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segunda-feira, 11 de julho de 2011

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - XXII

O SERMÃO DO MONTE – VI
ONDE ESTÁ O SEU CORAÇÃO – PARTE 2 (Mt 6.22-24)




Por Alessandro Costa Vieira

Seu olho é bom ou mau?: Os judeus usavam o olho figurativamente num sentido moral; ter "olho mau" significava ter uma visão distorcida das coisas. O indivíduo que pode focalizar ambos os olhos claramente num determinado objeto, vê-o sem distorção; mas o que não tem capacidade de focalizar ambos os olhos tem visão distorcida. O problema físico da visão distorcida ensinava aos judeus uma verdade espiritual profunda: o homem pode ter uma visão pervertida das coisas e não entender sua verdadeira natureza, seus verdadeiros valores, ou sua verdadeira dignidade. Assim, ter uma visão clara, não distorcida ― ou, como diz nosso texto, "boa" ― significava uma perspectiva adequada. O contrário disto era visão dupla, ou ponto de vista distorcido. Este conceito judaico provinha de diversas passagens do Antigo Testamento. Nas leis que regem as condutas sociais dadas por Moisés aos filhos de Israel constam vários exemplos do que é ter um olho mau (Dt 1 5.7-9). Moisés ensinou aos filhos de Israel que tinham responsabilidade para com o irmão necessitado. Se a necessidade de um irmão chamasse a atenção de alguém e este lhe fechasse o coração e se recusasse a dar-lhe o de que necessitava, tal pessoa tinha um coração perverso. Esse indivíduo estava cego, e sua visão distorcida pela ganância. Admitia a necessidade, mas amava suas posses ao ponto de recusar contribuir para a necessidade do irmão. Moisés disse que tal atitude era prova de coração mau. O olho mau, da mesma maneira, revelava visão distorcida das coisas e refletia perversão moral.
A mesma verdade é apresentada em Provérbios 23.6-7, neste texto Salomão falava do banquete de um homem rico. Se ele tiver olhos malignos, ressentir-se-á do alimento que você come e o coração dele será controlado pela amargura. Ele pode ter abundância, mas chora o que você come. A mesma verdade se encontra, também, em Provérbios 28.22. Vale frisar: o homem que se curva a qualquer esforço para acumular bens materiais tem olho mau, visão distorcida do valor e permanência da riqueza. Ele acha que reterá a riqueza para sempre e não percebe. Como diz Paulo, que nada trouxe para este mundo, nem poderá levar dele coisa alguma (1Tm 6.7). Quem tem o olho mal toma o que é passageiro e lhe atribui valor eterno. Essa visão distorcida, disse Salomão, revela "olho mau". Desses textos do Antigo Testamento vemos que embora as palavras do Senhor nos pareçam estranhas porque não usamos as mesmas expressões idiomáticas, na mente dos seus ouvintes elas continham um conceito bem firmado. Nosso Senhor disse: "São os olhos a lâmpada do teu corpo." É o olho que traz luz de modo que o homem possa ver. É axiomático que onde não há luz não se pode ver. Nosso Senhor ensinou a lição moral e ética de que, se não houver luz vinda de Deus, não pode haver interpretação adequada do que tem verdadeiro valor. Até que a luz de Deus brilhe sobre algo, não conhecemos seu verdadeiro caráter.
Ora, visto que esses judeus tinham uma opinião distorcida do valor dos bens materiais, nosso Senhor teve de dizer: "Se, porém, os teus olhos forem maus [como são, se tiverem uma opinião distorcida do valor dos bens materiais], todo o teu corpo estará em trevas" (6.23). Aquilo que os judeus julgavam ser bênção de Deus, Jesus disse que era prova de uma visão distorcida das trevas interiores. Então a visão errada do que de fato é valioso demonstra que todos os conceitos da pessoa estão errados.
Ser avarento era distorcer a visão. Se alguém era avarento, o olho da alma estaria cego. Porém os fariseus ignoravam tais ensinamentos, e nosso Senhor disse que eles estavam em cegueira ou em trevas.
Se a pessoa não tiver visão correta das coisas materiais, terá visão distorcida da vida como um todo. Se ela tem visão dupla concernente às coisas materiais, adotará um conjunto de alvos inteiramente falsos para a vida. Mais cedo ou mais tarde a pessoa se sujeitará às coisas materiais, e elas a escravizarão. A ganância pelas coisas ou pelo dinheiro é um senhor muitíssimo implacável. Os desejos dos entes queridos; as necessidades dos parentes e amigos; as exigências do país, da honra, do conforto e até da própria saúde podem ser menosprezadas; o homem abandona tudo quando a aquisição de dinheiro se torna a obsessão da vida. A avareza é o senhor mais impiedoso do mundo. Jesus encareceu este ponto ao dizer que ninguém pode ser fiel a dois senhores ao mesmo tempo (Mt 6.24).
"Riquezas" ou "Mamom" é uma personalização do principal rival de Deus ― dinheiro ou bens materiais. Nosso Senhor considerava a aquisição de riquezas como um alvo que leva o homem à escravidão, que o impede de desincumbir-se de sua responsabilidade de servo de Jesus Cristo. Pelo contrário, ele se escraviza ao dinheiro e não pode servir a ninguém mais, muito menos a Deus. Quando o homem é consumido pela paixão do acúmulo de bens materiais, não há lugar para outro amor. O Senhor não condenou a posse de riquezas. Ele condenou ser possuído por elas. Ele considerava o amor do dinheiro como brutal idolatria.
Paulo considera da mesma forma (Cl 3.5). Avareza é idolatria. Paulo disse que quando o homem ama ao dinheiro, igualmente rejeita o direito do Deus que o redimiu de governar sobre ele, e se submete a outro deus. Assim como Israel caiu em toda sorte de práticas abomináveis por seguir após de falsos deuses, assim, disse Paulo, o homem que faz do amor ao dinheiro a finalidade de sua vida encontrar-se-á cedendo a práticas abomináveis (1Tm 6.10).
A riqueza é vista, na Bíblia, como algo dado em confiança. Nunca é considerada como um fim, mas como um meio de atingir um fim. É vista como uma bênção de Deus, que, como tal, traz consigo responsabilidade. O que Deus confia ao homem não deve ser usado para desfrute egoísta, mas para benefício e bênção de outros. O homem não pode ser justo e avarento ao mesmo tempo, assim como não pode ser piedoso e ganancioso. O homem não pode, concomitantemente, amar a Deus e às coisas materiais. Não pode, ao mesmo tempo, ser servo fiel de Jesus Cristo e vender-se como escravo ao dinheiro.
Nosso Senhor lidava não apenas com ações mas também com atitudes básicas para com a vida. Em realidade, ele formulava uma pergunta: "Para você, qual é o mais alto bem na vida?" Em nossa época, multidões teriam de confessar que medem a virtude pelas posses materiais acumuladas. Essa é uma revelação da visão distorcida que nosso Senhor disse mergulhar a alma toda em trevas morais. Essa passagem convida-nos a examinar bem as coisas às quais damos valor, e perguntar: "Se esses bens me fossem tomados repentinamente, qual seria minha riqueza?" Ouça de novo a Palavra do Senhor em Mt 6.24. Não podemos servir a Deus e ao principal rival de Deus, as coisas materiais.
Para você o que é, realmente, importante na vida?

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - XXI

O SERMÃO DO MONTE – XV

ONDE ESTÁ SEU CORAÇÃO? (Mt 6.19-21)

Por Alessandro Costa Vieira



O tesouro terreno (Mt 6.19-21): O Senhor Jesus Cristo continua o seu sermão, e devemos lembrar que rejeitou a justiça dos fariseus. Disse ele: " Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus." (Mt 5.20). E nos estudos anteriores, no inicio do capítulo 6, vimos que o Senhor mostrou que era errônea não somente a interpretação que davam à lei como também a sua prática. Agora o Senhor Jesus demonstra que a ideia de riqueza dos fariseus não era correta também. Os fariseus caracterizavam-se não só pela hipocrisia, mas também pela ganância, ou cobiça. As duas andam lado a lado, em outro ponto do nosso estudo já vimos como o Senhor Jesus condenou a forma como os fariseus tentavam burlar a lei de Deus. Em Marcos 7 observamos como é condenável a atitude dos fariseus com relação à Lei de Deus, e nos versos de numero 9 à 13 vemos a ganância e avareza deles demonstrada. E no texto de Lc 16.14 fica mais claro ainda essa característica.
Sabemos também que acreditavam também que as bênçãos de Deus sobre a vida de um homem era medida pela quantidade de bens que eles possuíam. E isso vinha de uma interpretação errônea do texto de Dt 28. Já no A.T. Salomão alerta sobre colocar como alvo principal o acumulo de riquezas (Pv 23.4; Pv 28.20-22), sabendo que aquele que coloca como alvo principal o acumulo de riquezas se venderá facilmente para alcançar seus objetivos. É aquela velha máxima em ação “todo homem tem seu preço”.

Aí vem o Nosso Senhor contra tudo aquilo que os homens achavam ser correto. Eles colocavam a confiança em sua riqueza, que era transitória. E Nosso Senhor empregou três figuras vividas em no texto para demonstrar a transitoriedade das coisas materiais. Primeiro falou da traça, depois da ferrugem que consomem. A seguir referiu-se aos ladrões que roubam. Aquilo pelo que os homens dão a vida, sua riqueza, pode ser destruído ou corroído, e afinal perdido para sempre. Pois toda a criação está debaixo da maldição do pecado, e um dia será destruída. O ouro, a prata, o diamante, enfim toda a riqueza que o homem possa adquirir nesta terra aqui ficará e por fim será destruída (2Pe 3.7-12). Aqui tudo é transitório. Ao contrário disso, nosso Senhor falou que nosso tesouro deve está no céu (Mt 6.20). Embora a terra esteja sob juízo divino, nenhum pecado chega à presença de Deus, nem há contaminação nem destruição. Nenhum adversário pode causar a separação da verdadeira riqueza. Por isso ele convidou os homens, como evidência da verdadeira justiça, a buscar a verdadeira riqueza, a acumular tesouros permanentes no céu. O Senhor Jesus reconheceu que os objetivos do homem determinam por onde ele andará, e o fim para o qual os homens se encaminham determina o caráter da sua vida. Por isso disse Jesus que "Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." (Mt 6.21). O homem busca aquilo que ele ama, e o seu amor determina-lhe o curso da vida. Se, em cobiça e ganância perseguimos o que é terreno, corrupto e transitório, nossa conduta na vida nunca manifestará a justiça que agrada a Deus. Só quando tivermos um novo alvo e uma nova atitude para com as coisas materiais é que nossa vida se conformará aos padrões de santidade dados na Palavra de Deus.
Nosso Senhor não condenou o fato de alguém ser rico, mas advertiu contra o amor ao que possui. Ele não estava preocupado com o que o homem tem, mas com sua atitude para com o que possui (1Tm 6.10). Mas é certo que quando Deus enriquece a alguém, ele o torna responsável como mordomo (1Tm 6.17-19; Tg 4.17 – 5.6).

Que é tesouro no céu? Qual é a verdadeira riqueza? A Palavra de Deus deixa bem claro, Paulo declarou em 1Tm 6.6-8 o que constitui a verdadeira riqueza, o exercício da piedade com contentamento. Na carta aos Efésios Paulo nos traz à memórias dos crentes diversos exemplos de verdadeiras riquezas (Ef 1.18). Vamos ver alguns desses exemplos: Somos filhos de Deus (Ef 1.5); Remissão dos pecados (Ef 1.7); Revelou-nos o mistério da sua vontade (Ef 1.9-12); Temos o Espírito Santo (Ef 1.13-14); Fomos vivificados (Ef 2.1); Somos alvos do amor de Deus (Ef 2.4-5); Estamos assentados nos lugares celestiais (Ef 2.6); Fomos salvos graciosamente (Ef 2.8-9); Somos integrantes da família de Deus (Ef 2.19); etc . Em Hb 11.26 vemos que o que Cristo passou, por nossos pecados, é o que é valioso para nós. Quando lemos esses textos vemos quão enganosa é a “pregação” dos pregadores da teologia da prosperidade. Nossa verdadeira riqueza é celestial e não terrena. Essas são coisas que Deus considera tesouros celestiais, coisas que não deixamos para trás quando formos à presença do Pai. Nosso Senhor chamou de tesouros no céu e advertiu de amar o que é terreno e ignorar o que é celestial.
Quão pouco os Faraós do Egito conheciam deste princípio! No Museu, do Cairo pode-se ver tesouros de valor quase incalculável tirados dos túmulos dos reis. Esta vasta riqueza estava sepultada com os Faraós, pois esperavam levar consigo para uma vida futura aquilo que haviam desfrutado na terra. Mas os Faraós passaram, e deixaram para trás suas riquezas. Nossos museus estão enriquecidos porque aqueles reis procuraram levá-las consigo, e não o puderam. O princípio bíblico é: " Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele."
Paulo, também, falou dos perigos da riqueza. "Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína." (1Tm 6.9). Ele não disse "os que são ricos", mas os que querem ficar ricos são os que caem em tentação e em muitos desejos loucos que os afogarão na destruição. "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males" (1Tm 6.10). Paulo não disse que o dinheiro é a raiz de todos os males, mas o amor a ele. Alguns podem possuir riquezas, podem cercar-se de bens materiais, sem fazer deles o alvo de sua vida. Mas não se pode amar essas coisas sem que elas lhe controlem a vida. Portanto, Paulo advertiu do desejo de tornar-se rico e do amor àquilo que já foi acumulado. Nosso Senhor chamou de tesouros no céu e advertiu de amar o que é terreno e ignorar o que é celestial.
Nossas próprias afeições podem enganar-nos. Podemos cobiçar as coisas matérias enquanto alegamos ter inclinação espiritual. Que Deus nos ajude a nos lembrar sempre que o tesouro terreno não é a riqueza verdadeira.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - XX

O SERMÃO DO MONTE – XIV

SOBRE O JEJUM (Mt 6.16-18)

Por Alessandro Costa Vieira





O jejum tinha lugar importante no Antigo Testamento. A raiz da palavra que traduzimos por jejuar significa "afligir a alma" ou "negar-se a si mesmo". Aquele que jejuava não punha em dúvida que o alimento era bom e destinado por Deus para benefício do corpo e da alma, para prover relacionamento entre o homem e Deus. Expressava, porém, muitas coisas ao abster-se voluntariamente do alimento por determinado tempo. Nos tempos do Antigo Testamento o povo jejuava por muitos motivos. Antes de tudo, por motivos religiosos. Em Lv 23.26-29 apresenta a norma concernente ao Dia da Expiação, o dia central no calendário religioso de Israel. O Dia da Expiação era dia de jejum, e o povo devia abster-se de alimento para que pudesse dispensar inteira atenção ao ponto foco da cerimônia.- a morte do bode e a aspersão do seu sangue sobre o propiciatório como paga pelos pecados da nação.
Depois encontramos o jejum associado com manifestação de tristeza. A experiência de Davi acha-se registrada em 2Sm 3.35 Davi expressou tristeza pela perda de seu querido amigo e capitão de confiança recusando alimento desde o nascer até ao pôr-do-sol. Demonstrou seu pesar à nação por meio do jejum.
Alguns jejuavam por causa de alguma dificuldade. Temos o caso de Ana que expressou mediante o jejum sua angústia de não ter filhos (1Sm 1.7). Ana sentia a alma amargurada e seu jejum era sinal de grande pesar.
Temos também, no tempo do Antigo Testamento, o jejum que expressava simpatia a outra pessoa. (Sl 35.13). Neste texto Davi diz que seu jejum era sinal de simpatia a enfermos.
Em Dn 10.2-3 registra a experiência do profeta de Deus que, ao fim de setenta anos de cativeiro na Babilônia, fez uma grande oração de confissão reconhecendo a culpa do povo. Durante três semanas, Daniel jejuou porque tinha o coração oprimido pelo pecado do seu povo, e se entregou à oração de confissão. Seu jejum associava-se à confissão de pecado.
Em Ed 8.21 e Et 4.15-16 vemos o povo se unindo em jejum. Seu jejum mostrava dependência de Deus e seu desejo de conhecer a vontade divina.
Tendo em vista estes exemplos, claro que temos muitos outros no A.T., temos que entender que o Senhor Jesus não está condenando a pratica do jejum. O que é condenavel na declaração do Senhor é a forma de como os fariseus usavam o jejum. Vejamos:

Não seja hipócrita ao jejuar (Mt 6.16): Aqui o Senhor começa e mostrar o que não devemos fazer na pratica do jejum, dando o exemplo de como se fazia em seus dias. Os fariseus, quando jejuavam, demostravam que estavam jejuando se mostrando contristados desfigurando seus rostos. E a intenção deles eram exatamente serem vistos pelos homens, o mesmo que faziam com relação à oração (Mt 6.5), com as esmolas (Mt 6.2) como já estudamos. Portanto já receberam seus garladões.
O jejum significava que o indivíduo renunciava às exigências naturais do organismo e ao prazer natural de comer, confessando total dependência de Deus. Confiava em que Deus o sustentasse dia a dia como o faria se tomasse alimento. Abstendo-se dele, Deus o sustentaria. O jejum manifestava, pois, total dependência de Deus em tempos de tristeza, angústia, simpatia, confissão de pecado, ou em momentos de oração.
Na história do fariseu que foi ao templo para orar, ele disse: "Jejuo duas vezes na semana" (Lc 18.12). Os fariseus costumavam jejuar todas as segundas e quintas-feiras, desde o nascer até ao pôr-do-sol. Ficavam sem comer até ao ocaso, quando quebravam o jejum. Mas não jejuavam por tristeza pelo pecado, nem para dedicar-se à oração, nem por alguma perda, aflição ou desapontamento, ou por simpatia a alguém que estivesse passando por provações. Jejuavam para ser vistos pelos homens, para aumentar sua reputação de “serem dependentes” de Deus. Alegavam depender de Deus, mas não havia dependência alguma na mente ou no coração. Jesus disse que isso era hipocrisia.

Jejue secretamente (Mt 6.17-18): Para que ninguém deixasse de perceber que os fariseus jejuavam, cobriam o rosto com cinza, o sinal de pesar do Antigo Testamento. Quando um judeu tirava o manto e se vestia de pano de saco e punha cinza no rosto, parecia aos homens ter um coração terno diante de Deus ou estar respondendo às necessidades de alguém de seu grupo. Por isso os judeus cobriam o rosto com cinza e ficavam em pé num lugar público, para que os homens os honrassem por sua “devoção a Deus”.
Os homens os julgavam piedosos porque viam essas manifestações exteriores. Essa era, porém, a única recompensa que tinham, porque Deus não se satisfaz com o coração orgulhoso que encontra deleite no aplauso dos homens. Por isso que Jesus disse que quando jejuar deve-se ungir a cabeça e lavar o rosto. O óleo, no Antigo Testamento, era sinal de júbilo. Esfregava-se azeite de oliveira no rosto para dar-lhe uma aparência feliz, brilhante, para revelar a alegria do Senhor. Nosso Senhor quis dizer simplismente que quando jejuar faça feliz.
Pois o verdadeiro jejum, assim como a oração, é um ato secreto entre o homem e Deus somente. Ninguém precisa saber que estou jejuando. O fato de demosnstrarmos dependencia de Deus deve nos trazer felicidade, pois entre as coisas mais certas da vida do crente em Jesus é o fato do cuidado de Deus por seus filhos (1Pe 5.7).

Que sejamos sempre confiantes do cuidado que Deus dispensa a nós.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - XIX

O SERMÃO DO MONTE – XIII

ENSINA-NOS A ORAR – PARTE 2


Por Alessandro Costa Vieira



Então, depois que Jesus criticou as falsas práticas dos fariseus, passou a dar-nos um modelo de oração (Mt 6.9-13), que não foi destinada a ser repetitória. Nosso Senhor mostrou aos discípulos as áreas da vida que devem ser objeto de oração. As palavras de nosso Senhor definiram áreas de interesse de nosso Pai, com as quais devemos ocupar-nos nas nossas orações.

Pai nosso (Mt.6.9): O crente, na sua oração, está interessado na pessoa de Deus. "Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado [santo, honrado, respeitado] seja o teu nome" (v. 9). Deus é nosso Pai. Ele é o soberano Criador ("que estás nos céus"). Ele é exaltado sobre todas as coisas. É um Pai cujo nome está acima de tudo, e sobre todos, perante quem seus filhos se curvam em reverência, respeito, amor e confiança ("santificado seja o teu nome"). Estamos ocupados, antes de tudo, com uma Pessoa. Aqui fica muito claro a idéia de intimidade que Deus deseja ter com seu povo. Mas é uma intimidade cheia de reverencia, entendendo que Nosso Pai está no céu, acima de tudo e de todos. Não devemos entender que o fato de Deus nos dar o privilégio maravilhoso de nos dirigirmos a Ele como Pai, nos dá também o direito de fazer como Ele o que fazem algumas crianças que tentam obrigar seu pai a fazer aquilo que eles desejam. Devemos entender essa relação no mais intimo e puro possivel de todos os relacionamentos. Ele deseja que o conheçamos como um Deus pessoal que se importa com seus filhos e sabe o que é melhor para cada um deles (Mt 6.25-34; Mt 7.11). Jesus demostra essa realidade em varias passagem no Evangelho de Mateus (Mt 5.16, 45, 48; Mt 6.1,4,6,8,9,14, 15,26,32; Mt 7.11,21) onde destaca que podemos chama-lo de PAI.

Venha o teu reino, seja feita a tua vontade (Mt 6.10): A seguir Nosso Senhor nos ensina que devemos estar interessados no propósito de Deus. E nesse ponto é mencionada duas petiçõoes "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu." No Antigo Testamento Deus havia prometido a vinda do Senhor Jesus Cristo. Como Salvador e Rei, ele estabeleceria um reino na terra sobre o qual governaria (Jr 23.5). O propósito de Deus concentrava-se numa Pessoa que ele pretendia entronizar de modo que governasse como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Tal era a esperança de Israel. O filho de Deus preocupa-se não tanto com seus próprios planos e desejos quanto com o definido plano de Deus de entronizar a Jesus Cristo. Toda a história até ao fim dos tempos encaminha-se para a entronização de Jesus Cristo, que se assentará no trono de Davi. O cristão preocupa-se não com suas próprias circunstâncias e necessidades, mas com aquilo que ocupa o coração de Deus: a exaltação de seu Filho. Devemos sempre nos lembrar que o cristão já percebe o governo de Jesus sobre eles e sobre o mundo. Entendendo que tudo que acontece é por permissão DELE. Por isso existe uma satisfação enorme na vida do cristão (Rm 8.28). O cristão ansseia que a vontede de DEUS seja feita, aqui na terra pelos homens, da mesma forma que os seus anjos o fazem nos céus. Os anjos cumprem a vontade de DEUS sem questiona-la. Têm prazer nesse privilégio (Lc 1.19, 26).

Pão nosso (Mt 6.11): O filho de Deus está interessado na provisão de Deus para suas necessidades. "O pão nosso de cada dia nos dá hoje." Depois de apresentar-se perante Deus em oração pela causa do Reino, o crente confia no Pai, dia a dia, e faz suas petições para que suas necessidades de sobrevivência sejam supridas. Para manter-nos confiantes, Deus não enche nossa despensa e nosso "freezer" de modo que vamos a ele uma ou duas vezes por ano para reabastecer. "O pão nosso de cada dia nos dá hoje". Nossas necessidades podem variar de um dia para o outro. Podemos ter necessidades físicas, mentais, emocionais ou espirituais. A graça de Deus prove tudo quanto necessitamos, não o que achamos que necessitamos, mas apenas um dia por vez. Por isso, o filho de Deus, em sua comunicação com o Pai, está interessado nas necessidades do dia. O termo nosso neste modelo de oração deve nos levar a refletir que nas orações devemos nos lembrar dos demais cristãos, que igualmente, carecem sempre do cuidado divino. É constante na Escritura essa demonstração de cuidado com os irmão em oração (1Ts 5.25; Tg 5.16; Cl 1.9), o cristão não se preocupa consigo apenas.

Perdoa-nos as nossas dividas (pecados) (Mt 6.12): O filho de Deus preocupa-se, na oração, com a pureza pessoal: “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores" Uma vez que Deus proporcionou o perdão para o filho pecador, esse filho beneficia-se do perdão para os pecados diários. Se perdoamos aos que nos ofendem, quanto mais não perdoará Deus aos filhos que buscam seu perdão? O filho de Deus está interessado na santidade pessoal. E entendendo isso sabe que pode confiar em Deus para vos perdoar sempre (1Jo 1.9). E que deve ser grato a Deus pelo perdão e evitar, com a graça de Deus, uma vida pecaminosa, pois compreende quão grande castigo Cristo suportou na cruz pelos nossos pecados (1Co 15.3; 1Pe 2.24; Gl 1.4; Rm 4.25)

Livra-nos da mal (Mt 6.13): O cristão está interessado, na oração, na proteção de Deus. "E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal" Segundo promessa do Antigo Testamento, Deus ordenaria a seus anjos que nos sustentassem em suas mãos para não tropeçarmos nalguma pedra. Os olhos de Deus estão sobre nós e nos protegem enquanto andamos neste mundo e nos tornamos co-herdeiros com Cristo. Confiamos em que ele nos guarde de cair em pecado quando assediados pela tentação, e que nos livre quando atacados pelo maligno (1Co 10.13; 2Pe 2.9; Jd 24-25). E esse livramento só vem quando reconhecemos que quem REINA sobre tudo, inclusive sobre nossos inimigos, é Deus, que quem é que tem o PODER de nos livrar do pecado é Deus e quem é digno de GLÓRIA quando vencemos uma tentação é Deus. Todo o mérito deve ser dado a ELE somente. Se fosse por nossas forças, apenas, estavamos perdidos. Mas graças a Deus que nos dá a vitória (1Co 15.57).

São estas as questões com as quais o filho de Deus deve ocupar-se em oração. Um indivíduo em cuja vida a oração não desempenha papel importante está em desarmonia com o coração de Deus. Pois, como Pai, ele deseja o amor dos filhos; se o amor não é comunicado, o coração daquele que ama não fica satisfeito. Oração é comunicação entre o filho e o Pai concernente à pessoa de Deus, ao programa de Deus, à provisão de Deus, à proteção de Deus, e à nossa pureza. Que Deus faça de nós pessoas que aprendam a orar.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - XVIII

O SERMÃO DO MONTE – XII

ENSINA-NOS A ORAR – PARTE 1


Por Alessandro Costa Vieira



Os discípulos de Jesus sempre lhe viram orar e, consequentemente, perceberam a importância da oração. Eles poderiam recorrer a muitos meios para aprenderem a orar. Poderiam aprender orar com os fariseus, que eram tidos, por eles mesmos e por outras pessoas, como poderosos em oração. Poderiam recorrer ao mundo religioso dos pagãos para aprenderem alguma coisa sobre oração com eles. Mas ele recorem ao Senhor Jesus com a seguinte expressão: “Senhor ensina-nos a orar” (Lc 11.1), esta expressão aparece no texto paralelo do que estamos estudando (Mt 6.5-15), onde os discípulos, afim de aprenderem a orar, buscam o conselho do Senhor Jesus assim como os discípulos de João o Batista faziam com ele. Hoje podemos fazer esta mesma declaração e ter este mesmo privilégio que os primeiros discípulos de Jesus tiveram, pois Deus inspirou os homens santos (2Pe 1.20-21; 2Tm 3.16) para escreverem esse maravilhoso ensino sobre a oração proferido pelo Rei da Glória. Portanto ao lermos o texto em questão podemos ouvir a voz doce de Nosso Salvador nos ensinando como orar. Vejamos os belos ensinamentos neste trecho das Sagradas Escrituras:

Não sejas como os hipócritas (Mt 6.5): A primeira coisa ensinada por Jesus sobre a oração é que a oração não deve ser feita com hipocrisia, já tratamos na seção anterior sobre a palavra hipócrita, que significa ator, alguém que representa um personagem. E o termo foi usado para os fariseus que eram peritos em se mostrarem uma coisa que não eram. Eles usavam a sua religiosidade para se promoverem diante dos homens. E assim, também, agiam com relação a oração. Tinham prazer de orar para serem visto pelos homens. Eles se auto promoviam orando em alta voz nas ruas e nas sinagogas. Devemos notar aqui que Nosso Senhor não está condenando o orar em pé, pois em outra ocasião Jesus da um exemplo de uma oração bem sucedida que foi feita em pé (Lc 18.13), e na Bíblia teremos vários exemplos de oração em varias posições: Moisés orou sentado com as mãos levantadas (Êx 17.12); Elias orou de joelho com a cabeça entre os joelhos (1Rs 18.42); Ezequias orou virando-se para a parede (Is 38.2), e muitos outros exemplos. Portanto não é a posição do corpo que é condenável. Mas o que é condenado por Jesus é a motivação, eles oravam para serem vistos pelos homens. Os fariseus hipócritas eram corruptos, e seus corações uma fonte de perversidade; mas traziam a máscara de piedade diante do rosto para enganar os homens e fazê-los crer que eram algo que realmente não eram. Não oravam para honrar a Deus. Não oravam para humilhar-se. Oravam para crescer no favor dos homens. E não buscavam a Deus quando oravam. Para eles a oração não tinha objetivo, a não ser que houvesse um grande numero de pessoas que eles pudessem impressionar com sua “piedade”, oratória e longas “orações”. Por isso faziam isso nas sinagogas e nas esquinas das ruas, ou seja, onde os homens se ajuntavam Fato que o Senhor condenou. Eles já receberam as suas recompenças, oravam para serem vistos pelos homens e lá estavam os homens para ve-los, oravam para se auto promoverem e serem tidos como pessoas piedosas e religioas, lá estavam os homens para lhes darem os parabens pelas suas longas e belas orações. Essa era a recompensa deles.

Entra no teu aposento e fecha a porta (Mt 6.6): Os fariseus não viam nenhum beneficio na oração secreta. Para eles eram um desperdício. Que bem trariam para si de orarem secretamente? Eles não percebiam o valor da comunhão secreta com Deus por meio da oração. Jesus ensina que Deus vê o que está em secreto. A oração deve ser uma comunicação secreta entre nós e Deus só. Isso não significa que na vida cristã não há lugar para orações em publico. Mais uma vez deve se deixar clara a motivação dos fariseus, que só faziam para serem vistos pelos homens, e sempre que nos for dada a oportunidade de orarmos em publico não devemos ter nenhuma pretensão de impressionar nenhum homem, e sim de apresentar a Deus a oração de um coração sincero e verdadeiro e a igreja deve estar unida comigo na oração como se todos orássemos unissonamente a mesma oração. A oração secreta não deve ser feita somente no quarto. Mas em qualquer lugar que eu possa estar a sós com Deus em um momento de quietude. O secreto pode ser também quando eu oro na minha mente e coração em qualquer lugar que esteja. Mas é sempre bom separarmos um lugar e um tempo só para exercermos o privilégio da oração secreta. Temos exemplos valiosos de orações secretas na Bíblia: Isaque (Gn 24.63); Jesus (Mt 26.36; Lc 6.12); Pedro (At 10.9). Aquele que ora em secreto, entre ele e Deus só, é recompensado por Deus que ver o que está em secreto. É melhor a recompensa de Deus do que a dos homens.
                             
Não useis de vãs repetições (Mt 6.7-8): Outra coisa que o Senhor Jesus condena na oração é as repetições, chamadas pelo próprio Jesus de vãs, que não tem valor nenhum diante de Deus. Após apresentar o exemplo dos fariseus e depois mostrar como deve ser a oração em contrapartida com o costume farisaico, Jesus, aponta o erro dos gentios (pagãos). Que acreditavam que ao orarem quanto mais repetiam suas “orações”, mais rápido obteriam suas respostas. Sistema bem parecido com o catolicismo que apresenta milhares de rezas que seus fiéis têm que repetirem diversas vezes para obterem o favor de Deus. E o que Jesus ensina nestes versos derruba a tese dos que usam a repetição da oração modelo, Pai Nosso (Mt 6.9-13), que iremos estudar na próxima seção. Não devemos entender que Deus se comove pelo fato de eu repetir centenas de vezes uma mesma petição. A declaração do verso 8 é impressionante, pois diz que Deus sabe do que preciso antes mesmo que eu abra a boca para pedir. Deus é um Pai presente que sabe a necessidade de seus filhos. A oração não se destina a informar a Deus de nossas necessidades; como Pai fiel, ele as conhece. A oração é para dizer a Deus que nós conhecemos nossa necessidade, e que confiamos nele para a devida providência. Uma vez que Deus já conhece a necessidade de seus filhos e está disposto a supri-la, não é preciso informá-lo pela repetição interminável.

Portanto a oração deve ser secreta e não deve ter como objetivo fazer Deus conhecedor de nossas necessidades, pois deseja que haja comunicação secfreta e Ele sabe de todas as coisas.
Na proxima seção a ser estudada veremos as lições tiradas da oração modelo que serviram de bussola para conduzir nossas orações.

domingo, 17 de outubro de 2010

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - XVII

O SERMÃO DO MONTE – XI

Por Alessandro Costa Vieira




Sobre as esmolas e a vanglória humana (Mt 6.1-4)

O nosso Senhor Jesus continua o sermão do monte, agora, falando sobre as esmolas e o orgulho humano em dar tais esmolas. Orgulho que o Senhor chamará aqui de “tocar trombeta”.

Forma errada (Mt 6.1-2): Jesus vai começar a falar de como não devemos fazer. Demonstrando a forma que os fariseus exerciam o ato de dar esmolas. Mas primeiramente vale resaltar que a palavra que aparece no verso 1, traduzida por esmolas, é elehmosunhn (gr. eleemosunen) que significa caridade, fazer o bem, ou ainda justiça, justiça essa de fazer uma coisa justa reta. Portanto o texto não está falando propriamente dito de esmolas no mais amplo sentido da palavra, mas a esmola pode fazer parte dela. E o alerta do Senhor contra a tradição dos fariseus é o de se vangloriar de qualquer coisa que se faça de bom ao próximo. A Bíblia Sagrada sempre vai exortar o povo de Deus a exercer a caridade, já no A.T. a Lei exigia essa pratica dos judeus (Dt 15.7-11), e no N.T. o ensino para a Igreja é recorrente também (Tg 2.15-16; 1Jo 3.13-18). Jesus não está dizendo que é errado fazer coisas boas, mas que a motivação errada em fazer tais coisas é errada. Os fariseus tinham ultrapassado a interpretação correta da Lei, Dt 15.9, a ponto de fazerem suas boas ações somente quando houvesse um numero razoável de testemunhas. Vemos isso pela exortação que o Senhor Jesus dá dizendo: “Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles”, pois acreditavam que assim ninguém poderia os culpar de não ter exercido socorro para com os pobres. Jesus declara que esse tipo de atitude não é aceito por Deus. Eles já receberam seu galardão, pois se faziam para ser visto pelos homens então estavam lá os homens para ver. Esse era o galardão deles. Eles também acreditavam que fazendo as boas ações diante dos homens poderia livra-los da condenação do pecado. Mais uma interpretação errônea da Lei (Dt 15.9, que o Senhor já tinha alertado). Pois o texto diz “e que o teu olho seja maligno para com teu irmão pobre, e não lhe dês nada; e que ele clame contra ti ao SENHOR, e que haja em ti pecado.”, interpretavam que o texto “haja em ti pecado” significava que o fato de não derem esmolas, fazer o bem, não teriam seus pecados perdoados. Que pensamento errôneo. Pois o pecado aqui é o pecado de não ter ajudado o seu próximo somente e não todos os pecados. O ensino Bíblico demonstra a total incapacidade do homem de oferecer a Deus o preço do perdão de seus pecados (Sl 49.7-8; Rm 3.23-27). Acreditavam que fazendo o bem e que se todos soubessem assim estariam se justificando a Deus. O tocar da trombeta dos fariseus fazia com que recebessem suas recompensas já naquele momento, pois a intenção dos seus corações era exatamente o de ser visto e glorificados pelos homens. Tocar trombeta é chamar a atenção para si. Após o culto na sinagoga cada um levantava e dizia qual era a quantia que queria ofertar. Quando havia uma doação muito vultosa, o doador era chamado até o bemá (tribuna) e recebia a honra de poder sentar ao lado do rabino. O servidor da comunidade tocava, então, uma trombeta, a fim de chamar a atenção dos seres celestiais, porque ali se havia realizado uma beneficência especial. Quanto mais, pois, o fariseu praticava a beneficência, dava esmolas, tanto maior era o espetáculo, primeiro na sinagoga e depois também na rua.. Quando a esmola é feita para se obter o respeito e a admiração dos homens, querendo impressioná-los por sua beneficência, perde-se toda a base da bênção divina. Jesus exortou ao povo da aplicação errônea que os fariseus faziam da verdade da Palavra de Deus. O titulo que o Senhor dar a eles é hipócrita (u`pokritai – ipokritai) que no grego significa “ator, alguém que interpreta um personagem no teatro”. Dando assim a ideia de alguém que passa por uma coisa que não é, ou seja, os fariseus não eram bons quando faziam uma boa obra, mas se passavam por bons. Mas Deus conhece a intenção dos corações dos homens. Ele não julga pelo que se vê a olho nu. Você está esperando recompensas dos homens? Quantas vezes os homens dão, não como demonstração de amor a Deus, não como prova de obediência à Palavra de Deus, não como manifestação da justiça que procede de Deus, mas pela publicidade que ganham. Até que ponto nossas boas obras seriam mantidas se os que as recebem não publicassem uma lista anual dos doadores? Fazemos boas obras por causa da publicidade, e recebemos a recompensa. Queremos publicidade e a conseguimos. Porém Deus não conta tais boas obras como prova de justiça, nem como manifestação de amor. O amor associado com o toque de trombeta é o amor de si mesmo. Quando alguém dá esmolas como faziam os fariseus, para receber a glória dos homens, está tratando os homens como seus justificadores. A estima dos homens pode ser comprada com dadivas, mas a de Deus não! Devemos nos lembrar do que Nosso Senhor Jesus nos ensinou em Lc 17.10, quando fizermos tudo que devemos somos, ainda sim, servo infiéis. Não se compra o favor de Deus com obras.

A forma correta (Mt 6.3-4): Após demonstrar o erro dos fariseus em interpretar e cumprir a Lei, o Senhor Jesus demonstra como deve ser o agir correto com relação as boas obras. E a forma correta é que as boas obras devem ser uma coisa secreta, entre você e Deus só, não é preciso falar nem para a pessoa mais proxima de você o que foi feito. Devemos lembrar das caracteristicas do amor. Uma delas é não busca seu proprio interesse (1Co 13.5). A pratica da boa obra é basiada no amor desinteressado. Devemos fazer visando simplesmente a glória de Deus. O que fazemos em secreto Ele recompessará publicamente. Isso pode ter aplicações em nossa vida aqui na terra ou na eternidade. Ele dará a cada um segundo a suas obras. Que possamos visar, em tudo que fazermos, sempre a gloria de Deus. Pois se existe uma area em que é tão facil sugir o engano é nessa area, com nosso ego cheio de necessidade de reconhecimento vem realizar boas coisas para suprir tal necessidade. Que Deus nos ajude a realizar todo serviço de amor de forma a ser tão oculto que, quando o Senhor nos chamar a si no dia do Tribunal de Cristo (por terem servido aos famintos e miseráveis), eles perguntem surpresos: “Quando foi que vimos o Senhor sofrendo e o servimos?” Nem mais estão conscientes de seus atos de amor, de seus serviços de misericórdia (Mt 25.33-40).

terça-feira, 12 de outubro de 2010

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - XVI

O SERMÃO DO MONTE – X



O amor cristão (Mt 5.43-48): O nosso Senhor Jesus continua com o sermão do monte, e neste trecho começa a falar sobre o amor cristão, como devemos nos relacionar com os homens. Começa com a declaração recorrente no sermão do monte “ouviste o que foi dito” demonstrando assim o conhecimento dos ouvintes com respeito a tradição dos fariseus. Segundo a tradição dos fariseus eles deviam amar apenas as pessoas que faziam parte de seu grupo, os fariseus. Interpretação esta que os fariseus davam ao texto de Lv 19.18. Onde o texto afirma o dever de amar o seu próximo, e o próximo, no texto de Lv 19, era referente ao seu povo. Só que a segunda parte da interpretação que os judeus davam ao texto “odiarás o teu inimigo” não aparece na Lei. Era como os fariseus interpretavam Lv 19. Mesmo sendo judeus, se não fossem fariseus, eram tidos como inimigos. Eles reduziram o grupo de pessoas que a Lei declarava como próximo, judeus, para somente os fariseus. Portanto qualquer que não fosse fariseu era tido como inimigo. Deve-se notar que, como escrito anteriormente, a segunda parte da interpretação dos fariseus do mandamento, odiar os inimigos, não aparece na Lei. Mas é claro que em algumas ocasiões a Bíblia, no AT, deixa clara a proibição de amar pessoas de outros povos e aqueles que odeiam ao Senhor (Dt 23.3-6; Sl 139.21-22). Mas como já estudamos nas seções anteriores que os fariseus faziam o possível para se considerarem cumpridores da Lei. E para isso eles inventavam formas de se justificarem e nesse ponto eles apenas reduziram o número de pessoas que eles deveriam amar e, sendo assim, podiam odiar muitas outras pessoas e não se sentiam culpados por isso. Veja como eles consideravam os judeus que não eram fariseus em João 7.46-49. Porém o Senhor Jesus declara que o padrão que Deus exige de seu povo é altíssimo. E é necessário, para darmos um testemunho eficaz do nosso Deus, amar os nossos inimigos, bendizer quem nos maldizem, fazer bem aos que nos odeiam, e orar por quem nos perseguem e nos maltrata. A característica primaria do verdadeiro cristão é o amor ao próximo. Essa é uma das características que nos identifica com servos do Senhor Jesus, filhos de Deus (Mt 5.44; 1Jo 3.10-18). A razão de exercermos o amor cristão neste mundo é o fato do próprio Deus agir de forma benigna para com todos os homens, dando-lhes a chuva e o sol igualmente a todos sem distinção. É a graça comum de Deus a todos os homens. Os filhos possuem as características de seu pai. Se quisermos demonstrar o caráter de Deus em nós, então, devemos agir como Ele age para com os homens. Veja também a obra de salvação realizada em nós: éramos inimigos de Deus (Cl 1.20-22); éramos filhos da ira (Ef 2.3); éramos injustos (1Pe 3.18). E mesmo assim Deus agiu para conosco de forma amorosa nos dando seu Filho para morrer em nosso lugar e nos dar assim a salvação eterna gratuitamente (Rm 3.24). Assim devemos agir benignamente com todos os homens.

Prosseguindo com o sermão, o Senhor Jesus, continua a falar sobre o amor e demonstra que o tipo de amor que o mundo apresenta não é compatível com o que Deus quer de nós, seus servos. Afirma que qualquer pessoa pode amar que lhe ama. Não é necessário um mandamento para isso. Qualquer pessoa tem condição de amar aqueles que lhe tratam bem. E não há honra nenhuma nisso. Não há galardão (46-47). A vida de um cristão deve ser diferente. Deus nos deu a capacidade amar até nossos inimigos. Em gálatas 5.22 Paulo fala sobre o fruto do Espírito, e a primeira característica do fruto é amor. O cristão recebeu o fruto do Espírito na conversão, portanto recebeu a condição de amar seus inimigos. A palavra que aparece no texto grego traduzida por amor em Mt 5.43-44 e em Gl 5.22 é αγαπη (ágape) que é mostrada por Paulo em 1Co 13 como a mais sublime virtude cristã e em 1Jo 4.8 João mostra essa mesma palavra com uma essência de Deus, Deus é amor (ágape). Esse amor não visa recompensas, ele não precisa de condições, não inveja, não trata mal, é honesto. São essas as características que Paulo dá ao amor (ágape) em 1Co 13. E é esse tipo de amor que o cristão deve manifestar aos homens, não precisamos de um motivo para exercê-lo, pois é algo intrínseco no salvo. Faz parte de sua nova natureza (1J 4.7; 2Pe 1.3-10).

Mais uma vez é afirmado o padrão exigido por Deus ao seu povo, “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” (48), podemos mostrar essa perfeição aos homens atreves de demonstrar esse amor (ágape) ao homens e diante de Deus somente por meio da justiça de Cristo. Podemos nos regozijar pelo fato glorioso de Deus ter provido o sacrifício de Jesus Cristo para que, assim, fossemos aceitos por Deus e alcançar tão alto padrão de justiça (Rm 3.26; 1Pe 3.18; Hb 13.12; Ef 5.25-27).

Que Deus nos ajude a viver a cada dia demonstrando esse amor ao próximo e demonstrando imensa gratidão por ter Deus nos provido um sacrifício perfeito a fim de nos dar a salvação.

domingo, 19 de setembro de 2010

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - XV

O SERMÃO DO MONTE – IX (Mt 5.33-42)

Por Alessandro Costa Vieira

A credibilidade do falar cristão (Mt 5.33-37): Jesus continua o sermão do monte, e agora trata sobre a credibilidade do falar. Demonstrando como os fariseus interpretavam a Lei com relação à credibilidade da palavra falada por eles. Mais uma vez Jesus demonstra que seus ouvintes conheciam a Lei e a interpretação que os fariseus davam a ela. A declaração de Jesus diz respeito a interpretação que os fariseus davam aos seguintes textos Êx 20.7; Lv 19.12; Nm 30.2. A Lei apresentava condições claras sobre o juramento. Era uma forma de fazer com que os homens tivessem a garantia de que a palavra de outro era verdadeira. Mas muitos dos fariseus se utilizavam deste mecanismo para jurar em falso. Tinham a confiança de outros mesmo quando diziam mentiras. Esse tipo de juramento que Pedro recorreu quando foi reconhecido como seguidor de Jesus, quando Jesus fora preso (Mt 26.69-74). Os fariseus conseguiam a credibilidade de suas palavra jurando falsamente. Juravam por tudo, pelo céu, pela terra, pela cidade de Jerusalém, etc. E por qualquer motivo faziam juramentos, até pelas questões cotidianas da vida. Os fariseus eram muito espertos e criavam diversos meios de tentar fazer “cumprir” a Lei. E com relação ao jurar diziam que podiam jurar pelo templo e estava livre de cumprir o que jurará, mas se jurasse pelo ouro do templo teria que cumprir (Mt 23.16-22). Usavam esses meios para que os outros acreditassem o que eles falavam com a pretensão de engano. Quem poderia discernir o que era um juramento falso ou verdadeiro, sendo que se utilizavam desses meios? Porém o nosso Senhor Jesus ensina que não devemos jurar por nada. Que o nosso falar deve ser sim ou não. O fato de termos sidos regenerados pela obra do Espírito Santo em nossas vidas não se faz necessário que juremos por tudo que falamos. A conversão em si só garante a credibilidade do servo de Deus. O falar do cristão não necessita de garantias para saber se é verdade ou não (Tg 5.12; Zc 8.16-17). Ele sempre fala a verdade. Devemos frisar aqui que estamos falando do verdadeiro cristão (1Jo 1.6; 1Jo 2.3-6). Portanto não há necessidade de fazermos juramentos para confirmar a credibilidade de nossas palavras, pois temos consciência de que o pai da mentira é o diabo (Jo 8.44).
Devemos entender, também, que o fato de Jesus dizer que “de maneira nenhuma jureis” não significa que não podemos nunca jurar, mas que não devíamos usar desse mecanismo para fazer com que toda e qualquer palavra que falarmos seja acreditada. Como por exemplo: para que alguém acredite que eu almocei eu tenho que jurar que almocei. Isso não se faz necessário e é contrário a Palavra de Deus. Mas há ocasiões em que podemos exercer juramento, como num tribunal. Temos alguns exemplos na Bíblia em que pessoas exercem juramento: Jesus (Mt 26.63-64); Paulo, toma Deus por testemunha, que é uma forma de juramento (2Co 1.23); Deus (Hb 6.13-14).

Olho por olho (Mt 5.38-42): Neste ponto o Senhor Jesus vai tratar sobre a pratica da justiça. O texto citado por Jesus aparece algumas vezes no Antigo Testamento com a intenção de demonstrar que a Lei protege o justo de atitudes perversas, afim de que o culpado pague a devida indenização para com quem ele cometeu o mal (Êx 21.22-27; Lv 24.19-20; Dt 19.15-21). A pratica da justiça do cristão tem seu maior exemplo em Jesus. Aqui o Senhor começa com a seguinte declaração: “não resistais ao mal”. Demonstrando assim o ensino divulgado em todo o Novo Testamento que não devemos pagar o mal com o mal e sim com o bem (Rm 12.21; 1Tm 5.15), de não levar os irmãos perante o tribunal e para o bem da igreja sofre o dano (1Co 6.1-8). O cristão acredita que somente a Deus pertence a vingança (Rm 12.19; Hb 10.30), e que quando ele sofre a injustiça por causa da verdade ele permanece em paz (Mt 5.10-12; 1Pe 4.12-16). O grande exemplo do Senhor Jesus em seu sofrimento é a motivação maior para vivermos uma vida em que muitas vezes preferimos sofrer o dano a exigir a devida retribuição pela ofensa (At 8.32; Lc 23.34). Jesus nos ensina a perdoar os nossos agressores (Mt 6.12). “O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.", diz o apóstolo Paulo em Romanos 13.10. A lei nos dá direitos, mas também nos dá a liberdade de renunciar a eles, e assim manifestar a justiça de Cristo. Temos nossos direitos, e a Palavra de Deus os protege. Temos, também, a liberdade de renunciar a eles para demonstrar o amor de Cristo. Não é a demanda por seus direitos que caracteriza o justo, mas o desistir deles é que destaca o homem que agrada a Deus. O padrão de Jesus é bem diferente do padrão mundano. Em Romanos 12.20 Paulo nos mostra como deve ser a nossa reação com nossos inimigos: “Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.”, essa é a justiça que Deus deseja que demonstremos neste mundo.
Que Deus nos ajude a viver como Ele deseja.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - XIV

O SERMÃO DO MONTE – VIII (Mt 5.27-32)

Por Alessandro Costa Vieira




O padrão moral do povo de Deus (Mt 5.27-30): Jesus prossegue com o sermão do monte. Após falar sobre o verdadeiro homicida aos olhos de Deus, Jesus, começa a falar do que se trata de imoralidade sexual aos olhos dEle. Demonstrando assim o padrão moral que o Seu povo deve ter. O Senhor Jesus começa, como na sessão anterior, com a declaração “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério”, demonstrando que os ouvintes conheciam a Lei,e nesse caso o sétimo mandamento (Êx 20.14). Mas é bom esclarecer que Jesus não está contradizendo a Lei nem mesmo acrescentando nada a ela. Mas na verdade está dando a interpretação correta da Lei com relação à interpretação que os fariseus davam a mesma. Como já observamos, no estudo anterior, que os fariseus eram “peritos” em tentar burlar o cumprimento da Lei (Mc 7.9). Preocupavam-se apenas com o exterior e não com o interior do homem (Mt 23.25-26). E mais uma vez o Senhor Jesus trata que o pecado começa no interior do homem. Os fariseus acreditavam que somente o ato final era pecado. Mas a própria Lei diz no décimo mandamento “Não cobiçarás” (Êx 20.17). Ainda hoje existem muitos “cristãos” professos que pregam sobre o sétimo mandamento de forma bem parecida com os fariseus. Dizem que se duas pessoas não chegam ao ponto de terem uma relação sexual, então seja o que for que fizerem, não cometem adultério. Esse tipo de pregação vai totalmente contra a vontade de Deus. Jesus fala novamente onde nascem as atitudes pecaminosas dizendo a seguinte declaração: “qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela”, essa declaração de Jesus mostra que já no interior do homem os desejos pecaminosos já são pecados. Pensar em pecar consiste em pecado (Mt 15.19).
Nos versículos posteriores, 29-30, nosso Senhor Jesus demonstra como devemos reagir com relação as tentações que nos rodeiam. As declarações são fortes e muitas vezes mal interpretadas por leitores da Bíblia. Quando Jesus diz que “se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti” e “se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti” não estava ensinando automutilação, como alguns querem fazer pensar, mas na verdade é uma declaração que demonstra como Jesus leva a sério a luta pela pureza. Devemos considerar que se necessário for devemos nos afastar de tudo quanto pode nos afastar da fé e da pureza e nos levar à imoralidade. Podemos comparar o ato de arrancar o “olho” ou a “mão” com o ensinamento bíblico da mortificação do pecado. Em Rm 8.13 Paulo diz que pelo Espírito as obras da carne são mortificadas e em Cl 3.5 diz que devemos mortificar não só as obras da carne, mas até mesmo o mau desejo, vil concupiscência. Somente pela graça de Deus e pelo poder de seu Espírito que temos condições de mortificar o pecado. Essa verdade nos leva a pensar no que devemos fazer para fugir das situações que nos leva ao pecado, em nossos pensamentos ou atos. Se for preciso abandonar hobbys, atividades, relacionamentos ou qualquer outra coisa que possa nos levar a pecar. Por exemplo: se você gosta de nadar e ir à praia ou a piscina e ter contato visual com pessoas que estão trajados com pouca roupa leva-o a pensamentos lascivos, deixe de ir à praia ou a piscina. É bom frisar aqui que não é pecado ir à praia ou a piscina, mas os pensamentos impuros nutridos, se for o caso, é. Outro exemplo: Se você tem problemas para evitar sites com conteúdo imoral, deixe de usar a internet. Jogue a TV fora, quebre o celular, deixe de ir a certos lugares onde pessoas que tentam leva-lo à imoralidade frequentam também (Pv 1.10). Mais uma vez é bom frisar que não é pecado ver TV, acessar a Internet, mas se eles te levam a imoralidade deixe-os. Ou seja, abra mão, se afaste, arranque tudo que possa te levar à praticas imorais. Devemos levar em consideração também que se você pensar que: “Já que é pecado logo no pensamento vou fazer logo o que penso”. É um pensamento infeliz. A Bíblia diz em Gn 4.7 que Caim devia ter dominado sobre o seu pensamento odioso. Esse deve ser o nosso comportamento também quando os pensamentos pecaminosos vierem dominar sobre eles (Jó 31.1). Não ceder a eles. Pedir perdão a Deus, arrependido, pelo mau pensamento, e graça para não praticar o ato pecaminoso.

Sobre o divórcio (Mt 5.31-32): Jesus continua falando da vida conjugal do seu povo, e este assunto ainda está relacionado com o adultério que foi tratado nos versículos anteriores, e mostra como os judeus interpretavam o texto de Dt 24.1-4, que mostrava quais eram os motivos para a possibilidade de divórcio. Na época de Jesus estava tendo uma banalização muito grande do matrimonio. Os homens despediam suas mulheres por qualquer motivo, dando carta de divórcio. Um exemplo é o da mulher samaritana em Jo 4.16-19 que já tinha passado por cinco casamentos. Porém existiam casais que permaneciam fiéis mesmo em meio de “possibilidade” para o divórcio, como Zacarias e Isabel (Lc 1.5-7). A Lei de Deus não aprovava essa pratica. E havia muita disputa sobre quais eram os motivos reais para o divórcio com base no texto de Dt 24.1 que diz que “por nela encontrar coisa indecente”. O que seria essa coisa indecente? Alguns diziam que seria o adultério, mas não pode ser, pois a Lei diz em Dt 22.20-22 que o adultero (a) deveria ser punido com a morte por apedrejamento, e sendo assim não seria necessário a carta de divórcio. Devemos considerar que o matrimonio diante de Deus é indissolúvel e é até a morte (Rm 7.2-3; 1Co 7.39). E Jesus em outro lugar vai dizer que a questão de dar carta de divórcio só era permitida devido a dureza de coração do povo (Mt 19.4-6,8). A exceção nesse texto, Mt 5.32, é que por motivo de prostituição, imoralidade sexual, que se permitia o divórcio. Porém em alguns textos paralelos não aparece a exceção que aqui aparece (Lc 16.18; Mc 10.11-12). Paulo falando sobre o matrimônio diz que por causa da prostituição cada um deve ter sua própria mulher ou seu próprio marido (1Co 7.2). O casamento é um estado honroso (Hb 13.4) que Deus proveu para nos livrar da impureza sexual. Acredito que a posição do cristão com relação ao matrimonio é: “EVITE a separação em todas as ocasiões, dê preferência ao perdão (1Co 7.10-16). Pois Deus odeia o divórcio”.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

MEDITAÇÕES SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - XIII

O SERMÃO DO MONTE – VII (Mt 5.21-26)

Por Alessandro Costa Vieira

Quem é o verdadeiro homicida? (Mt 5.21-26): Jesus continua a falar do padrão exigido por Deus para o seu povo. E aqui Ele começa a falar de como a Lei se relaciona com o Evangelho e dá exemplos de como a justiça pode exceder a dos fariseus. O povo que o ouvia conhecia o que a Lei dizia, pois Jesus declara: “ouvistes que foi dito aos antigos”, porem não conheciam a aplicação da Lei como Deus deseja que fosse aplicada. Acreditavam que apenas o fato consumado era pecado. Jesus vai usar aqui o exemplo do sexto mandamento: Não mataras (Êx 20.13). Acreditavam que Deus não olhava para o que se passava no interior do homem. Os fariseus não se preocupavam com isso. O que tinha valor para eles era somente o exterior (Mt 23.25-26). Jesus mostra que a santidade que Deus exige é muito mais profunda do que eles achavam. Mas a declaração de Jesus não é um segredo que naquele momento foi revelado, mas o que eles criam era uma interpretação errônea que os fariseus davam da Lei, pois já no Antigo Testamento Deus tinha falado diversas vezes sobre a santidade no interior do homem, que Ele leva em conta o que ta dentro do homem (1Sm 16.7; Sl 139.2; Am 4.13) e que o pecado já é pecado no pensamento, antes mesmo de o fato ser consumado (Pv 24.9; Ec 7.9; Zc 7.10; Zc 8.17). Jesus abre os olhos de todos para aquilo que os fariseus não olhavam nem consideravam. Devemos lembrar que a Lei tem como objetivo mostrar a santidade que o Deus Santo e Justo exige do seu povo. Santidade esta que está além da nossa capacidade (Rm 3.19-20). A cada declaração do Nosso Senhor o vemos reafirmando a incapacidade do ser humano agradar a Deus (Rm 3.10). Se esse povo sentia-se oprimido com a Justiça dos fariseus, que dizia “Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo”, imagine o que eles pensaram com as seguintes declarações do Senhor: “Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.” Essas declarações mostraram, com certeza, quão incapazes eram os ouvintes, e nós, de cumprir as exigências de Deus. E é essa uma parte importante das boas novas de Jesus. O Evangelho também vem nos dizer que somos pecadores por natureza e que merecemos o inferno (Ef 2.1-3; Rm 6.23). Mensagem esta que os falsos mestres abandonaram. Que os pregadores da prosperidade não pensam nem em falar. E por isso seus seguidores estão fadados ao inferno perdidos sem o Evangelho e consequentemente sem Cristo (2Co 11.4).

Analisaremos agora o que o Senhor Jesus quis dizer com essas declarações: 1ª – Jesus declara que ficar irado com um irmão em Cristo, sem causa, deveria sofrer o mesmo dano que os fariseus atribuíam aos que matavam alguém. A ira sem motivos, contra um irmão em Cristo, é o mesmo que assassinato aos olhos de Deus. A palavra que aparece no texto traduzido para “se encolerizar” é (gr) orgizomenoj (orgizomenos) que é a mesma palavra que aparece em Lc 15.28 que demonstra a indignação do irmão do filho prodigo ao ver seu irmão voltar para casa do pai. Entre os irmãos em Cristo não deve haver lugar para a ira, muito menos sem motivos. Essa ira, cólera, pode atingir tanto para dentro como para fora da pessoa. Para dentro, estar irado, pode equivaler a estar amargurado, carregar rancor, consumir-se intimamente. E para fora pode equivaler a estar agitado, ter um ataque de fúria, agredir, ter uma mentalidade áspera. Tudo isso foi considerado como assassinato aos olhos de Jesus. 2ª – Jesus diz que qualquer que disser ao seu irmão: RACA, será réu do sinédrio, que no tempo de Jesus era o supremo tribunal daquela terra, essa palavra significa “cabeça oca” dá a ideia de alguém inútil, sem valor. É um insulto que demonstra desprezo pelo irmão que é imagem e semelhança de Deus. Essa palavra vai aparecer lá no Antigo Testamento em 2Sm 6.20 e é traduzida por “vadios”. 3ª – Jesus também diz que quem chamar o irmão de louco, será réu do fogo do inferno. A palavra que é traduzida por “louco” é (gr) mwre que também pode ser traduzida por “tolo, néscio” esses termos nos faz lembrar de vários testos do Antigo Testamento que expressa o néscio como o incrédulo ateu que nega a existência de Deus (Sl 14.1; Sl 53.1) ou como aquele que aparece no livro de Provérbios que despreza a lei de Deus e sua instruções. Portanto chamar o irmão em Cristo de louco, néscio, tolo, é o mesmo que dizer que ele está condenado ao inferno por não crer em Deus. E aos que fazerem esse insulto a um irmão será réu do fogo do inferno.

A instrução aos irmãos que ofendeu ou foi ofendido esta nos versos seguintes. Nos versos 23 e 24 apresenta a urgência de quem foi insultado “se teu irmão tem alguma coisa contra ti” vai e reconcilia com ele antes de oferecer o sacrifício a Deus. Se fossemos falar como em nossos dias podíamos dizer: “se você estiver no culto e lembrar-se que seu irmão tem algo contra ti, não espere nem o culto terminar para reconciliar-se com seu irmão”, demonstrando a urgência de tratar a ira (Ef 4.26). E nos versos 25 e 26 fala do dever de conciliação de quem ofendeu. Se você percebeu que ofendeu um irmão não deve esperar para ver as consequências. Deve conciliar-se “depressa”. Aqui Jesus usa a figura do tribunal. E entre os romanos era aceito que o ofendido levasse o ofensor até o tribunal e iam juntos, e enquanto ia pelo caminho, o ofensor, podia tentar a conciliação com quem ele ofendeu, se deixasse chegar à presença do juiz nada mais seria feito, senão a sentença dada pelo juiz, e dada a sentença teria de pagar tudo.

Esses mandamentos de Jesus para seus discípulos demonstram como é alta a exigência que Deus quer de seu povo. Tão alta que não podemos atingir. Pois nossos pensamentos constantemente são levados a pecar contra nossos irmãos, ainda que em “leves” pensamentos maus. Reconhecemos as nossas fraquezas e debilidade em cumprir a justiça de Deus. E o que nos resta é aceitar o sacrifício vicário de Jesus por nós na cruz, que cumpriu a toda a lei, perfeitamente, em nosso favor (Tt 2.14; 1Ts 5.10; Ef 5.2). Todos esses padrões que Jesus apresenta devem ser seguidos, devemos nos esforçar para tal. Mas não como meio de salvação e sim por amor a Deus e sua Palavra, para que nosso testemunho seja eficaz neste mundo e para que venhamos demonstrar os frutos da salvação eterna obtida por meio da gloriosa graça de Nosso Senhor e único Salvador, Jesus Cristo.