Cananéia era o nome dado a um grande monstro marinho. A mesma palavra é usada para figurar como grandes adversários de Deus. Porém aqui é retratado com sendo boa toda a criação de Deus. Aqui observamos, da mesma forma que acontece com as plantas, que os animais foram criados de acordo com suas espécies (21). A benção de Deus sobre os seres viventes faz com que eles encham o mar e o ar. (22).

O sexto dia da criação – I (24-25): Aqui chegamos ao sexto dia da criação, e aqui iremos dividir em duas partes. Pois a obra da criação do sexto dia inclui também a criação do ser humano, e por ser a criação do ser humano algo de extrema importância, iremos dedicar um dia somente para o estudo desta questão, a criação do homem.No sexto dia Deus criou os animais terrestres, incluindo insetos, gados, répteis, e as bestas feras. Neste texto observamos novamente a questão que Deus criou tudo conforme as suas espécies. (Gn 2.19)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

ESTUDO SOBRE A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA.

A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA



Temos visível evidência que a Bíblia é uma revelação de Deus. E é nos dito na Bíblia que Deus deu a revelação por inspiração. Se a Bíblia é a revelação de Deus, justo é deixá-la falar por si mesma sobre a sua própria natureza. É nosso propósito, então, inquirir neste capítulo do sentido e da natureza da inspiração, segundo o propósito testemunho da Bíblia.
No curso que estamos seguindo aqui observamos a razão no seu sentido mais elevado. Mostrou-se que a razão requer uma crença na existência de Deus. E apontou-se, além disso, que é razoável esperar uma revelação escrita de Deus. É da competência da razão, então, em relação à revelação, primeiro que tudo, examinar as credenciais de comunicações que professam ser uma revelação de Deus. Se essas credenciais forem satisfatórias, deve então a razão aceitar as comunicações como vindas de Deus; daí, aceitar as coisas apresentadas como sendo verdadeiras. "A revelação é o vice-rei que apresenta primeiro suas credenciais à assembléia provincial e então preside" (Liebnitz). Na maneira precitada "a razão mesma prepara o caminho para uma revelação acima da razão e garante uma confiança implícita em tal revelação quando uma vez dada" (Strong).
Acima da razão não é contra a razão. É apenas calvo racionalismo que rejeita tudo que não pode aprofundar ou demonstrar racionalmente. "O povo mais irrasoável do mundo é aquele que depende unicamente da razão, no sentido estreito" (Strong). O mero arrazoamento ou o exercício da faculdade lógica não é tudo da razão. A razão, no seu sentido lato, compreende o todo da força mental para reconhecer a verdade. A razão só pode rejeitar justamente aquilo que contradiz fatos conhecidos. E então, para estar seguro, a razão deve estar "condicionada em sua atividade por um santo afeto e iluminada pelo Espírito Santo" (Strong). A semelhante razão a Escritura não apresenta nada contraditório, conquanto ela faz conhecido muito, além do poder desajudado do homem para descobrir ou compreender completamente.
I. O SENTIDO DA INSPIRAÇÃO
Quando Paulo disse: "Toda a Escritura é dada por inspiração de Deus" (II Timóteo 3:16), ele empregou a palavra grega "theopneustos" com a idéia de inspiração. A palavra grega compõe-se de "theos", significa Deus, e "pneu", significando respirar. A palavra composta é um adjetivo significando literalmente "inspirado de Deus". Desde que é o fôlego que produz a fala, esta palavra proveu um modo muito apto e impressivo de dizer que a Escritura é a palavra de Deus.
II. O ELEMENTO HUMANO NA INSPIRAÇÃO
Contudo, foi só em casos especiais que as palavras a serem escritas foram oralmente ditadas pelos escritores da Escritura. Em muitos casos as mentes dos escritores tornaram-se o laboratório em que Deus converteu Seu fôlego, como se fosse, em linguagem humana. Isto não se fez por um processo mecânico: não se suspenderam a personalidade e o temperamento dos escritores, manifestos ambos nos escritos. Daí lemos em Gaussen: "Ao mantermos que toda a escritura vem de Deus, longe estamos de pensar que nela o homem nada é ... Na Escritura todas as palavras são do homem, como lá, também, todas as palavras são de Deus. Num certo sentido, a Epístola aos Romanos é totalmente uma carta de Paulo e, num sentido ainda mais elevado, é totalmente uma carta de Deus" (Theopneustia, um livro altamente endossado por C. H. Spurgeon). E como lemos também em Manly: "A origem e a autoridade divinas da Palavra de Deus não são para se afirmar de modo a excluir ou anular a realidade da autoria humana com as particularidades daí resultantes. A Bíblia é a palavra de Deus ao homem, de capa a capa; ainda assim, é ao mesmo tempo, real e completamente, composição humana. Nenhuma tentativa deverá ser feita ! como certamente não faremos nenhuma ! para alijar ou ignorar o "elemento humano" da Escritura, o qual está iniludívelmente aparente na sua própria face; ninguém deverá desejar engrandecer o divino tanto a ponto de o atropelar, ou quase isso. É este um dos grandes enganos em que incorrem homens bons. Divino e humano, sejam ambos admitidos, reconhecidos e aceitos grata e jubilosamente, contribuindo cada um para fazer a Bíblia mais completamente adaptada às necessidades humanas como instrumento da graça divina e o guia para almas humanas fracas e errantes. A palavra não é do homem, quanto à sua fonte: nem dependendo do homem, quanto à sua autoridade: é por meio do homem e pelo homem como seu médio; todavia, não simplesmente como o canal ao longo da qual corre, qual água por uma bica sem vida, mas pelo homem e através do homem como o agente voluntariamente ativo e inteligente na sua comunicação. Ambos os lados da verdade se expressam na linguagem escriturística: "Os homens santos de Deus falaram segundo foram movidos (levados) pelo Espírito Santo" (2 Pedro 1:21). Os homens falaram; o impulso e a direção foram de Deus" (A Doutrina da Inspiração). "As Escrituras contém um elemento humano bem como um divino, de modo que, enquanto elas constituem um corpo de verdade infalível, esta verdade está ajeitada em moldes humanos e adaptados à comum inteligência humana" (Strong).
III. A INSPIRAÇÃO EXECUTADA MILAGROSAMENTE
O elemento humano na Bíblia não afeta sua infalibilidade, tanto como a natureza humana de Cristo não afetou Sua infalibilidade. A inspiração se afetou milagrosamente tanto como o nascimento virginal de Cristo se efetuou milagrosamente e tanto como os homens são trazidos ao arrependimento e à fé milagrosamente. O arrependimento e a fé são atos humanos voluntários, contudo operam-se no homem pelo Espírito Santo. Deus efetuou o milagre da inspiração preparando providencialmente os escritores para o seu trabalho e revelando Sua verdade aos mesmos, habilitando, guiando e superintendendo-os no arquivamento dela como para dar-nos por meio deles uma transmissão exata e completa de tudo quanto Lhe aprouve revelar.
"Conquanto o Espírito Santo não selecionou as palavras para os escritores, evidente é que Ele as selecionou através dos escritores" (Bancroft, Elemental Theology).
IV. MÉTODOS NA INSPIRAÇÃO
O elemento miraculoso na inspiração, sem duvida, não pode ser explicado. E não temos nenhum desejo que o homem possa explicá-lo. Mas até um certo ponto, no mínimo, podemos discernir das Escrituras os métodos que Deus usou na inspiração. Um estudo dos métodos empregados deveria levantar nossa apreciação da inspiração.
(1) Inspiração por meio da revelação objetiva.
Algumas vezes se deu uma revelação direta e oral para ser escriturada, tal como foi o caso ao dar-se a Lei mosaica (Ex. 20:1) e tal como foi o caso, algumas vezes, com outros escritores (Dan. 9:21-23; Apo. 17:7).
(2) Inspiração por meio de visão sobrenatural.
Noutros casos deu-se uma visão sobrenatural com ou sem uma interpretação dela, como foi o caso com João na Ilha de Patmos.
(3) Inspiração por meio de Passividade.
Noutras vezes, quando não se nos dá evidencia de uma revelação externa de espécie alguma, os escritores foram tão conscienciosa e passivamente movidos pelo Espírito Santo que ficaram sabidamente ignorantes de tudo quanto escreveram, como foi o caso com os profetas quando escreveram de Cristo (1 Pedro 1:10).
(4) Inspiração por meio de iluminação divina.
Algumas vezes foi dada aos escritores tal iluminação divina como para habilitá-los a entenderem e aplicarem a verdade contida em prévias revelações, mas não feitas inteiramente claras por eles; como foi o caso com escritores do Novo Testamento ao interpretarem e aplicarem a Escritura do Velho Testamento (Atos 1:16, 17, 20; 2:16-21; Rom. 4:1-3; 10:5-11).
(5) Inspiração por meio da direção de Deus.
Em alguns casos os escritores foram meramente de tal modo guiados e guardados como para serem habilitados a recordar tais fatos históricos segundo Deus se agradou de os fazer recordar, quer fossem esses fatos pessoalmente conhecidos deles, ou obtidos de outros, ou revelados sobrenaturalmente. Todos os livros históricos são exemplos oportunos aqui.
(6) Inspiração por meio de revelação subjetiva.
Noutras vezes foi a verdade revelada através dos escritores por uma tal vivificação e aprofundamento do seu próprio pensar como para habilitá-los a perceber e recordar nova verdade infalivelmente, como parece ter sido o caso com Paulo em muitas das suas epístolas.
Somando-o tudo, podemos dizer que o processo de inspiração consistiu de tais meios e influências como aprouve a Deus empregar, segundo as circunstancias, para poder dar-nos uma revelação divina, completa e infalível de toda a verdade religiosa de que precisamos durante esta vida. Ou podemos dizer com A. H. Strong: "Pela inspiração das Escrituras queremos significar aquela influência divina especial sobre as mentes dos escritores sagrados em virtude da qual suas produções, à parte de erros de transcrição, quando justamente interpretadas, constituem juntas uma regra de fé e prática infalível e suficiente".
V. A EXTENÇÃO DA INSPIRAÇÃO
Ver-se-á que a inspiração verbal está implicada no que já dissemos; mas, como também já foi dito, isto não destrói o elemento humano na Escritura. A Escritura é, toda ela, a Palavra de Deus; ainda assim, muitíssimo dela é também a palavra do homem. Os escritores diferem em temperamento, linguagem e estilo, diferenças que estão claramente manifestas nos seus escritos, ainda que suas produções são tão verdadeiras e completamente a Palavra de Deus como qualquer expressão oral de Jesus.
VI. PROVAS DA INSPIRAÇÃO VERBAL
Para prova de fato que a Bíblia é inspirada em palavra e não meramente em pensamento, chamamos a atenção para as evidencias seguintes:
(1) A Escritura inspirada envolve necessariamente a inspiração verbal.
É nos dito que a Escritura é inspirada. A Escritura consiste de palavras escritas. Assim, necessariamente, temos inspiração verbal.
(2) Paulo afirmou que ele empregou palavras a ele ensinadas pelo Espírito Santo.
Em 1 Cor. 2:13, ao referir-se às coisas que ele conheceu pelo Espírito Santo, disse: "Quais coisas falamos, não nas palavras que a humana sabedoria ensina, mas que O Espírito Santo ensina". É isto uma afirmação positiva da parte de Paulo que ele não foi deixado a si mesmo na seleção de palavras. {Alguns acusam que em Atos 23:5, 1 Cor. 7:10,12, Paulo admite a não inspiração. Em Atos 23:5 Paulo diz a respeito do Sumo Sacerdote: "Não sabia, irmãos, que era o Sumo sacerdote". Isto "pode ser explicado tanto como a linguagem de ironia indignada: "Eu não reconheceria tal homem como Sumo Sacerdote"; ou, mais naturalmente, como uma confissão atual de ignorância e falibilidade pessoais, o que não afeta a inspiração de qualquer dos ensinos ou escritos finais de Paulo" (Strong). Inspiração não significa que os escritores da Bíblia foram sempre infalíveis no juízo ou impecáveis na vida, mas que, na sua capacidade de mestres oficiais e interpretes de Deus, eram conservados do erro.}
Nas passagens da primeira epístola aos corintios diz Paulo no caso de um mandamento: "Mando eu, todavia não eu, mas o Senhor"; ao passo que no caso de outros mandamentos diz ele: "O resto falo eu, não o Senhor". Mas notai que no fim das ultimas séries de exortações ele diz: "Penso... que eu tenho o Espírito de Deus" (1 Cor. 7:40). Aqui, portanto, Paulo distingue... não entre os seus mandamentos próprios e inspirados, mas entre aqueles que procediam de sua própria (inspirada de Deus) subjetividade e os que Cristo mesmo supriu por Sua palavra objetiva" (Meyer, in Loco).
(3) Pedro afirmou a inspiração verbal dos seus próprios escritos como dos outros apóstolos.
Em 2 Pedro 3:1,2,15,16 Pedro põe os seus próprios escritos e os de outros apóstolos em nível com as Escrituras do Velho Testamento. E desde que Pedro creu que as Escrituras do Velho Testamento eram verbalmente inspiradas (Atos 1:16), segue-se, portanto, que ele considerava os seus escritos e os de outros apóstolos como verbalmente inspirados. {Uma questão pode levantar-se quanto à dissimulação de Pedro em Antioquia, onde temos uma "contradita prática às suas convicções por separar-se e retirar-se dos cristãos gentios (Gál. 2:11-13)" (Strong). "Aqui não houve ensino público, mas a influencia de exemplo privado. Mas nem neste caso, nem no precitado (Atos 23:5) Deus suportou o erro como resolvido. Pela agencia de Paulo o Espírito Santo resolveu o assunto direito" (Strong)}
(4) Citações em o Novo Testamento tiradas do Velho provam a inspiração verbal dos escritores do Novo Testamento.
Tinham os judeus pela letra da Escritura uma consideração supersticiosa. Certamente, então, judeus devotos, se deixados a si mesmos, seriam extremamente cuidadosos de citarem a Escritura como está escrita. Mas achamos em Novo Testamento umas duzentas e sessenta e três citações do Velho Testamento e dessas, segundo Horne, oitenta e oito são citações verbais da Setuaginta; sessenta e quatro são emprestadas dela; trinta e sete tem o mesmo sentido; mas palavras diferentes; dezesseis concordam mais quase com o hebraico e vinte diferem tanto do hebraico como da Setuaginta. Todos os escritores do Novo Testamento, salvo Lucas, eram judeus. Contudo não escreveram como judeus. Que pode explicar isto, se eles não estavam cônscios da sanção divina de cada palavra que escreveram? Alguns bons exemplos de citações do Velho Testamento pelos escritores do Novo, onde novo sentido se põe nas citações, acham-se em Rom. 10:6-8, que é uma citação de Deut. 30:11-14.
(5) Mateus afirmou que o Senhor falou pelos profetas do Velho Testamento.
Vide a Versão Revista de Mat. 1:22 e 2:15.
(6) Lucas afirmou que o Senhor falou pela boca dos santos profetas. Lucas 1:70.
(7) O escritor aos hebreus afirma o mesmo (Heb. 1:1).
(8) Pedro afirmou que o Espírito Santo falou pela boca de Davi. Atos 1:16.
(9) O argumento de Paulo em Gal. 3:16 implica inspiração verbal.
Neste lugar Paulo baseia um argumento no número singular da palavra "semente" na promessa de Deus a Abraão.
(10) Os escritores do Velho Testamento implicaram e ensinaram constantemente a autoridade divina de sua próprias palavras.
As passagens em prova disto são numerosas demais para precisarem de menção.
(11) A profecia cumprida é prova da inspiração verbal.
Um estudo da profecia cumprida convencerá qualquer pessoa esclarecida que os profetas foram necessariamente inspirados nas próprias palavras que enunciaram; do contrário, não podiam ter predito algo do que eles souberam muito pouco.
(12) Jesus afirmou a inspiração verbal das escrituras. Jesus disse: "A Escritura não pode ser quebrada" (João 10:35), com o que ele quis dizer que o sentido da Escritura não pode ser afrouxada nem sua verdade destruída. Sentido e verdade estão dependendo de palavras para sua expressão. Sentido infalível é impossível sem palavras infalíveis.

Fonte: www.palavrapredente.com.br