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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

MEDITAÇÕES SOBRE O LIVRO DE GÊNESIS - XII

OS DESCENDENTES DE SETE (Gn 5.1-32)

O capítulo 5 do livro de Gênesis traz uma lista com a linhagem piedosa de Sete. Da mesma forma que o capítulo 4 trouxe a linhagem ímpia de Caim. Vale nota que nenhum descendente de Caim sobreviveu ao dilúvio. Portanto somos todos descendentes diretos de Sete. Isso nos ajudará a entender quem são os filhos de Deus e as filhas dos homens em Gênesis 6.
Mas aqui neste capítulo, que muitos não gostam ler, pois trata-se de uma genealogia, existem algumas dificuldades a ser resolvidas, além de nomes e idades de indivíduos. Vejamos:

A longevidade dos homens daquela época:"Os dias todos da vida de Adão foram novecentos e trinta anos" (Gn 5:5); Matusalém viveu "novecentos e sessenta e nove anos" (Gn 5.27); e a média da idade dos que tiveram uma vida normal foi superior a 900 anos. Contudo, a própria Bíblia reconhece que a maioria das pessoas chega até os 70 ou 80 anos, quando ocorre sua morte natural (Sl 90.10). Como resolver isso? Antes de mais nada, a referência no Salmo 90 é ao tempo de Moisés (1400 a.C.) e ao tempo posterior, quando a longevidade tinha decrescido para 70 ou 80 anos para a maioria, embora o próprio Moisés tenha vivido 120 anos (Dt 34:7).
Alguns sugerem que aqueles "anos" seriam realmente apenas meses, o que reduziria 900 anos ao período normal de vida de 80 anos. Entretanto, isso não é plausível por duas razões.
A) A primeira é que não há precedente algum no AT que tome a palavra "ano" com o sentido de "mês".
B) A segunda é que, como Maalaleel gerou um filho com a idade de 65 anos (Gn 5:15) e Cainã, aos 70 anos (Gn 5:12), isso significaria que eles estariam com menos de seis anos de idade ao terem filhos, o que é biologicamente impossível.
Outros sugerem que esses nomes representam linhas de famílias ou clãs que se mantiveram por gerações antes de terminarem. Entretanto, isso não faz sentido, por vários motivos.
a) Primeiro, alguns desses nomes (como por exemplo Adão, Sete, Enoque, Noé) são de indivíduos cujas vidas foram narradas no texto (Gênesis 1-9).
b) Segundo, linhas familiares não "geram" linhas familiares com nomes diferentes.
c) Terceiro, linhas familiares não "morrem", como aconteceu com cada um daqueles indivíduos (cf. 5:5,8,11 etc).
d) Quarto, a referência a ter "filhos e filhas"(5:4) não é compatível com essa teoria de clãs.
Conseqüentemente, tudo indica que o melhor é considerarmos serem anos mesmo (embora fossem anos lunares de 12x30=360 dias), e isso por diversas razões: (1) Antes de mais nada, posteriormente a vida foi reduzida a 120 anos como uma punição dada por Deus (Gn 6:3). (2) Depois do dilúvio, a duração da vida foi diminuindo gradativamente dos 900 anos (Gn 5) para os 600 (Sem: Gn 11:10-11), para os 400 (Sala: Gn 11:14-15), para os 200 (Reú: Gn 11:20-21). (3) Biologicamente, não há razão por que o homem não possa ter vivido centenas de anos. Os cientistas lutam muito mais para resolver o problema do envelhecimento e da morte do que o da longevidade. (4) A Bíblia não é a única a falar de centenas de anos como idade dos antigos. Há também registros do grego antigo e das eras egípcias que fazem menção a isso.
Portanto devemos entender que os homens viveram exatamente o que a Bíblia relata.

A cronologia deste relato: Devemos também entender que as genealogias não podem nos fornecer dados corretos acerca das datas, pois as genealogias da Bíblia não visam conter o nomes de todos os indivíduos. Deve-se entender que existe varias genealogias que ocultam nomes de alguns indivíduos. Se as idades mencionadas em Gênesis 5 e 10 foram somadas ao restante das datas do AT, o resultado será cerca de um pouco mais de 4.000 anos a.C. Mas os arqueólogos e antropólogos datam o homem de milhares de anos antes (pelo menos 10.000 anos).
Há uma boa evidência que sustenta a crença de que a humanidade tenha mais de 6.000 anos. Mas há também boas razões para se crer que há algumas lacunas nas genealogias de Gênesis. Primeiro, sabemos que há uma lacuna na genealogia do livro de Mateus, quando diz "Jorão, [gerou] a Uzias" (Mt 1:8). Mas, em comparação com 1 Crônicas 3:11-14, vemos que Mateus deixa fora três gerações (Acazias, Joás e Amazias). Segundo, falta pelo menos uma geração na genealogia de Gênesis. Lucas 3:36 menciona "Cainã" entre Arfaxade e Sala, mas o nome Cainã não aparece nessa ordem no registro de Gênesis (veja Gn 10:22-24). É melhor vermos Gênesis 5 e 10 como genealogias adequadas, não como cronologias completas.
Finalmente, pelo fato de se saber que há lacunas nas genealogias, não podemos determinar acuradamente a idade da raça humana simplesmente pela adição dos números de Gênesis 5 e 10.

Enoque - versículos 21-27. Aqui nós encontramos um dos homens mais interessantes das Escrituras. As coisas que sabemos a respeito de Enoque:
A. Enoque era o sétimo depois de Adão, e veio através de Sete [Judas 14-15]. É interessante notar que Lameque foi o sétimo depois de Adão, através de Caim [Gênesis 4:18-24]. Enoque foi um homem temente a Deus, enquanto Lameque foi um rebelde. Isto demonstra a influência de Caim e de Sete sobre suas famílias.
B. Enoque andava com Deus - vers. 24.
C.
Enoque pregou para sua geração ímpia [Judas 14-15].
D. Enoque agradou a Deus [Hebreus 11:5].
E. Enoque foi trasladado para a presença de Deus para não ver a morte [vers.24; Hebreus 11:5].
Os Descendentes de Lameque - versículos 28-32: Lameque (não deve ser confundido com o descendente de Caim) foi o pai de Noé. O nome Noé significa "descanso" ou "conforto". De alguma maneira Lameque viu em Noé alguém que foi enviado para confortá-lo, enquanto ele trabalhava na terra amaldiçoada pelo pecado. Note que Noé teve muitos irmãos e irmãs, mas, infelizmente nenhum deles se arrependeu e entrou na Arca. Verdadeiramente Noé permaneceu solitário em sua fé em Cristo. O capítulo termina dando os nomes dos três filhos de Noé. Através deste homem a terra foi repovoada após o dilúvio.